Reflexões sobre relações públicas em tempos de pandemia

Matías Szapiro, Gerente de Assuntos Públicos e Governamentais da ExxonMobil Exploration Argentina e especialista em Relações Corporativas e Institucionais, participou de um encontro organizado pela Fundacom na qual compartilhou sua experiência em gestão de Assuntos Públicos em organizações com relação à pandemia da Covid-19.

Nesse contexto, os diversos países do mundo estão enfrentando realidades distintas que dizem respeito à capacidade de relacionamento entre os âmbitos governamentais e o privado, entre outras questões. “Isso colocou não só novos desafios para as instituições públicas, mas também novas oportunidades que permitam traçar um novo cenário político, social e econômico, no qual as diversas organizações devem atuar”, disse Szapiro durante sua participação, na conversa com José Fernández-Alava, Diretor Geral da Fundacom.

REPUTAÇÃO, UM ASPECTO CHAVE DURANTE A CRISE

O especialista em Relações Corporativas também destacou como as crises afetam a reputação das organizações, devendo dar a devida importância a esta situação: “Não podemos perder de vista que a postura que adotamos nas organizações diante de situações de crise, principalmente no setor privado, vai impactar na reputação do setor que representamos, e essa reputação é o que constrói este caminho sustentável, hoje tão necessário, na interação com os nossos públicos de interesse”.

E acrescentou: “A reputação continua a ser um ativo intangível, que em cenários de crise se torna ainda mais importante do que nos de normalidade, porque a interpelação da sociedade diante da resposta do setor público, e também do setor privado, está claramente sendo colocada na mesa todos os dias. A interpelação e uma reputação positiva resultam em um cenário sustentável ao longo do tempo”.

Matías Szapiro também comentou que, devido à pandemia, os vínculos não podem ser construídos da mesma forma, por isso ofereceu uma série de orientações ou conselhos a serem seguidos para fazê-lo com eficiência: “Em primeiro lugar, a organização deve permanecer proativa e monitorar constantemente seus públicos de interesse. Além disso, deve gerar canais de diálogo e uma agenda específica. Para tudo isso, devemos trabalhar para construir uma licença social”.

O encontro terminou com uma reflexão sobre como a sociedade tem se transformado nos últimos tempos, empoderando-a com seu poder de decisão: “Sem dúvida, e independente da pandemia, temos uma sociedade mais exigente, capaz de incluir temas na agenda pública, por exemplo, nas redes sociais. A sociedade e o indivíduo têm um empoderamento muito maior do que antes. A pirâmide de influência foi invertida. O cidadão comum tem maior capacidade de desafiar o terceiro setor, a política e o setor privado”, concluiu Szapiro.