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Comunicação pós-apocalipse

28 Outubro 2020 |by Fundacom | Comentários fechados em Comunicação pós-apocalipse | Conocimiento

Os psicólogos dizem que são necessários entre vinte e um e vinte e oito dias para adquirir um novo hábito. Isso significa que, se por vinte e oito dias nos levantarmos todas as manhãs para fazer exercícios, depois de um mês teremos gerado disciplina suficiente para continuar fazendo isso sem que seja um suplício acordar às 5h30 da manhã.

 

No México, estamos em confinamento há quase seis meses – sem ter sido obrigatório como em outros países da América Latina – em decorrência da emergência sanitária. Você já se perguntou quantos novos hábitos, bons ou ruins, adquiriu nestes quase 180 dias?

 

Diante desse cenário, e considerando que o erroneamente denominado “novo normal” durará pelo menos mais doze meses, as organizações devem considerar que, assim como seu negócio não voltará a ser o mesmo, sua forma de comunicação também deve se adequar a novos hábitos de consumo das pessoas.

 

O confinamento não só gerou mudanças significativas nos costumes, mas tivemos muito tempo para refletir sobre o que queremos fazer de nossas vidas se pudermos voltar a uma dinâmica como a que tivemos. Na Burson Cohn & Wolfe, identificamos sete tendências que mudaram o comportamento das pessoas e que, por sua vez, irão alterar a forma como as marcas e empresas operam… e se comunicam:

  1. A família e o indivíduo são prioridade máxima;
  2. A comunidade é essencial;
  3. A “hiper consciência” em torno da saúde;
  4. A necessidade de fontes confiáveis ​​de informação;
  5. O movimento em direção à interação remota;
  6. A mudança nos hábitos de consumo;
  7. Maior envolvimento de grupos de interesse.

 

Essas tendências nos permitem vislumbrar os cenários que poderemos enfrentar até 2021 e que, como especialistas em comunicação, devemos nos assegurar de que contemplamos para que nossas organizações também desenvolvam uma espécie de imunidade contra o embate da COVID-19, ou o que se poderia chamar de “resiliência corporativa” diante das sequelas da pandemia.

 

Vale a pena fazer uma pausa e começar a repensar nossa comunicação, não apenas pelos próximos 12 ou 24 meses, como costumava ser no passado, mas pelo que poderia ser um novo mundo pós-pandêmico. Aqui estão algumas reflexões:

 

Se pelo menos 50% de sua comunicação ainda não é digital, prepare-se para sofrer. Já comentei isso no passado: “social listening is the new black”, a escuta ativa nas redes sociais é o ponto de partida para fundamentar toda a nossa estratégia de comunicação. Será que alguns dos nossos públicos de relacionamento não utilizam ou não se informam por meio das mídias digitais? Zoom, Google Meets e Microsoft Teams deixaram claro para nós que a comunicação sem vídeo é praticamente inimaginável, que experiências de marca podem se tornar virtuais usando tecnologias e criatividade e que a comunicação baseada em dados (data analytics) a torna mais precisa e orientada para os negócios do que nunca. As áreas de comunicação que insistem em medir o sucesso com base no número de histórias publicadas logo se tornarão parte dos incontáveis ​​”casos de fracasso”.

 

Fontes confiáveis ​​de informação tornaram-se mais importantes do que nunca. A pandemia nos mostrou como é importante ter autoridades de saúde e opiniões científicas para administrar a crise e trazer tranquilidade a milhões de pessoas. Também mostrou como se tornaram perigosas as notícias falsas e comunicações que não são baseadas em evidências. Se somos autênticas fontes de referência, hoje a sociedade será mais sensível para nos ouvir.

 

Os verdadeiros líderes lutaram pela causa, os imitadores desapareceram. Quantos CEOs listados nos rankings de líderes empresariais desapareceram durante a pandemia? Quantos deles vimos realmente tomar a iniciativa e liderar com ações, não apenas palavras, seus funcionários, seus parceiros de negócios, todo o seu ecossistema em meio à crise? A pandemia pôs à prova lideranças genuínas e, a partir de agora, o que se espera dos dirigentes das organizações é que não sejam apenas empresários extraordinários, mas que tenham um lado humano que sirva de exemplo e inspire toda a sociedade.

 

A responsabilidade social passou de algo “bom de se ter” para “a razão de ser”. De repente, deixamos de fazer doações misericordiosas e marketing filantrópico para buscar contribuir por meio de ações de verdadeiro impacto social para salvar vidas humanas. Marcas e empresas mostraram, talvez pela primeira vez, seu verdadeiro sentido e missão na sociedade, às vezes complementando o trabalho de governos que se viram superados pela pandemia. Passaram de “vender” a “fazer” e se tornaram mais “humanas” aos olhos da sociedade. As pessoas testemunharam o que as empresas e marcas são realmente capazes de fazer pela humanidade.

 

Diante do golpe econômico gerado pela pandemia, muitas empresas não hesitaram em cortar suas áreas e esforços de comunicação. Fazer isso em meio a uma crise como a que vivemos – e que ainda vai piorar – equivale a um náufrago que flutua no meio do mar e perde a voz enquanto passa um bote salva-vidas. Deixar de se comunicar, e não só se fazerem visíveis mas também se tornarem relevantes para grupos de interesse neste cenário quase apocalíptico, pode ser a diferença entre a vida e a morte da organização.

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Liderança de combate para tempos incertos

28 Outubro 2020 |by Fundacom | Comentários fechados em Liderança de combate para tempos incertos | Conocimiento

Nestes tempos incertos, a liderança de combate se torna imprescindível para lutar contar a desesperança, a fatalidade, o medo e criar equipes de elite comprometidas com a vitória. Você se imagina em terreno inimigo lutando sem uma estratégia, saindo da trincheira sem um propósito, arrastando os pés sem a determinação ferrenha de lutar ou morrer? No mundo das empresas não é diferente. Só sobrevivem os que concentram seu empenho em ganhar e fazem tudo o honestamente necessário para consegui-lo.

 

O verão acabou e sobrevivemos ao vírus, mas desembarcamos em uma grave crise planetária de emprego, economia e liderança. As nuvens da incerteza e o medo estão sobrevoando de novo nosso futuro para formar a tempestade perfeita. O que podemos fazer para que nossa empresa ou nosso emprego não se afundem? Não cabe dúvidas que o único que depende de nós é a atitude e nossa capacidade para enfrentar este desafio. Líderes e times equipados com suas melhores armas serão os últimos responsáveis para levar adiante nossa economia. De nada valerá ficar se queixando, chorar, o trabalho, as ajudas ou os convênios, se ao final não desembarcarmos com toda nossa força, determinação e coragem para alcançar a vitória.

 

As empresas que souberem tratar suas equipes como comandos e seus funcionários como soldados de elite despertarão nelas o orgulho de marca que as fará prestar um serviço de alta qualidade que inevitavelmente aumentará os resultados. Os desafios enfrentados por um policial ou soldado não são tão diferentes daqueles enfrentados por um empresário, um comercial ou qualquer freelancer no mundo. Afinal, sua vida, reputação e o pão de seus filhos estão em jogo. O comando colocará seu capacete, suas botas, se armará até os dentes e se preparará para lutar sua batalha. Quando o civil veste o terno, amarra os sapatos e pega seu computador deve saber que deixa de ser pai ou mãe e passa a ser o soldado, trabalhador que sem desculpas ou concessões deve voltar para casa vivo e com o dever cumprido. Sua missão não é apenas sobreviver. Sua missão, com o bem disse Winston Churchill, é a vitória.

 

O líder exemplar deve colocar sua equipe no centro. As pessoas querem ser tratadas como seres humanos, não como instrumentos de sucesso. Na guerra, na trincheira, na invasão de um lugar seguro ou diante de uma bomba, meias medidas não valem. Ou você cobre minhas costas ou eu cubro a sua. Se estou aqui no meio deste desastre é porque sou seu irmão de armas, porque jurei cumprir meu dever e porque me preocupo com você. Basta dar a ordem e iremos para a morte. Este é o espírito de uma equipe de elite. Não consigo encontrar uma maneira melhor de vencer nenhuma batalha. Muitas unidades de elite estão repletas de pessoas obstinadas e determinadas, com personalidades fortes, que não se curvam à autoridade. Apenas seguem os valentes, a quem respeitam e admiram por sua liderança ou qualidades de liderança. Não são ovelhas e desafiam quem, confiando na sua posição, se considerem capazes de influenciar homens que sabem seu valor, sua capacidade e estão cientes de que escolheram uma profissão em que os fracassos se pagam com a vida e isso merece respeito.

 

Esses homens não precisam de disciplina ou motivação externa. Pra eles, isso vem de série. Essa autodisciplina é muito superior e não precisa de supervisão. Eles não são movidos por dinheiro, nem por reconhecimento. Sua motivação vem da satisfação de um trabalho bem feito, de ultrapassar seus limites, do cumprimento do dever adquirido e de ir aonde a maioria não iria nem por todo o dinheiro do mundo. Esse orgulho de pertencer lhes dá um propósito em suas vidas, e eles se sentem dignos de sua responsabilidade.

 

Essa disciplina é posta à prova quando as circunstâncias se tornam adversas, quando a ameaça é tão grande que até os mais corajosos tremem. Diante do medo é que a disciplina e a coragem se reafirmam ou entram em colapso. O líder de combate é assim porque conquistou o respeito e a admiração daqueles a quem serve e lidera por seu exemplo de honestidade, competência e coragem. Seu primeiro objetivo é conhecer pessoalmente e profissionalmente toda sua equipe, cuidar de suas famílias, detectar qual a motivação para o trabalho, quais são os seus sonhos dentro da empresa e detectar seus talentos. Quando esse trabalho estiver concluído, você pode pensar em começar a liderar modelando tudo o que espera de seus homens.

 

O líder exemplar não faz nada por obrigação, sua vocação é servir. A atividade pode ser difícil ou desagradável, mas a partir do momento em que você decide o que fazer, seu trabalho fica a serviço de outras pessoas, sua equipe ou clientes. Na liderança de combate há muita grandeza e respeito pelas pessoas que compõem a equipe. Se cada um de seus membros trabalhar para esse bem comum, os laços de amizade serão mais fortes e a gratidão criará um bom ambiente de trabalho, se tornará uma demonstração de serviço, em que eu posso, valho e aqui sou útil e necessário.

 

A camaradagem que se respira no combate é um vínculo que une as pessoas quando devem dar além do que justamente recebem pelo trabalho. Sem esse afeto, é difícil conquistar o carinho e a admiração dos subordinados. Esses homens obedecem cegamente e dão o melhor de si quando quem dá a ordem é respeitado não por causa de sua formação, mas porque sabem que se importam e que quando chegar a hora também vão agir com sangue e fogo, cumprindo o famoso juramento de um por todos e todos por um!

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O “Social Listening” e a polissemia do espanhol

28 Outubro 2020 |by Fundacom | Comentários fechados em O “Social Listening” e a polissemia do espanhol | Conocimiento

Os avanços da ciência de dados estão fixando novos horizontes e desafios para o desenvolvimento e implementação de estratégias de comunicação, marketing e relações públicas. As ferramentas que surgiram desse desenvolvimento e metodologias de análise permitem a convergência de diferentes áreas de conhecimento como a matemática, estatística, sociologia e antropologia.

A convergência digital com o mundo analógico está nos obrigando, em muitas atividades, a sermos multidisciplinares e a inovar em práticas e atividades que antes eram exclusivas de uma profissão específica para compreender o significado dos múltiplos e novos núcleos sociais que surgiram com o que Manuel Castells definiu como a “Sociedade da Informação”.

Antes do nascimento da internet e do desenvolvimento das redes sociais, definia-se como “sociedade” um grupo de pessoas dentro de uma região territorial determinada, com costumes compartilhados. Hoje, em meio à era da informação, a diversidade pessoal e sociocultural que define pequenos grupos de pessoas é vasta e exige o uso de novos processos analíticos e ferramentas que nos permitam analisar, a partir das plataformas digitais, estes clusters de indivíduos como micro segmentos sociais. Nasce a era da escuta digital.

Agora o “social listening”, como se diz em inglês, surge como pedra angular para o descobrimento e reconhecimento do Imaginário Coletivo. A coleta de dados se tornou simples, no entanto, o desafio está em processar, analisar e gerir esses dados de forma confiável e precisa, de forma que nos permita ter acesso ao valioso acervo inferencial relacionado às condutas, preferências, hábitos e interesses, assim como a credibilidade e a afinidade de quem os influencia.

A maior parte das ferramentas e plataformas que são utilizadas atualmente para realizar este tipo de análise estão limitadas ao espectro quantitativo, o que deixa de fora muitos elementos relacionados com a parte socioantropológica. O “sentimento” é qualificado por regras semânticas do idioma inglês, sem ser aprofundado no contexto social, geográfico ou emocional que prevalece e separa o significado do significante. O espanhol e outros idiomas não tinham, até hoje, uma forma de se analisar semanticamente em profundidade e, por isso, decidimos lançar a Intuaition.

Intuaition retoma a análise quantitativa e aplica, usando modelos socioantropológicos próprios, uma interpretação qualitativa da semântica dos conteúdos do mundo digital. Nossa ferramenta permite monitorar, a partir de uma perspectiva mais profunda, o que se diz no mundo digital sobre as marcas, personagens ou temas específicos, além de ser capaz de compreender a polissemia da língua espanhola em diferentes regiões do mundo, graças ao uso de Inteligência Artificial para o processamento da linguagem natural.

Uma vez que somos capazes de entender o significante que se aplica ao significado dos conteúdos de rede, é possível determinar elementos cognitivos como afinidade, credibilidade e apego (bonding) e, a partir dessas inferências, desenvolver estratégias de comunicação mais precisas e efetivas.

É importante ressaltar que uma escuta pontual não basta para assegurar o êxito. É necessário um monitoramento perimetral de uma marca ou tópico, assim como uma análise quantitativa, semântica e contextual da rede. O verdadeiro fundo emocional que gera afinidade e apego se encontra “debaixo” das conversas e se interpreta a partir das inferências que nos dão por meio do processamento da informação digital.

Estas novas ferramentas e processos estão já modificando de forma definitiva nossa comunicação atual. Estamos nos transformando de consumidores habituais em novos geradores de conteúdos associados à conexão emocional com as marcas.

Em um ambiente violentamente evolutivo é impossível que existam verdades absolutas sobre os novos horizontes da comunicação. O desenvolvimento tecnológico continuará gerando novas formas de relacionamento social e de vinculação com as empresas e as marcas. É nossa responsabilidade nos manter renovados e inovando para sobreviver como profissionais em nossas disciplinas.

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Que ano vivemos! (…ou sobrevivemos?)

28 Outubro 2020 |by Fundacom | Comentários fechados em Que ano vivemos! (…ou sobrevivemos?) | Conocimiento

Tudo o que estamos vivendo neste 2020 é novo. No aspecto profissional, as mudanças pelas quais passamos nos últimos oito meses foram gigantescas.

Nunca na história da atividade profissional das Relações Públicas tínhamos passado por tantas mudanças e por esta necessidade intensa de adaptação imediata para responder às necessidades dos nossos clientes e empresas. Rapidamente aprendemos a trabalhar de casa, já somos especialistas em videoconferências e eventos online e nos mantemos atualizados sobre as inovações tecnológicas que nos permitem desenvolver nossas atividades de forma mais profissional.

Há poucos dias, acordamos com a notícia de que uma das mais importantes montadoras do mundo, a Tesla, havia decidido desaparecer com seu departamento de Relações Públicas. Sim, com todo mundo.

Os profissionais que faziam parte dessa grande equipe foram realocados para diferentes áreas com outras responsabilidades e outros passaram a fazer PR para outras empresas.

Isso nos leva a questionar se este não será um exemplo para as outras grandes corporações…

Este movimento foi visto por vários observadores da indústria como um movimento para mostrar que o departamento de Relações Públicas da Tesla não pode competir com os quase 40 milhões de seguidores de Musk, embora também revele sua baixa tolerância a críticas.

Elektrek, um site de notícias que escreve sobre a indústria de transporte, foi o primeiro a relatar a mudança, comentando que “aparentemente eles decidiram que não precisam de um bom relacionamento com a mídia”.

Este tipo de reações e movimentos das grandes empresas nos obriga hoje, mais do que nunca, a analisar a oferta de valor que oferecemos aos nossos clientes. Devemos ter muito claro o que fazemos por eles e com eles.

Provavelmente, o departamento de Relações Públicas da Tesla tinha como objetivo principal o relacionamento com a mídia, que é parte fundamental para construir um bom relacionamento que nos permita comunicar melhor os objetivos de negócios, produtos e tudo o que acontece dentro da empresa, mas também, em caso de crise, sabemos que eles terão uma atitude mais receptiva e analítica para entender o que está acontecendo e assim transmitir.

Deixar a comunicação direta com a mídia à deriva pode afetar qualquer empresa. Ter assessoria constante em comunicação estratégica e Relações Públicas é atualmente um elemento crítico na gestão da reputação corporativa.

O caso da Tesla é muito particular, a sua posição no mercado lhe permite focar mais nas relações com os investidores e tentar cobrir a parte de comunicação com as suas redes sociais, para as quais devem ter uma estratégia de comunicação específica.

Não creio que o caso Tesla possa ser replicado por qualquer corporação. Dispensar o conselho constante de comunicação estratégica é uma atitude muito arriscada que pode levá-los a perder rapidamente o lugar que conquistaram no campo da comunicação e reputação.

Veremos que outras mudanças surpreendentes teremos em 2020, e as consequências delas. Seguiremos comentando juntos.

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Responsabilidade Social em tempos disruptivos

28 Outubro 2020 |by Fundacom | Comentários fechados em Responsabilidade Social em tempos disruptivos | Conocimiento

Pouco mais de cinco meses de isolamento social, em que se procurou conter a pandemia, priorizando as instituições de saúde, seu alcance e suas restrições, causaram divergências em diferentes níveis da sociedade. Este fenômeno global não só fragmentou e acelerou o surgimento de novos formadores de opinião, mas possibilitou que empresas privadas e independentes encontrassem, nesse novo normal, um posicionamento próprio como referências sociais e culturais capazes de sensibilizar o público.

 

É indiscutível o grau de influência que as marcas possuem, por isso devem trabalhar com o intuito de impactar positivamente a sociedade. Com esse objetivo em mente, a equipe de Estratégia de Another Company, agência regional independente de comunicação estratégica, elaborou um relatório com base em uma ampla pesquisa que explica como as marcas podem ser líderes sociais, culturais e políticos.

 

  • A Responsabilidade Social como ponto de partida. Além de promover causas sociais, as culturas corporativas devem gerar uma mudança profunda e abrangente em sua estratégia e modelo de negócios para realmente influenciar a sociedade. Para tanto, é necessário alinhar propósito, valores, ações e mensagens de marca para garantir sua congruência com o contexto atual, fazendo com que as pessoas se identifiquem com sua cultura – ou marca – e até queiram pertencer a ela.
  • Marcas com o poder de nos transformar. Se as empresas são socialmente responsáveis, elas aumentarão a identidade em dois níveis. O primeiro nível é o individual, aqui o consumidor busca as causas com as quais se identifica e que servem para reforçar quem ele é e no que acredita. O segundo é o coletivo, a conexão com pessoas semelhantes a eles gera um sentimento de pertencimento e dá o poder de gerar uma mudança entre todos. É importante ressaltar que os consumidores anseiam por valores reais da marca, que os ajudem a se tornar a melhor versão de si mesmos.

 

Jaspar Eyears, CEO e fundador da Another Company, ressalta: “O que as empresas devem entender é que o grupo protagonista hoje são as novas gerações e, portanto, devem saber o que procuram, pois são o futuro. Na verdade, os números indicam que esse segmento está disposto a gastar mais com produtos e serviços de empresas socialmente responsáveis: 51% dos entrevistados entre 15 e 39 anos estão dispostos a pagar mais por esses produtos, contra 37% dos respondentes com mais de 40 anos”.

 

  • As causas sociais fortalecem o relacionamento com os consumidores. Essas causas permitem a interação com pessoas de todo o mundo, fortalecendo assim o senso coletivo de progresso. Os consumidores com maior consciência social são os jovens. Na verdade, é cada vez mais comum que as decisões de compra sejam tomadas levando em consideração o envolvimento social das marcas. Durante a pandemia, os usuários se voltaram para marcas que contribuíram com algo nesse contexto.
  • Um mesmo ideal na região: a sustentabilidade. México e Argentina são os países que mais conversam sobre Responsabilidade Social. 2019 foi um ano com grande número de movimentos sociais em prol do meio ambiente.

 

Se as marcas decidirem seguir o caminho da RSC, com o compromisso que corresponde, deverão ter em mente estas três considerações que as ajudarão a iniciar a mudança.

 

  1. A mudança deve ser interna e externa. A liderança cultural é obtida com a implementação de uma visão para o futuro. Marcas e marketing agora buscam e precisam oferecer honestidade e significado.
  2. A estratégia de RSC deve incluir três fatores:

– A marca deve ter um propósito que ultrapasse os interesses do negócio para impactar positivamente as emergências sociais, tanto locais quanto globais.

– Conhecer tanto as motivações como as preocupações atuais e futuras do consumidor para tomar decisões acertadas e alinhadas com a realidade que se vive com esta conjuntura.

– Identificar áreas de impacto social que se ajustem à marca, mas acima de tudo à cultura corporativa para estudá-las e assumir a posição indicada.

  1. Níveis de participação. Dependendo da história da marca e de sua categoria, é importante avaliar em qual dos quatro níveis é prudente para a empresa defender uma causa social:

– Conscientização: Analisar e reconhecer o que temos feito como marca ou empresa. A seguir, estabelecer e gerar estratégias de comunicação – awarness – sobre um tema social que está relacionado à essência da marca.

– Reconfiguração 360: adotar um propósito de mudança, alinhar os valores, ações e mensagens da marca a favor dela.

– Experimentação: execução tangível da causa social que se apoia.

– Movimento: provocar um movimento social para erradicar velhas crenças, buscando promover a vanguarda.

 

“Incorporar em uma empresa a RSC é fundamental e deve ser levada com seriedade e sinceridade desde o primeiro momento. Não é algo que uma marca possa experimentar e depois abandonar, é um caminho a ser construído que deve ser aprofundado ao longo do tempo, pois as causas sociais não são um modismo. Por isso, propomos quatro premissas que as marcas devem ter em mente ao pensar em RSC”, comenta Jaspar Eyears.

 

  1. Embora nunca seja tarde demais para reivindicar e agir, você precisa agir o mais rápido possível.
  2. Consistência. Dizer e compartilhar não é o suficiente, você tem que provar com fatos.
  3. Você tem que partir de um esforço honesto que agregue valor à cultura dos usuários.
  4. Mensuração. Para saber se o caminho está correto, é preciso mensurar as ações além da reputação que se obtém, é importante que a mudança na empresa seja real.

 

Com este relatório, Another Company procura mostrar às marcas a força que têm nas mãos, que compreendam seu papel e que capitalizem causas sociais importantes para a sua comunidade, mas sem esquecer as obrigações que isso acarreta. Se você busca e trabalha pela mudança, nunca é tarde.

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Das Fake news à Infomedia

31 Julho 2020 |by Fundacom | Comentários fechados em Das Fake news à Infomedia | Conocimiento | , ,

Antes das mídias digitais, a comunicação saía dos meios tradicionais para as pessoas e de lá eram levadas para mesas de discussão, refeições ou conversas com amigos. Atualmente, a informação chega diretamente a cada pessoa, seja por causa do que consome regularmente ou porque as pessoas próximas a ela a publicam. Esses conteúdos vão do privado ao público e retornam, do público ao privado.

As notícias falsas ou fake news podem ser descritas como um conteúdo de qualquer tipo que tente deliberadamente posicionar, em um vácuo de informações, uma história imprecisa ou falsa. Com a chegada das mídias digitais, a velocidade e o tempo diminuíram e não há uma barreira real contra a viralização das mesmas.

1. As notícias falsas são prejudiciais?

A notícia em si não é boa ou ruim, o que conta é a intenção por trás de sua divulgação, de forma que as notícias falsas possam afetar nossa economia, investimentos e o valor de nossos negócios.

Além da intenção, sendo seres sociais, agrupando-nos por interesses e comportamentos nas comunidades – atualmente mais digitais –, tendemos a polarizar nossas crenças e a defender versões mais extremas do que antes de pertencer a essas comunidades.

O meio também é importante: mídias digitais privadas, como grupos do WhatsApp ou do Facebook, tendo como membros familiares, amigos ou conhecidos próximos com quem se compartilha não apenas uma visão conjunta mas um vínculo emocional, fazem com que não se verifique o conteúdo ou fonte.

2.Gradação nas notícias falsas

Raramente uma notícia é 100% falsa, existe uma gradação na manipulação do conteúdo para posicioná-la, aproveitando o fato de que existem lacunas de informação.

3.Infodemia

A chegada da pandemia em todo o mundo, o confinamento de grandes populações, a preocupação com a saúde e a economia trouxeram consigo uma avalanche sem precedentes de informações em todo o mundo. Essa quantidade de informações relacionadas ao tema em particular é chamada de infodemia.

Essa multiplicidade de informações, também com gradações, junta-se à existente sob o guarda-chuva de notícias falsas, o que dificulta que as pessoas possam selecionar o conteúdo de fontes confiáveis ​​e fidedignas.

Na imagem a seguir, explicamos a maneira como se pode classificar o tipo de conteúdo e os públicos que geram as opiniões.

Os conteúdos podem ser classificados por nível de especulação e impacto:

  1. Dados concretos que causam alto impacto emocional nas pessoas; geram estresse, induzem ao estado de alerta e levam as pessoas a agir.
  2. Informações não confirmadas que causam alto impacto emocional, provocam paranoia nos públicos digitais e levam as pessoas a agir.
  3. Dados concretos que causam impacto emocional moderado ou baixo nas audiências digitais e as mantêm informadas.
  4. Informação não confirmada que causa impacto emocional moderado ou baixo nas audiências digitais e que as mantêm interessadas.

E os quatro grandes públicos que promovem esse tipo de conteúdo podem ser classificados em:

  1. Iluminados, aqueles que inventam teorias nas quais pensam em uma nova ordem.
  2. Conspiradores, que criam teorias baseadas em seus preconceitos e medos.
  3. Técnicos que são pragmáticos e que procuram prever o futuro.
  4. Cientistas, que se baseiam em números para definir e criar o futuro.

4. O que teríamos que implementar para reduzir as notícias falsas e a infodemia

Assim como os países estão lutando para impedir a propagação do vírus, também temos que lutar contra a informação falsa. Infelizmente, não existe cura como seria uma vacina, então você deve agir em diferentes frentes:

  1. Consumidores

Como tudo, é uma questão de educação. É necessário educar os consumidores de conteúdo a suspeitarem de letras maiúsculas, dos URLs que se assemelham aos sites que costumam consumir, a verificar se outras fontes confiáveis ​​trazem as notícias, a fazer uma busca reversa das imagens e vídeos que trazem o conteúdo e analisar o “sobre” ou “about” do site.

  1. Plataformas de dispersão

Embora algumas plataformas como o Twitter, o Facebook e o YouTube estejam implementando novas maneiras de localizar e bloquear notícias falsas ou manipuladas graças à inteligência artificial, enquanto seu modelo de negócios continuar sendo o de publicidade, será muito difícil obter progressos significativos, porque o dinheiro do anunciante continuará a prevalecer sobre a qualidade do conteúdo.

Uma das soluções prováveis ​​seria alterar o modelo de publicidade para assinatura. O usuário teria que pagar pelo conteúdo. Além disso, seria necessário modificar os algoritmos que tendem a polarizar os usuários, apresentando apenas conteúdos que se assemelham ao grupo de pessoas com quem está relacionado ou às páginas dão like, porque isso distorce ainda mais a informação que recebe e não permite a criação de outros julgamentos de valor.

  1. Governos e autoridades

Não é a totalidade, mas vários governantes participam na dispersão de meias notícias, conspirações ou até notícias falsas, a fim de desviar a atenção das questões ou antecipar uma resposta negativa à crise. Especialmente aqueles governos com conotações populistas.

Nesse sentido, o trabalho deve ser mundial, para incentivar penalidades estritas pela disseminação deliberada de conteúdo falso, bem como para fortalecer leis que promovam a responsabilidade online.

Da mesma forma, recorrer a entidades autônomas que possam ser fontes confiáveis ​​de verificação dos fatos.

  1. Tecnologia

O avanço da ciência de dados permitiu a criação de algoritmos que podem não apenas identificar notícias falsas, mas prever com eficiência a criação e a disseminação de conteúdo. A antecipação é alcançada através da compreensão dos padrões de comportamento dos públicos de interesse na mídia digital quando o conteúdo viaja do privado para o público e, para entender o impacto, é necessário analisar os padrões das reações desses públicos.

Em tudo isso, o problema fundamental é quem decide ou poderia decidir se algo é verdadeiro ou falso. A resposta está longe de ser resolvida.

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Resiliência e sustentabilidade pandêmicas

31 Julho 2020 |by Fundacom | Comentários fechados em Resiliência e sustentabilidade pandêmicas | Conocimiento |

Se há algo que se tornou claro para nós nos últimos meses é que a pandemia nos levou a repensar não apenas o modelo da sociedade em que vivemos, mas a maneira como nossa economia é construída local e globalmente. Desde a sua criação, a globalização tem sido alvo de críticas e elogios; no entanto, a COVID-19 deu maior destaque para as deficiências de um sistema que assumimos como o único modelo de desenvolvimento em grande parte do mundo.

A Responsabilidade Social Corporativa (RSC) nasceu como uma ferramenta para encontrar um equilíbrio entre aspectos econômicos, sociais e ambientais, entendendo que a empresa não opera em um sistema paralelo ou distante da realidade social, mas é um ator que pode impactar positiva ou negativamente seu ambiente.

Ao longo dos anos, vimos como diferentes empresas e organizações lideraram esse movimento responsável, comemorando os sucessos alcançados e apontando áreas para melhoria. Iniciativas como o Pacto Global das Nações Unidas foram criadas para assessorar e acompanhar o setor privado comprometido com a sustentabilidade. Na América Central, há vinte anos, nasceram as primeiras organizações dedicadas à promoção da RSC. No Panamá, Sumarse, especificamente, surgiu em 2009 com o objetivo de reunir e mobilizar o setor privado e os atores que trabalham para o desenvolvimento sustentável do país.

A mensagem de todos esses atores tem sido uníssona ao longo do tempo: não podemos continuar operando sob um sistema que deixa de lado as necessidades básicas do ser humano. E, apesar do mundo ter visto como a pobreza foi gradualmente reduzida, outros elementos como mudança climática, a desigualdade, a educação de qualidade ou o trabalho decente ganharam relevância. Hoje, a pandemia põe em xeque o progresso que fizemos em todos os níveis, mas, acima de tudo, aumenta as brechas de um sistema que se esqueceu de colocar as pessoas no centro.

Isso nos confronta com a oportunidade de construir um sistema mais justo, voltado para atender às demandas de nosso tempo, que nos permita, como aponta a McKinsey & Co. em um relatório recente, repensar o contrato social, em que instituições, empresas e organizações estejam de acordo com as expectativas dos cidadãos; redefinir o futuro do trabalho e do consumo, entendendo o impacto da pandemia na criação de empregos e os novos costumes que os consumidores adotarão; e, finalmente, passar da globalização das cadeias de suprimentos para um modelo regional, que permita um melhor gerenciamento dos riscos futuros de produção, logística e transporte.

Nesse cenário, é importante que as empresas e organizações reequilibrem suas prioridades. Modelos de negócios resilientes e socialmente responsáveis ​​não são mais opcionais, mas o único caminho para recuperar a atividade econômica e comercial em nossos países. Hoje, o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 17, Alianças para atingir os objetivos, são mais relevantes do que nunca. Por esse motivo, todos os setores produtivos devem disponibilizar, não apenas seus conhecimentos, mas o compromisso de avançar na construção de sociedades verdadeiramente justas e sustentáveis.

Bruno Basile é diretor executivo da Sumarse – Pacto Global Panamá, a organização que promove a Responsabilidade Social Corporativa (RSC) e os 10 Princípios do Pacto Global no país. Ele é vice-presidente do conselho de administração da Dircom Panamá.

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Entrevista: O papel dos profissionais de Comunicação

31 Julho 2020 |by Fundacom | Comentários fechados em Entrevista: O papel dos profissionais de Comunicação | Conocimiento | ,

Paula Portugal Mendes, Diretora Geral da APCE – Associação Portuguesa de Comunicação de Empresa, explica como o papel dos profissionais de comunicação se afirmou, ainda mais, nos últimos meses que experienciámos de pandemia.

A Diretora Geral da APCE fez um balanço do que têm sido os últimos meses da atividade da APCE, num ano de celebração do 30.º aniversário da associação portuguesa. Esta entrevista acaba por ser um momento de representação e reconhecimento do esforço dos comunicadores durante este período pandémico que, tal como a jornalista Ana Marcela (Jornal Dinheiro Vivo) intitulou “estiveram na linha da frente de combate ao covid-19”.

Paula Portugal Mendes afirmou mesmo que os profissionais de comunicação têm no seu ADN “uma enorme capacidade de reagir rapidamente, de ser criativos e disruptivos, uma dedicação enorme, e que encontram soluções perante enormes adversidades, transformando as crises em verdadeiras oportunidades”.

LINK ENTREVISTA

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Novo paradigma da comunicação interna. De emissores a facilitadores de diálogos

31 Julho 2020 |by Fundacom | Comentários fechados em Novo paradigma da comunicação interna. De emissores a facilitadores de diálogos | Conocimiento | ,

A penetração de smartphones, redes sociais e a importância que eles têm no marketing digital são irreversíveis. Hoje a internet está presente na vida de mais de 70% da população mundial, número que cresce mês a mês e, em alguns países, chega a 95%.

Os usuários diagramam suas rotinas a partir de nossos telefones celulares, usando Google, Facebook, Amazon etc. Alguém imagina sua vida sem o celular? Impossível hoje.

As organizações são compostas por pessoas, que são uma parte fundamental da empresa e, ao mesmo tempo, clientes, os primeiros clientes.

Por esse motivo, podemos afirmar que não pode haver uma comunicação que gere incoerências entre as mensagens endereçadas a equipes internas e clientes, uma vez que tanto a comunicação interna quanto a externa interferem na configuração da opinião pública.

Esta foi, e em algumas empresas continua sendo, o grande problema da CI durante anos. Nós nos comunicamos de maneira diferente para dentro das organizações (colaboradores) e para fora (nossos clientes). Em um lado, éramos formais e distantes e, no outro, informais e próximos.

Mas surgiu uma nova necessidade que procurava ser atendida. Falar para dentro como falamos para fora. Isso gerou mudanças na maneira como nos comunicamos internamente, nos canais que usamos e no papel dos comunicadores nas organizações.

Mudaram os canais e as formas pelas quais as pessoas se conectam. Com o surgimento das redes sociais, o conceito de informação vertical, unilateral e absoluta foi deixado para trás para dar lugar à construção de informações coletivas, horizontais, democráticas e dinâmicas.

Podemos propor o paradigma das redes pré-sociais e o papel do comunicador interno como emissor de comunicações. A ação termina com a comunicação, uma vez realizada, não tivemos retorno e não sabíamos se seu objetivo havia sido entendido ou realizado. Era unidirecional e hierárquica.

No novo paradigma, o papel do comunicador interno passa a ser de um Facilitador de Diálogos. A ação começa com a comunicação. Nesse caso, temos vários emissores em toda a organização, uma comunicação multidirecional e sem hierarquias

Assim, evoluímos das intranets para os modelos de colaboração social interna, que utilizam as ferramentas e as melhores práticas das plataformas sociais pelas quais nos comunicamos com nossos clientes.

Assim, temos novas ferramentas de comunicação interna que são as vedetes das organizações, Workplace, Yammer, Teams, Starmeup, entre outras. Elas nos permitem comunicar, reconhecer, aprender e compartilhar informações com uma visão 360 da organização.

Além disso, essas ferramentas ajudam o RH e os líderes a melhorar a escuta ativa. Eles estreitam as lacunas geográficas com os diferentes membros das organizações. Dessa forma, escutamos e sabemos o feedback de nossos colaboradores internos muito mais rapidamente, seja sobre lançamentos, novidades e reações de nossos clientes/usuários, e isso nos permite aprender e sermos mais rápidos para aproveitar as oportunidades de melhoria.

A partir da comunicação interna, seguimos o caminho de nossos primos de marketing digital. Segmentação e priorização de informação, temos Portabilidade e usabilidade, damos Feedback constante e imediato, usamos o Analytics e dizemos com dados e começamos a investigar e usar o Bots.

Este é apenas o começo de uma nova era para a comunicação interna.

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Negocios y solidaridad en tiempos de pandemia

31 Julho 2020 |by Fundacom | Comentários fechados em Negocios y solidaridad en tiempos de pandemia | Conocimiento | , ,

Durante algunos años, las empresas han sido invitadas a repensar su razón de existir en el mundo. Si en el pasado, la presión por los resultados de los accionistas era una fuente importante de preocupación, hoy en día la relación de la marca con el mundo, las personas y el futuro también está en la lista.

Muchas corporaciones ya han asimilado este movimiento y, por esto, se han vuelto más atractivas para los inversores, especialmente porque dirigen esfuerzos en las áreas de Medio Ambiente, Gobernanza y Responsabilidad Social o ESG (Medio Ambiente, Sociedad y Gobernanza), un término que ha ido ganando más espacio en las reglas comerciales contemporáneas.

Esta evolución corporativa comenzó hace décadas, sin embargo, se estaba moviendo a un ritmo más lento y sin foco antes de este fatídico año de 2020, cuando la pandemia de Covid-19 alentó a miles de empresas a poner en práctica o reforzar iniciativas de Responsabilidad Social. Aunque para muchos la práctica se limitó a acciones específicas, lo más interesante de este movimiento es observar el desempeño de las grandes corporaciones que ya tenían ESG en su cultura y su capacidad para reaccionar ante el escenario de crisis. Prueba de que el negocio y la sostenibilidad van de la mano.

El número 78 de la revista Forbes, publicado en junio, presenta como una historia de portada la lista de las 100 compañías donantes más grandes durante la pandemia, dando un importante protagonismo a las compañías “solidarias” en una publicación autodenominada como la más importante del mundo para los negocios y la economía. Otra señal de nuestros tiempos.

Del 31 de marzo al 14 de julio, se donaron casi seis mil millones de reales. Las compañías financieras encabezan la lista de donantes, con 1.800 millones. Los siguientes son la industria de alimentos y bebidas y la industria minera. Los datos provienen del Monitor de Donaciones Covid-19, una iniciativa de la Asociación Brasileña de Recaudadores de Fondos.

El sector de los actores y los números impresionan. Indican el movimiento de las organizaciones para promover realmente los cambios a través de actos de “solidaridad”, que ayudarán a las instituciones beneficiadas y a las personas, así como a sus propias empresas, en escenarios de mediano y largo plazo. Ellos lo saben bien.

Estas son iniciativas recomendables y necesarias para el momento que estamos viviendo También carecen de un nuevo significado cuando pensamos en el mundo pospandémico, cuando podremos percibir con mayor claridad la legitimidad de las acciones de solidaridad.

Solo hay dos caminos posibles para estas organizaciones. El primero, el del olvido, muy probablemente para aquellas que vieron la crisis como una oportunidad de marketing para “vender pañuelos para limpiar las lágrimas” de una sociedad que necesitaba alternativas para superar el momento.

El segundo, más coherente y con resultados a largo plazo, para empresas que tienen la sostenibilidad como estrategia en la planificación de actividades y en las relaciones con toda la cadena de valor. Aquellos, aparentemente, más decididos a evitar las lágrimas antes de vender los pañuelos. Incluso porque es de esta estrategia que vendrá su supervivencia.

La solidaridad se puede definir como el apoyo para satisfacer las necesidades materiales o emocionales de alguien. Es natural que en una pandemia, las personas sean más sensibles y propensas a ellas, ya que es parte del instinto de la vida humana. Para las organizaciones, no es diferente, y la razón para ser solidarios también implica estar vivo y en el juego, en crisis y especialmente fuera de ella.

Las causas sociales deben ser parte de la estrategia, así como la gobernanza y la estrategia medioambiental. Determinar estos indicadores y actuar para hacerlos realidad, especialmente en situaciones normales, es esencial para tener bases sólidas, reaccionar o incluso seguir existiendo en un planeta y en una sociedad saturada con el modelo donde las ganancias son mayores solo para una parte.

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