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Das Fake news à Infomedia

31 Julho 2020 |by Fundacom | Comentários fechados em Das Fake news à Infomedia | Conocimiento | , ,

Antes das mídias digitais, a comunicação saía dos meios tradicionais para as pessoas e de lá eram levadas para mesas de discussão, refeições ou conversas com amigos. Atualmente, a informação chega diretamente a cada pessoa, seja por causa do que consome regularmente ou porque as pessoas próximas a ela a publicam. Esses conteúdos vão do privado ao público e retornam, do público ao privado.

As notícias falsas ou fake news podem ser descritas como um conteúdo de qualquer tipo que tente deliberadamente posicionar, em um vácuo de informações, uma história imprecisa ou falsa. Com a chegada das mídias digitais, a velocidade e o tempo diminuíram e não há uma barreira real contra a viralização das mesmas.

1. As notícias falsas são prejudiciais?

A notícia em si não é boa ou ruim, o que conta é a intenção por trás de sua divulgação, de forma que as notícias falsas possam afetar nossa economia, investimentos e o valor de nossos negócios.

Além da intenção, sendo seres sociais, agrupando-nos por interesses e comportamentos nas comunidades – atualmente mais digitais –, tendemos a polarizar nossas crenças e a defender versões mais extremas do que antes de pertencer a essas comunidades.

O meio também é importante: mídias digitais privadas, como grupos do WhatsApp ou do Facebook, tendo como membros familiares, amigos ou conhecidos próximos com quem se compartilha não apenas uma visão conjunta mas um vínculo emocional, fazem com que não se verifique o conteúdo ou fonte.

2.Gradação nas notícias falsas

Raramente uma notícia é 100% falsa, existe uma gradação na manipulação do conteúdo para posicioná-la, aproveitando o fato de que existem lacunas de informação.

3.Infodemia

A chegada da pandemia em todo o mundo, o confinamento de grandes populações, a preocupação com a saúde e a economia trouxeram consigo uma avalanche sem precedentes de informações em todo o mundo. Essa quantidade de informações relacionadas ao tema em particular é chamada de infodemia.

Essa multiplicidade de informações, também com gradações, junta-se à existente sob o guarda-chuva de notícias falsas, o que dificulta que as pessoas possam selecionar o conteúdo de fontes confiáveis ​​e fidedignas.

Na imagem a seguir, explicamos a maneira como se pode classificar o tipo de conteúdo e os públicos que geram as opiniões.

Os conteúdos podem ser classificados por nível de especulação e impacto:

  1. Dados concretos que causam alto impacto emocional nas pessoas; geram estresse, induzem ao estado de alerta e levam as pessoas a agir.
  2. Informações não confirmadas que causam alto impacto emocional, provocam paranoia nos públicos digitais e levam as pessoas a agir.
  3. Dados concretos que causam impacto emocional moderado ou baixo nas audiências digitais e as mantêm informadas.
  4. Informação não confirmada que causa impacto emocional moderado ou baixo nas audiências digitais e que as mantêm interessadas.

E os quatro grandes públicos que promovem esse tipo de conteúdo podem ser classificados em:

  1. Iluminados, aqueles que inventam teorias nas quais pensam em uma nova ordem.
  2. Conspiradores, que criam teorias baseadas em seus preconceitos e medos.
  3. Técnicos que são pragmáticos e que procuram prever o futuro.
  4. Cientistas, que se baseiam em números para definir e criar o futuro.

4. O que teríamos que implementar para reduzir as notícias falsas e a infodemia

Assim como os países estão lutando para impedir a propagação do vírus, também temos que lutar contra a informação falsa. Infelizmente, não existe cura como seria uma vacina, então você deve agir em diferentes frentes:

  1. Consumidores

Como tudo, é uma questão de educação. É necessário educar os consumidores de conteúdo a suspeitarem de letras maiúsculas, dos URLs que se assemelham aos sites que costumam consumir, a verificar se outras fontes confiáveis ​​trazem as notícias, a fazer uma busca reversa das imagens e vídeos que trazem o conteúdo e analisar o “sobre” ou “about” do site.

  1. Plataformas de dispersão

Embora algumas plataformas como o Twitter, o Facebook e o YouTube estejam implementando novas maneiras de localizar e bloquear notícias falsas ou manipuladas graças à inteligência artificial, enquanto seu modelo de negócios continuar sendo o de publicidade, será muito difícil obter progressos significativos, porque o dinheiro do anunciante continuará a prevalecer sobre a qualidade do conteúdo.

Uma das soluções prováveis ​​seria alterar o modelo de publicidade para assinatura. O usuário teria que pagar pelo conteúdo. Além disso, seria necessário modificar os algoritmos que tendem a polarizar os usuários, apresentando apenas conteúdos que se assemelham ao grupo de pessoas com quem está relacionado ou às páginas dão like, porque isso distorce ainda mais a informação que recebe e não permite a criação de outros julgamentos de valor.

  1. Governos e autoridades

Não é a totalidade, mas vários governantes participam na dispersão de meias notícias, conspirações ou até notícias falsas, a fim de desviar a atenção das questões ou antecipar uma resposta negativa à crise. Especialmente aqueles governos com conotações populistas.

Nesse sentido, o trabalho deve ser mundial, para incentivar penalidades estritas pela disseminação deliberada de conteúdo falso, bem como para fortalecer leis que promovam a responsabilidade online.

Da mesma forma, recorrer a entidades autônomas que possam ser fontes confiáveis ​​de verificação dos fatos.

  1. Tecnologia

O avanço da ciência de dados permitiu a criação de algoritmos que podem não apenas identificar notícias falsas, mas prever com eficiência a criação e a disseminação de conteúdo. A antecipação é alcançada através da compreensão dos padrões de comportamento dos públicos de interesse na mídia digital quando o conteúdo viaja do privado para o público e, para entender o impacto, é necessário analisar os padrões das reações desses públicos.

Em tudo isso, o problema fundamental é quem decide ou poderia decidir se algo é verdadeiro ou falso. A resposta está longe de ser resolvida.

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Resiliência e sustentabilidade pandêmicas

31 Julho 2020 |by Fundacom | Comentários fechados em Resiliência e sustentabilidade pandêmicas | Conocimiento |

Se há algo que se tornou claro para nós nos últimos meses é que a pandemia nos levou a repensar não apenas o modelo da sociedade em que vivemos, mas a maneira como nossa economia é construída local e globalmente. Desde a sua criação, a globalização tem sido alvo de críticas e elogios; no entanto, a COVID-19 deu maior destaque para as deficiências de um sistema que assumimos como o único modelo de desenvolvimento em grande parte do mundo.

A Responsabilidade Social Corporativa (RSC) nasceu como uma ferramenta para encontrar um equilíbrio entre aspectos econômicos, sociais e ambientais, entendendo que a empresa não opera em um sistema paralelo ou distante da realidade social, mas é um ator que pode impactar positiva ou negativamente seu ambiente.

Ao longo dos anos, vimos como diferentes empresas e organizações lideraram esse movimento responsável, comemorando os sucessos alcançados e apontando áreas para melhoria. Iniciativas como o Pacto Global das Nações Unidas foram criadas para assessorar e acompanhar o setor privado comprometido com a sustentabilidade. Na América Central, há vinte anos, nasceram as primeiras organizações dedicadas à promoção da RSC. No Panamá, Sumarse, especificamente, surgiu em 2009 com o objetivo de reunir e mobilizar o setor privado e os atores que trabalham para o desenvolvimento sustentável do país.

A mensagem de todos esses atores tem sido uníssona ao longo do tempo: não podemos continuar operando sob um sistema que deixa de lado as necessidades básicas do ser humano. E, apesar do mundo ter visto como a pobreza foi gradualmente reduzida, outros elementos como mudança climática, a desigualdade, a educação de qualidade ou o trabalho decente ganharam relevância. Hoje, a pandemia põe em xeque o progresso que fizemos em todos os níveis, mas, acima de tudo, aumenta as brechas de um sistema que se esqueceu de colocar as pessoas no centro.

Isso nos confronta com a oportunidade de construir um sistema mais justo, voltado para atender às demandas de nosso tempo, que nos permita, como aponta a McKinsey & Co. em um relatório recente, repensar o contrato social, em que instituições, empresas e organizações estejam de acordo com as expectativas dos cidadãos; redefinir o futuro do trabalho e do consumo, entendendo o impacto da pandemia na criação de empregos e os novos costumes que os consumidores adotarão; e, finalmente, passar da globalização das cadeias de suprimentos para um modelo regional, que permita um melhor gerenciamento dos riscos futuros de produção, logística e transporte.

Nesse cenário, é importante que as empresas e organizações reequilibrem suas prioridades. Modelos de negócios resilientes e socialmente responsáveis ​​não são mais opcionais, mas o único caminho para recuperar a atividade econômica e comercial em nossos países. Hoje, o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 17, Alianças para atingir os objetivos, são mais relevantes do que nunca. Por esse motivo, todos os setores produtivos devem disponibilizar, não apenas seus conhecimentos, mas o compromisso de avançar na construção de sociedades verdadeiramente justas e sustentáveis.

Bruno Basile é diretor executivo da Sumarse – Pacto Global Panamá, a organização que promove a Responsabilidade Social Corporativa (RSC) e os 10 Princípios do Pacto Global no país. Ele é vice-presidente do conselho de administração da Dircom Panamá.

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Novo paradigma da comunicação interna. De emissores a facilitadores de diálogos

31 Julho 2020 |by Fundacom | Comentários fechados em Novo paradigma da comunicação interna. De emissores a facilitadores de diálogos | Conocimiento | ,

A penetração de smartphones, redes sociais e a importância que eles têm no marketing digital são irreversíveis. Hoje a internet está presente na vida de mais de 70% da população mundial, número que cresce mês a mês e, em alguns países, chega a 95%.

Os usuários diagramam suas rotinas a partir de nossos telefones celulares, usando Google, Facebook, Amazon etc. Alguém imagina sua vida sem o celular? Impossível hoje.

As organizações são compostas por pessoas, que são uma parte fundamental da empresa e, ao mesmo tempo, clientes, os primeiros clientes.

Por esse motivo, podemos afirmar que não pode haver uma comunicação que gere incoerências entre as mensagens endereçadas a equipes internas e clientes, uma vez que tanto a comunicação interna quanto a externa interferem na configuração da opinião pública.

Esta foi, e em algumas empresas continua sendo, o grande problema da CI durante anos. Nós nos comunicamos de maneira diferente para dentro das organizações (colaboradores) e para fora (nossos clientes). Em um lado, éramos formais e distantes e, no outro, informais e próximos.

Mas surgiu uma nova necessidade que procurava ser atendida. Falar para dentro como falamos para fora. Isso gerou mudanças na maneira como nos comunicamos internamente, nos canais que usamos e no papel dos comunicadores nas organizações.

Mudaram os canais e as formas pelas quais as pessoas se conectam. Com o surgimento das redes sociais, o conceito de informação vertical, unilateral e absoluta foi deixado para trás para dar lugar à construção de informações coletivas, horizontais, democráticas e dinâmicas.

Podemos propor o paradigma das redes pré-sociais e o papel do comunicador interno como emissor de comunicações. A ação termina com a comunicação, uma vez realizada, não tivemos retorno e não sabíamos se seu objetivo havia sido entendido ou realizado. Era unidirecional e hierárquica.

No novo paradigma, o papel do comunicador interno passa a ser de um Facilitador de Diálogos. A ação começa com a comunicação. Nesse caso, temos vários emissores em toda a organização, uma comunicação multidirecional e sem hierarquias

Assim, evoluímos das intranets para os modelos de colaboração social interna, que utilizam as ferramentas e as melhores práticas das plataformas sociais pelas quais nos comunicamos com nossos clientes.

Assim, temos novas ferramentas de comunicação interna que são as vedetes das organizações, Workplace, Yammer, Teams, Starmeup, entre outras. Elas nos permitem comunicar, reconhecer, aprender e compartilhar informações com uma visão 360 da organização.

Além disso, essas ferramentas ajudam o RH e os líderes a melhorar a escuta ativa. Eles estreitam as lacunas geográficas com os diferentes membros das organizações. Dessa forma, escutamos e sabemos o feedback de nossos colaboradores internos muito mais rapidamente, seja sobre lançamentos, novidades e reações de nossos clientes/usuários, e isso nos permite aprender e sermos mais rápidos para aproveitar as oportunidades de melhoria.

A partir da comunicação interna, seguimos o caminho de nossos primos de marketing digital. Segmentação e priorização de informação, temos Portabilidade e usabilidade, damos Feedback constante e imediato, usamos o Analytics e dizemos com dados e começamos a investigar e usar o Bots.

Este é apenas o começo de uma nova era para a comunicação interna.

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Negocios y solidaridad en tiempos de pandemia

31 Julho 2020 |by Fundacom | Comentários fechados em Negocios y solidaridad en tiempos de pandemia | Conocimiento | , ,

Durante algunos años, las empresas han sido invitadas a repensar su razón de existir en el mundo. Si en el pasado, la presión por los resultados de los accionistas era una fuente importante de preocupación, hoy en día la relación de la marca con el mundo, las personas y el futuro también está en la lista.

Muchas corporaciones ya han asimilado este movimiento y, por esto, se han vuelto más atractivas para los inversores, especialmente porque dirigen esfuerzos en las áreas de Medio Ambiente, Gobernanza y Responsabilidad Social o ESG (Medio Ambiente, Sociedad y Gobernanza), un término que ha ido ganando más espacio en las reglas comerciales contemporáneas.

Esta evolución corporativa comenzó hace décadas, sin embargo, se estaba moviendo a un ritmo más lento y sin foco antes de este fatídico año de 2020, cuando la pandemia de Covid-19 alentó a miles de empresas a poner en práctica o reforzar iniciativas de Responsabilidad Social. Aunque para muchos la práctica se limitó a acciones específicas, lo más interesante de este movimiento es observar el desempeño de las grandes corporaciones que ya tenían ESG en su cultura y su capacidad para reaccionar ante el escenario de crisis. Prueba de que el negocio y la sostenibilidad van de la mano.

El número 78 de la revista Forbes, publicado en junio, presenta como una historia de portada la lista de las 100 compañías donantes más grandes durante la pandemia, dando un importante protagonismo a las compañías “solidarias” en una publicación autodenominada como la más importante del mundo para los negocios y la economía. Otra señal de nuestros tiempos.

Del 31 de marzo al 14 de julio, se donaron casi seis mil millones de reales. Las compañías financieras encabezan la lista de donantes, con 1.800 millones. Los siguientes son la industria de alimentos y bebidas y la industria minera. Los datos provienen del Monitor de Donaciones Covid-19, una iniciativa de la Asociación Brasileña de Recaudadores de Fondos.

El sector de los actores y los números impresionan. Indican el movimiento de las organizaciones para promover realmente los cambios a través de actos de “solidaridad”, que ayudarán a las instituciones beneficiadas y a las personas, así como a sus propias empresas, en escenarios de mediano y largo plazo. Ellos lo saben bien.

Estas son iniciativas recomendables y necesarias para el momento que estamos viviendo También carecen de un nuevo significado cuando pensamos en el mundo pospandémico, cuando podremos percibir con mayor claridad la legitimidad de las acciones de solidaridad.

Solo hay dos caminos posibles para estas organizaciones. El primero, el del olvido, muy probablemente para aquellas que vieron la crisis como una oportunidad de marketing para “vender pañuelos para limpiar las lágrimas” de una sociedad que necesitaba alternativas para superar el momento.

El segundo, más coherente y con resultados a largo plazo, para empresas que tienen la sostenibilidad como estrategia en la planificación de actividades y en las relaciones con toda la cadena de valor. Aquellos, aparentemente, más decididos a evitar las lágrimas antes de vender los pañuelos. Incluso porque es de esta estrategia que vendrá su supervivencia.

La solidaridad se puede definir como el apoyo para satisfacer las necesidades materiales o emocionales de alguien. Es natural que en una pandemia, las personas sean más sensibles y propensas a ellas, ya que es parte del instinto de la vida humana. Para las organizaciones, no es diferente, y la razón para ser solidarios también implica estar vivo y en el juego, en crisis y especialmente fuera de ella.

Las causas sociales deben ser parte de la estrategia, así como la gobernanza y la estrategia medioambiental. Determinar estos indicadores y actuar para hacerlos realidad, especialmente en situaciones normales, es esencial para tener bases sólidas, reaccionar o incluso seguir existiendo en un planeta y en una sociedad saturada con el modelo donde las ganancias son mayores solo para una parte.

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Entrevista: O papel dos profissionais de Comunicação

31 Julho 2020 |by Fundacom | Comentários fechados em Entrevista: O papel dos profissionais de Comunicação | Conocimiento | ,

Paula Portugal Mendes, Diretora Geral da APCE – Associação Portuguesa de Comunicação de Empresa, explica como o papel dos profissionais de comunicação se afirmou, ainda mais, nos últimos meses que experienciámos de pandemia.

A Diretora Geral da APCE fez um balanço do que têm sido os últimos meses da atividade da APCE, num ano de celebração do 30.º aniversário da associação portuguesa. Esta entrevista acaba por ser um momento de representação e reconhecimento do esforço dos comunicadores durante este período pandémico que, tal como a jornalista Ana Marcela (Jornal Dinheiro Vivo) intitulou “estiveram na linha da frente de combate ao covid-19”.

Paula Portugal Mendes afirmou mesmo que os profissionais de comunicação têm no seu ADN “uma enorme capacidade de reagir rapidamente, de ser criativos e disruptivos, uma dedicação enorme, e que encontram soluções perante enormes adversidades, transformando as crises em verdadeiras oportunidades”.

LINK ENTREVISTA

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Diante de incertezas, gerar certezas, construir reputação

31 Julho 2020 |by Fundacom | Comentários fechados em Diante de incertezas, gerar certezas, construir reputação | Conocimiento | ,

A crise causada pela pandemia de coronavírus e a disseminação da COVID-19 motivou e está gerando um repensar das prioridades em todos os níveis, desde o nível mais individual, para cada um de nós, até o ambiente mais coletivo, como sociedade em seu conjunto. Nestes dias sombrios e ainda complicados, tem se tornado habitual perguntar se vamos sair melhor desta crise. Mas a resposta não tem muito a ver com uma previsão sobre o futuro, mas sim com uma reflexão sobre o presente. Estamos dispostos a fazer isso?

Porque muitas vezes também ouvimos dizer que as crises podem se tornar oportunidades. E uma que se estende a áreas como saúde, economia e social, que afeta em nível nacional, mas também internacional, é a ocasião para comprová-lo. O que está claro no momento é que, em tempos de incerteza, como os que tivemos nos últimos meses, a sociedade exige confiança, referências de solidez e garantias de certeza. E todos eles – confiança, solidez e certeza – são conceitos intimamente relacionados a todo o espectro no qual se inclui a ideia mais ampla de reputação.

Sem dúvida, a reputação é um dos ativos mais valiosos em qualquer momento para qualquer organização, mas se torna ainda mais relevante em um mundo cada vez mais interconectado, no qual compartilhar uma opinião ou espalhar uma ideia se tornou um ato tão simples quanto pressionar um botão – “a um click” – e que assume maior significado em um ambiente de incerteza e, de certa forma, instabilidade, no qual as pessoas buscam referências de credibilidade e confiança. Por isso, valorizam com maior intensidade e avaliam com mais interesse a reputação de uma organização, empresa ou setor.

Deve-se levar em consideração que o conceito de reputação tem múltiplas abordagens, desde como um ativo intangível das empresas até a sua comparação com a imagem da marca. O ponto em comum para o qual todas essas perspectivas convergem é entender a reputação como uma opinião, ou seja, uma ideia na mente dos outros. Portanto, trabalhar a reputação para tentar redirecioná-la, enfatizá-la ou melhorá-la, implica influenciar as pessoas para que modifiquem esse julgamento de valor.

Mas a reputação não é uma percepção ocasional, mas a soma de percepções ao longo do tempo sobre o que uma organização é (seu papel na sociedade), o que faz (o produto ou serviço que oferece) e o que diz (sua comunicação), colocada em relação aos valores sociais. No fundo, a reputação é uma questão multidimensional e de longo prazo; portanto, manter e melhorar a reputação requer um plano sólido para adquirir a força necessária.

Isso exige a definição de uma estratégia racional, baseada nos valores que governam a empresa e no valor que uma organização aporta à sociedade, que leve em consideração de forma clara os pontos fortes em que se sustenta e os riscos que deve enfrentar, e na qual se aponte com transparência e realismo as ações que devem ser tomadas para que sua projeção pública se alinhe com seu planejamento estratégico. Da mesma forma, isso também requer uma implementação coerente, consistente e coordenada, levando em consideração as capacidades da organização, as circunstâncias em que ela opera e as expectativas que a circundam.

Por esse motivo, qualquer estratégia de reputação deve ser também uma ferramenta dinâmica, capaz de se adaptar às circunstâncias e ambientes mutáveis. E isso implica não apenas enfrentar os problemas pontuais de reputação, mas também as mudanças generalizadas de percepção do público ou crises de amplo espectro como a que estamos passando. Empresas e setores devem se perguntar qual papel desejam desempenhar em um momento que se imagina como o de uma reconstrução em todos os níveis, nos quais se pretende estabelecer novos pilares para o progresso econômico e social, em grande parte relacionados ao bem-estar, segurança, sustentabilidade ou digitalização.

É necessário trabalhar em termos de reputação e alinhar todas as dimensões do ser, fazer e dizer de uma empresa ou setor, para otimizar sua projeção em relação à sociedade pelo valor que ela representa, contribui ou gera. Algumas dessas empresas ou setores podem ter maiores dificuldades de origem, devido aos ambientes em que operam ou aos ativos que produzem, mas, de qualquer maneira, é possível atuar para melhorar a coesão interna, com narrativas uniformes e unificadas, aumentar a clareza na comunicação, com maior trabalho pedagógico, e enfatizar a capilaridade nessa tarefa, buscando atingir todo o público por meio de ações inovadoras. Trabalhar na reputação requer, com certeza, abordar uma estratégia integrada que envolva os principais atores, determine linhas de ação comuns e seja coordenada com o plano de negócios de qualquer empresa ou com as prioridades futuras de qualquer setor.

É hora de considerar essas prioridades e trabalhar essas estratégias, não como uma melhoria adicional, mas como uma necessidade básica. Porque se, como mencionado anteriormente, as crises podem se tornar oportunidades, momentos de incerteza demandam assegurar, manter e gerar um valor central como é o da reputação.

Edelmira Barreira, Directora de Consultoría en Thinking Heads

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CALAR NEWTON. Comunicação em ambientes complexos

31 Julho 2020 |by Fundacom | Comentários fechados em CALAR NEWTON. Comunicação em ambientes complexos | Conocimiento

Em 1687, Isaac Newton publicou seus Princípios Matemáticos da filosofia natural, o trabalho que reúne suas descobertas em mecânica e cálculo; entre elas, as famosas leis do movimento ou a lei da gravitação universal. É, para muitos, o trabalho científico mais importante da história.

O mais relevante no trabalho de Newton, no entanto, não é a qualidade científica de suas leis; Newton conseguiu mudar a forma de pensar da humanidade, a maneira como refletimos sobre o mundo e explicamos a sociedade ao nosso redor.

Podemos definir esse modo de pensar como “mecânico”, parafraseando os termos do gênio inglês. Essa aproximação implica que a realidade possa ser compreendida se analisarmos os elementos que a constituem e estabelecermos as leis que explicam como elas estão relacionadas. Dois corpos são sempre atraídos mutuamente por uma força gravitacional. Se conhecermos a massa dos corpos e a magnitude da força, podemos prever o resultado dessa atração, que sempre será a mesma. Você apenas tem que aplicar as leis.

Não é necessário dizer que essa abordagem é tremendamente útil e nos levou a uma evolução sem paralelo na história da humanidade. Tanto é assim que tendemos a pensar que todos os sistemas, todas as dinâmicas, inclusive sociais e organizacionais, também devem obedecer a uma série de leis pré-estabelecidas. Basta isolar e estudar seus componentes, suas relações e seus efeitos, prever ou explicar seu comportamento e resultados.

Um bom exemplo disso, já no campo da comunicação, é o estudo da reputação. Formulamos modelos e metodologias que dividem uma construção puramente dinâmica em elementos mecânicos e “mensuráveis”, como resultados financeiros, contribuição social ou transparência. Tentamos medir cada um desses elementos e estabelecer uma métrica definitiva que visa pesar a reputação dessa organização. Se conhecermos a magnitude dessas variáveis, de acordo com nossas leis/metodologias, poderemos conhecer e colocar em valores o construto superior, a reputação de uma organização.

O problema é que, em um mundo dinâmico e em constante mudança, a realidade social e da comunicação é configurada como um conjunto de sistemas complexos que não podem ser entendidos ou explicados pelas leis de Newton. O funcionamento, a evolução e as dinâmicas desses sistemas obedecem a um número interminável de elementos inter-relacionados, fatores e atores interagindo de várias maneiras, estabelecendo sinergias, contextos e diferentes histórias que se retroalimentam continuamente, configurando uma realidade que vai além da soma individual de cada uma de suas partes. Em outras palavras, em um sistema complexo, um mais um é muito mais que dois.

Reputação refere-se a um sistema complexo. Como tal, é explicada em relação a outros sistemas, como as expectativas dos diferentes públicos-alvo, a marca e a cultura de uma determinada organização, por exemplo, que por sua vez estão integradas ao complexo sistema de comunicação em um contexto sócio-político determinado. Cada um desses sistemas é mais do que a soma de suas partes: seus fatores atuam formando sinergias entre si, gerando padrões de relações complexas que evoluem de acordo com as dinâmicas voláteis em diferentes contextos.

É paradoxal aceitarmos que o ambiente seja imprevisível e, ao mesmo tempo, nos esforçamos para reduzir a operação de algo tão complexo quanto a comunicação a uma série de metodologias ou ferramentas mais ou menos estáticas. Os profissionais de comunicação caíram em duas armadilhas relacionadas entre si: a necessidade premente de justificar o valor do nosso trabalho, por um lado; e a concepção de realidade, sociedade e, portanto, de nossas organizações como sistemas mecânicos “newtonianos” que obedecem a uma série de leis imutáveis, mesmo reconhecendo uma complexidade sem precedentes à nossa volta.

Devemos integrar essa visão complexa e abraçar a incerteza. Assumir que nossa disciplina – assim como nossas organizações – não obedecer a leis científicas não significa abaixar a guarda e deixar o futuro nas mãos do caos. Não vamos nos conformar. Incerto não significa aleatório ou caótico. Devemos, ao contrário, melhorar o modelo, expandir o marco.

Expandir o marco implica, por exemplo, colocar em dúvida a lógica mecânica do ROI, o Santo Graal da comunicação moderna. Não podemos continuar obcecados em reduzir as ações de comunicação a uma série de cifras que não explicam nenhuma realidade ou resultado. São números vazios feitos para relatórios, que podem dar uma sensação de ordem e controle, de “rastreabilidade”, mas fornecem poucas informações e ainda menos conclusões.

Vamos assumir que, além desse retorno, existe um sistema de forças interconectadas, de fatores e inter-relações que não podem ser reduzidas a números e que devem ser analisadas, explicadas e apreendidas a partir da comunicação.

É hora de reconhecer que todos os elementos que cercam nossa atividade, desde as mensagens e os porta-vozes, a organização em que estão integrados ou a sociedade em que se comunicam, são sistemas complexos. Um primeiro passo será refinar e expandir o modelo, incorporando na análise, planejamento e avaliação todos os fatores, padrões e relacionamentos que configuram a realidade na qual tentamos influenciar. Talvez, nesse processo, possamos descobrir novos nichos, novos elementos em que uma disciplina tão complexa quanto a comunicação possa agregar valor.

Fernando Carruesco. Fundador de Talento para el Futuro. Miembro del TOP 100 Conferenciantes editado por Thinking Heads

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#SomosVoz, uma campanha de todas as agências de RP da Argentina que fala à sociedade

31 Julho 2020 |by Fundacom | Comentários fechados em #SomosVoz, uma campanha de todas as agências de RP da Argentina que fala à sociedade | Conocimiento | ,

É um cenário de incerteza, profissionais de comunicação e relações públicas assumem um papel estratégico, assessorando e acompanhando empresas, marcas e pessoas na construção de mensagens claras que lhes permitam navegar no presente e construir o futuro.

Por isso, sob a premissa “Comunicação sobre”, o Conselho Profissional de Relações Públicas, por meio de sua Comissão de Consultoria, apresentou o #SomosVoz, uma campanha integrada que busca dar visibilidade à importância da comunicação para gerar relacionamentos e fortalecer vínculos.

A ação enfatiza o papel essencial que a comunicação e seus profissionais cumprem, quebrando distâncias por meio da palavra, durante esses mais de 100 dias de quarentena.

Esta é a realidade que vivemos hoje: o distanciamento social adia qualquer expressão física, mas ao mesmo tempo aumenta nossos sentimentos. Nesse cenário, é essencial permanecermos conectados por meio da palavra.

Esta campanha é um marco na história do Conselho, porque é a primeira vez que todas as agências integrantes da Comissão de Consultoria participam de uma atividade conjunta que busca fornecer conhecimento e apoio à sociedade através da comunicação, em um momento tão delicado quanto este.

Sabemos que os comunicadores profissionais são um elo fundamental entre as organizações e seu ambiente. Como pontes para aproximar extremos através da transparência, honestidade, clareza e proximidade, buscamos gerar empatia e compreensão, fornecer contenção, eficiência e aconselhamento profissional com um olhar assertivo, entendendo o contexto geral.

O principal desafio da Comissão de Consultoria é revalorizar a profissão, gerando reconhecimento e legitimidade sobre a importância da gestão de RP nas organizações. Assim, em conjunto e apoiado pelo Conselho em sua totalidade, decidiu-se realizar esta campanha que não apenas valoriza o exercício diário da atividade, mas também a importância da voz e da proximidade das pessoas na hora de estreitar vínculos e criar relacionamentos duradouros.

#SomosVoz é uma campanha integrada, que apresenta vários formatos e peças de comunicação, como: spot audiovisual, conteúdo para amplificação nas redes sociais, press kits, peças animadas com dados de associados e filtros para Instagram. A criatividade esteve sob responsabilidade da agência Thet.

Não há dúvida de que o isolamento social nos afeta: procuramos substituir essa falta de abraços por palavras. O poder das palavras pode transformar e dar um abraço com uma boa mensagem.

A Campanha #SomosVoz teve uma grande repercussão em todas as mídias nacionais do país e uma grande viralização digital em todas as redes sociais, e finalmente conseguiu colocar na agenda midiática a relevância da comunicação e seu papel essencial neste contexto de pandemia mundial.

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Marcas, o novo desafio de comunicação que enfrentam

17 Junho 2020 |by Fundacom | Comentários fechados em Marcas, o novo desafio de comunicação que enfrentam | Conocimiento |

Nos últimos anos, o conceito de Transformação Digital, entendido como o processo de integração de novas tecnologias em todas as áreas de uma empresa para que ela seja mais eficiente e competitiva, tem sido uma tendência e um tema recorrente, embora muito menos que se imagina tenha sido efetivamente implementado.

Testemunhamos essa dura realidade no momento em que a pandemia da COVID-19 nos condicionou completamente, tanto em nosso entorno quanto em nossos hábitos de comportamento e consumo. Nessa situação, vimos como poucas empresas tinham implementado a transformação digital.

Se a Transformação Digital era para muitos uma opção, agora ela se tornou uma obrigação. Não existe mais a Transformação Digital, há a Adaptação Digital que, embora pareça a mesma coisa, não é. Na transformação, as ações são proativas e visam otimizar processos e serem mais competitivas, enquanto na adaptação as ações são reativas, para não ficarem desatualizadas e fora do mercado.

Na comunicação é onde vemos um dos exemplos mais palpáveis ​​do significado da Adaptação Digital. Zoom, Skype, Jitsi, Streamyard, como tantas outras plataformpandemia. Não é, portanto, uma questão de tecnologia, mas de Mindset, ou seja, uma mentalidade com um DNA real na Transformação Digital.

Agora não apenas usamos essas ferramentas no ambiente empresarial, mas elas também se tornaram ferramentas de uso maciço da população para estar em contato com suas famílias.

Qual é o desafio atual enfrentado pelas marcas na Comunicação?

Uma das múltiplas consequências da COVID-19 é a paralização da atividade comercial, total ou parcial, de vários setores. Essa situação levou a uma paralisia da comunicação com todos seus stakeholders (clientes, fornecedores, funcionários, contatos). Se existe algo mais negativo depois de não poder realizar a atividade comercial, é precisamente o NÃO se comunicar.

Hoje, mais do que nunca, as marcas precisam verificar e conhecer muito bem seu Customer Journey Map específico, ou seja, o processo de compra que os clientes ou potenciais clientes usam para adquirir os produtos ou serviços das diferentes marcas. O processo variou significativamente, com a mídia digital ganhando ainda mais terreno. As marcas devem estar presentes em cada uma das fases de sua respectiva Customer Journey (Awareness, Consideration, Purchase, Loyalty, Advocacy) de uma maneira eficiente e adaptando seu conteúdo e formato de acordo com a fase e os meios de interação, oferecendo o mínimo de atrito aos usuários para que obtenham a melhor experiência possível.

O conteúdo de valor se torna ainda mais relevante

Estratégias de Marketing que se tornaram populares nos últimos anos, como o inbound Marketing, que tem como finalidade atrair e seduzir nosso público-alvo/Buyer persona, têm como principal ferramenta para atingir esse objetivo criar e distribuir conteúdo de qualidade. Entendemos como conteúdo de qualidade aquilo que é realmente de interesse e utilidade para a comunidade para a qual é direcionado. De fato, as marcas tendem a falar muito na primeira pessoa nas redes sociais (características de seus produtos, escritórios, presença em feiras), mesmo que isso seja um erro.

Hoje, no chamado “novo normal”, as marcas não apenas precisam fazer mais para gerar conteúdo útil, mas o formato também precisa ser de qualidade.

Um dos formatos mais utilizados são as lives (streamings), sejam elas videoconferências ou seminários on-line. Isso ocorre porque é o formato que mais se assemelha aos presenciais, permitindo que o usuário interaja com sua audiência em tempo real, mesmo que seja através de um monitor. É aqui que as marcas precisam de um período de adaptação para oferecer um formato profissional e não amador. Atualmente, vemos grandes marcas com erros de áudio, imagem, enquadramento e conectividade etc. Erros próprios e permitidos na esfera doméstica, mas não na esfera profissional, pois condicionam diretamente o conteúdo que está sendo oferecido.

Esse formato ao vivo deve ser semelhante à realização de um programa de TV ou aos vídeos de youtubers reconhecidos. Áudios impecáveis, riqueza nos enquadramentos e meios de interagir com seu público.

Dito isso, oferecer algo de qualidade em conteúdo e formato não será suficiente para as marcas impactarem seus públicos com densidade e recorrência suficientes. Elas terão que confiar nos criadores de conteúdo que, compartilhando sua expertise ou experiências nas redes sociais, foram capazes de gerar um público fiel. Esses criadores de conteúdo têm a capacidade de influenciar na tomada de decisão de seu público, e sim, estou me referindo aos Influencers, MicroInfluencers e NanoInfluencers. Marcas pessoais que oferecem conteúdo de qualidade há muito tempo, por isso também são chamadas de “criadores de conteúdo”.

Durante estes últimos anos de minha carreira profissional, tenho desenvolvido ações com os MicroInfluencers, contando com até 10.000 MicroInfluencers simultaneamente em algumas delas e para uma marca específica. Posso afirmar que sua capacidade de influenciar é altíssima e que é o complemento perfeito para o bom conteúdo que as marcas devem criar.

Muitos dos paradigmas que nos guiavam deixaram de existir, mas há uma máxima que é agora mais valiosa do que nunca:

“Não é o mais forte ou o mais inteligente que sobrevive, mas o que se adapta melhor à mudança”.

Charles Darwing, (“A Origem das Espécies”, 1859)

 

Orador Thinking Heads. Top 100. 

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A resposta está em sua mente

17 Junho 2020 |by Fundacom | Comentários fechados em A resposta está em sua mente | Conocimiento |

Eu sou uma fiel defensora da Felicidade. Acredito que ser feliz dá sentido à nossa vida. Descobri que cada um de nós é o arquiteto de sua própria felicidade e que todos os momentos que descrevemos como felizes em nossas vidas têm um componente em comum: uma sensação de presente, de harmonia e de bem-estar.

O cérebro é, sem dúvida, o grande aliado para alcançar a felicidade. Por isso, é fundamental entender como ele funciona. É um órgão social e emocional, e é o responsável pela nossa felicidade. Conhecer que papel tem o cérebro em nossa vida é importantíssimo para possamos nos conhecer, nos entender e sermos mais felizes. Uma mente ruidosa é uma mente infeliz.

Suponho que, nesses últimos tempos que se fala tanto da felicidade e, além disso, em um momento como o que estamos vivendo, alguns sintam que podemos estar diante de mais uma moda passageira, cujos efeitos evaporam, do que diante de um estado com benefícios tangíveis. Hoje, a ciência demonstra, sem nenhuma ambiguidade, que a felicidade prolonga a vida e melhora o estado da saúde física.

Deixe-me te contar. Todas e cada uma de nossas ações estão motivadas pelo desejo de sermos felizes. O primeiro e mais importante é que cada um de nós quer ser feliz. Mesmo que queiramos que outras pessoas também sejam. Por quê? Porque ver as pessoas que gostamos felizes faz com que a gente se sinta feliz. Por mais altruístas que possamos pensar que são nossas ações, todas elas estão motivadas pelo desejo de felicidade. Em resumo, só temos ações altruístas porque isso faz com que a gente se sinta mais feliz. Queremos que todo o mundo seja feliz? A psicologia nos diz que tendemos a ser mais “empáticos” com quem está mais perto de nós, como familiares e amigos, com quem se parece com a gente em algum aspecto e com quem consideramos membro de nossa “tribo”. Esta empatia inata é distorcida por nosso cérebro, que mantém seus preconceitos sobre quem está dentro ou fora do grupo ao qual pertencemos.

Todos queremos ser felizes, embora para cada um de nós a felicidade signifique algo diferente. Se, de verdade, ser feliz é uma de suas prioridades, treine seu cérebro. Lembre-se que ele foi desenhado para a sobrevivência e que, talvez, experimentar emoções que te aproxime da felicidade não seja uma de suas características principais. Você já sabe, a esta altura, que a fisiologia de um cérebro adulto muda, assim como muda o padrão de conexões que o constitui. A chave está em exercitar o cérebro, assim como exercitamos o corpo por meio do exercício físico.

Ser feliz é, sem dúvida, uma DECISÃO. De fato, a vida não passa de uma sucessão de tomadas de decisão. Explico-me:

Alguns dias atrás, estava lendo a Gerhard Roth, neurobiólogo de Bremen, em um artigo sobre a tomada de decisão, no qual ele começa dizendo que “no final das contas, as decisões que tomamos são sempre emocionais. Na realidade, não há decisões racionais, o único que existe são avaliações racionais”.

É importante parar para observar que a maioria das decisões que tomamos na vida diária, tomamos de maneira precipitada e que nossa vida e nossa felicidade são condicionadas pelas decisões que tomamos.

Como nosso cérebro decide?

No cérebro, pode-se distinguir, de maneira geral, em três instâncias de tomada de decisão. O córtex cerebral, na avaliação consciente dos prós e contras; o hipocampo, que recupera a informação do cérebro em experiências anteriores; e a amídala, junto com o núcleo accumbens, que atua na avaliação de emoções e possíveis recompensas.

A cada dia tomamos milhões de decisões das quais não somos conscientes. Decisões automáticas, apressadas e/ou com uma grande carga emocional. Decisões das quais logo nos arrependemos. Meu convite, neste momento de “elevada carga emocional”, é cultivar a atenção para tomar com calma e clareza as decisões importantes da vida.

Gerenciar as emoções (produtos de nosso cérebro) e nos tornar responsáveis pelo que sentimos é, hoje, mais do que nunca, uma prioridade. As emoções são reações psicofisiológicas que experimentamos todos os dias, mesmo que nem sempre de forma consciente. São de caráter universal e provocam mudanças na experiência efetiva, na ativação fisiológica e em nosso comportamento. Elas nos preparam para poder dar uma resposta adaptativa a essa situação. Ao longo de nossa evolução como espécie, graças às emoções, pudemos responder rapidamente àqueles estímulos que ameaçavam nosso bem-estar físico ou psicológico, garantindo nossa sobrevivência. Além dessa função adaptativa primordial, as emoções cumprem uma função social e outra motivacional. Hoje sabemos que o verdadeiro êxito na vida não tem a ver com o coeficiente intelectual, mas com a inteligência emocional, entendida como a capacidade que temos de tomar consciência, compreender e gerenciar nossas emoções e as dos outros. A gestão adequada de nossas emoções nos ajudará, neste momento, a tomar melhores decisões, gerenciar melhor nossos conflitos, sermos mais criativos e inovadores, colocar-nos no lugar do outro, manter relações mais enriquecedoras e finalmente sermos mais felizes.

Em suma… Qual é a chave para se conectar com a felicidade e ter uma higiene mental adequada?

Treine seu cérebro, tome decisões e se conecte com seu autêntico e verdadeiro Ser.

Orador Thinking Heads. Top 100. 

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