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Entrevista a Juan Carlos Gozzer, Sócio e Diretor Geral da Região Sul – LLYC

27 Outubro 2020 |by Fundacom | Comentários fechados em Entrevista a Juan Carlos Gozzer, Sócio e Diretor Geral da Região Sul – LLYC | Entrevistas

O que é o projeto Future Leaders?

O projeto consiste na utilização de técnicas de processamento linguístico, inteligência artificial e machine learning para analisar como falam, o que pensam e os valores da nova geração de líderes que falam espanhol e português em comparação com os líderes atuais. Com o Future Leaders, queríamos basicamente integrar a tecnologia em nossa tarefa de entender nosso público e as referências de certas comunidades de conversação por meio do uso de open data.

 

O que motivou o LLYC a conduzir este estudo?

Dois fatores-chave se uniram: o primeiro é que estamos, sem dúvida, testemunhando o surgimento de uma nova liderança. Não apenas acelerado pela COVID-19, mas por um contexto de diferentes demandas e expectativas sociais. O segundo fator tem relação com a crescente integração da tecnologia na comunicação e gestão da reputação. É um momento de transformação para o nosso setor, no qual as percepções intuitivas dão lugar à análise por Big Data com resultados cada vez mais assertivos.

 

Como o machine learning ou a análise de processamento linguístico são aplicados a um estudo como esse?

As técnicas de análise linguística ou análise de traços de personalidade não são novas e tanto a psicologia, quanto a linguística e as ciências sociais vêm trabalhando nisso há anos. O interessante é treinar uma máquina que nos ajude a analisar, a partir de open data, a forma como os líderes atuais e os futuros se expressam e como isso nos permite identificar traços de sua liderança.

 

O que os 120 jovens líderes analisados ​​têm em comum?

Ao fazer uma seleção em 12 países e em espanhol e português, como foi o caso neste estudo, era de se esperar uma dispersão dos resultados. No entanto, ficamos impressionados não apenas pela forma como os perfis se enquadram nos atributos de um “líder transformacional”, mas também pelos valores comuns a todos. Estamos falando de pessoas com grande resiliência emocional, com ótima gestão no mundo das ideias e da inovação; além de serem muito pragmáticos e preocupados com o seu ambiente.

Pessoas em diferentes países e atuando em ambientes diversos estão compartilhando valores comuns e assim mostram como devemos ampliar nosso olhar e não o limitar a fronteiras ou idiomas.

 

Em comparação com os líderes atuais, o que é mais impressionante na análise da personalidade dos futuros líderes?

Das cinco características analisadas (abertura a ideias, responsabilidade, extroversão, altruísmo e neuroticismo), destaco duas em particular: a primeira, altruísmo. Há uma preocupação maior desses novos líderes com seu ambiente, com o “outro” e, em última instância, em gerar um impacto positivo na sociedade, trabalhando em equipe, apelando para o coletivo. E é precisamente isso que chama a atenção pela forma como se relaciona com a necessidade de um olhar mais aprofundado sobre o propósito das empresas e instituições. Estabelece uma tendência para nós em que a reputação deve definitivamente girar em torno do propósito, se quiser ter um impacto real.

O segundo elemento é o da responsabilidade. Muitas vezes há uma percepção equivocada de que essa nova geração de líderes é menos responsável, mas a análise dos Future Leaders nos mostra o contrário. São pessoas com alto grau de comprometimento com os objetivos definidos. O que provavelmente não ocorrerá, é que sejam pessoas que precisem de supervisão ou de um cronograma para cumprir suas tarefas. Nesse sentido, por exemplo, acredito que a COVID-19 nos deixa lições claras sobre teletrabalho e gestão vinculadas a objetivos, ao invés de configurações ou horários determinados.

 

Essas diferenças de personalidade também são perceptíveis no discurso?

Sim. Na verdade, ficamos muito impressionados com a maneira como o discurso dos líderes do futuro se concentra mais em “fazer” do que em “dizer”. Na comunicação, falamos muito sobre storytelling e storydoing (contar e fazer histórias) e o estudo nos mostra que a melhor forma de nos conectarmos com esta nova geração é através da ação, e não tanto pelo dizer. E esta ação a que se referem os líderes do futuro visa o trabalho em equipe, para gerar um impacto positivo no ambiente; para gerar um legado. Coincide, sem dúvida, com o desafio de posicionamento enfrentado por grandes empresas em todo o mundo hoje.

 

Como esse tipo de estudo impacta a comunicação das empresas?

Quando aplicamos técnicas de processamento linguístico, percebemos que o idioma pode ser uma barreira importante para conectar as empresas aos ambientes onde operam. É como falar línguas diferentes. Se em nossa comunicação (digamos as notas de imprensa, posts em mídias sociais ou discursos de nosso CEO) não integramos as palavras e os termos que nos permitem nos conectar com nosso público, sempre haverá uma barreira, mesmo que falemos sobre a mesma coisa. Hoje, a tecnologia nos permite entender melhor para nos comunicarmos melhor. Basta imaginar esse uso da tecnologia para que as empresas possam conversar melhor com seus colaboradores, sociedade, investidores etc. Sem dúvida, os resultados serão muito melhores.

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Valeria Abadi: “A informação precisa e oportuna, bem como a construção de espaços de diálogo, provaram ser uma ferramenta eficaz para lidar com a complexidade.”

31 Julho 2020 |by Fundacom | Comentários fechados em Valeria Abadi: “A informação precisa e oportuna, bem como a construção de espaços de diálogo, provaram ser uma ferramenta eficaz para lidar com a complexidade.” | Entrevistas | ,

P: Como a comunicação das organizações mudou nos últimos meses? O que você considera a mudança mais relevante?

R: Aqueles que trabalham com comunicação sempre souberam a importância de nossa área para as organizações e para fortalecer o vínculo com nossos stakeholders. Em tempos de crise, a relevância da comunicação aumenta.

A informação precisa e oportuna, bem como a construção de espaços de diálogo, provaram ser uma ferramenta eficaz para lidar com a complexidade.

Concretamente, a comunicação é o veículo para conscientizar a sociedade sobre a necessidade de se cuidar durante a pandemia, reduzir a incerteza e conter nossas equipes de trabalho, apoiar as comunidades onde operamos e fornecer soluções aos nossos clientes.

Em síntese, a comunicação nos permite ouvir e nos adaptar como organização às necessidades do contexto.

P: Como você descreveria a relação entre marketing e comunicação? Você considera que o relacionamento entre os dois campos foi fortalecido ou enfraquecido diante da nova realidade que estamos vivendo?

R: As empresas que melhor entenderam o contexto são as que unificaram ou alinharam ainda mais suas estratégias de comunicação e marketing. Hoje, mais do que nunca, espera-se que marcas e empresas resolvam problemas, forneçam soluções e aliviem o cliente ou consumidor. Em crises, é o momento de “storydoing” e não do “storytelling”.

Na Argentina, por exemplo, a pandemia também gerou espaços de integração não apenas dentro das empresas, mas com outros atores do contexto. Destaco as boas campanhas de bem público em que não existe uma marca que a capitaliza, mas um grupo de atores sociais que se unem a um objetivo comum, como o caso “Somos Responsables”, “Pensemos en los demás” e “Trabajadores Presenciales – Día del Periodista”, promovidas por Dircoms (Círculo de Diretores de Comunicação da Argentina), Conselho Profissional de Relações Públicas, ADEPA (Associação de Entidades Jornalísticas da Argentina), ATA (Associação de Radiodifusores da Argentina), ARPA (Associações de Radiodifusores Privados da Argentina), Conselho de Publicidade Argentina, entre outros.

P: Qual o papel da comunicação na reconstrução econômica que as empresas estão enfrentando e terão como consequência da pandemia?

R: Embora a comunicação seja fundamental, nesse sentido, ela está sujeita ao plano de reconstrução definido por governos e empresas. Sem dúvida, uma vez definido o plano, a comunicação é essencial para gerar coesão, alinhamento e significado na sociedade.

P: Quais objetivos Círculo Dircoms perseguirá sob sua liderança como presidente da organização? Você poderia nos contar sobre alguns de seus projetos?

R: Antes de tudo, quero lhes dizer que estou honrada com a nomeação e muito entusiasmada com o desafio que está por vir, junto com o novo Conselho Diretor.

O Círculo DirComs nasceu há 18 anos quando líderes de comunicação de destaque entenderam a necessidade de ter um espaço de reunião entre colegas das empresas mais importantes do país, a fim de compartilhar experiências e pontos de vista. Com o tempo, esse espaço cresceu até se tornar uma rede de 150 profissionais argentinos.

Conscientes do papel que a comunicação tem na vida institucional de nosso país, refletimos há muito tempo sobre a contribuição que podemos dar como organização. Nesse sentido, além de nossos próprios espaços para membros, estamos lançando iniciativas de maior conexão com nossos ambientes.

Lançamos recentemente a DircomsNet, uma newsletter semanal em parceria com a Red/Acción destinada a todas as pessoas interessadas em comunicação corporativa e relações públicas. É nossa contribuição para enriquecer a reflexão e o pensamento crítico. É uma área para compartilhar opiniões sobre como nosso trabalho é ou pode ser feito, para encontrar histórias de sucesso, estatísticas e pesquisas valiosas. Aproveito esta oportunidade para estender o convite a todos os leitores deste boletim.

Em breve, também lançaremos o Dircoms Awards para as melhores ações de comunicação em nosso país e continuaremos com as distinções de profissionais reconhecidos. Além disso, também planejamos realizar pesquisas sobre o valor do papel dos Dircoms que, sem dúvida, serão do interesse de todos os profissionais de comunicação e relações públicas.

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Luis Martin Gómez: “Como a economia e as finanças são áreas altamente especializadas e muito sensíveis, sua comunicação deve ser confiável, ter um senso ético, ser rigorosa no conteúdo e clara na forma”

17 Junho 2020 |by Fundacom | Comentários fechados em Luis Martin Gómez: “Como a economia e as finanças são áreas altamente especializadas e muito sensíveis, sua comunicação deve ser confiável, ter um senso ético, ser rigorosa no conteúdo e clara na forma” | Entrevistas |

P: Qual o papel da comunicação no desenvolvimento econômico de um país?

R: Eu acho que desempenha um papel vital. Há muito tempo, as instituições econômicas e financeiras deixaram de ser “capelas herméticas” que não informavam ou informavam pouco e no momento errado. Agora, como outras organizações, elas devem ser transparentes, se comunicar com honestidade e com um senso de oportunidade se quiserem ter a licença social que os públicos de interesse lhes concedem para que possam operar com legitimidade. O ato de comunicar, quando cria e aprofunda esse acordo, contribui de maneira valiosa para o desenvolvimento, pois promove a visibilidade e o reconhecimento de instituições que, no final, geralmente são essenciais para impedir que a economia avance na formação de expectativas indesejáveis.

A comunicação, portanto, contribui para o desenvolvimento econômico porque ajuda a gerar confiança, eliminar a incerteza e a criar expectativas positivas que beneficiam os mercados com estabilidade e crescimento. Como a economia e as finanças são áreas altamente especializadas e muito sensíveis, sua comunicação deve ser confiável, ter um senso ético, ser rigorosa no conteúdo e clara na forma. Ainda mais atualmente, em que o campo da informação está vivenciando uma diversidade de atores, mídias e formatos, comunicar no momento certo e com precisão permite a disseminação de informações e raciocínios propícios para que os mercados e agentes econômicos orientem suas ações de maneira benéfica para a maioria.

P: O tecido empresarial na América Latina é representado principalmente por PMEs. Como o senhor acha que as PMEs poderão se recuperar após a crise econômica em consequência do COVID-19 e qual é o papel da comunicação para promover seu desenvolvimento?

R: Tradicionalmente, o setor de PMEs é muito diverso, o que dificulta a consolidação de uma mensagem representativa do setor. No contexto atual em que somos afetados pelo COVID-19, surgem representações de setores muito diversos, solicitando ajuda diante do embate econômico da pandemia, reduzindo assim o posicionamento do setor de PMEs e a difusão de suas emergências e necessidades para uma eventual recuperação. Assim, a comunicação pode ajudá-los dando maior visibilidade para o setor no mercado e destacando a importância de sua sustentabilidade para a preservação de empregos e o bem-estar das comunidades em que operam. Acho que é um dever dos governos latino-americanos apoiar a sustentabilidade das PMEs por meio de empréstimos flexíveis, uma maior incorporação à cadeia produtiva de bens e serviços e uma assessoria para sua adaptação às variantes tecnológicas que serão impostas após a pandemia.

P: Na sua opinião, que elementos uma estratégia de Responsabilidade Social Corporativa deve adotar para se adaptar à situação atual e permanecer consistente com a promessa da marca?

R: Acredito que qualquer estratégia de RSC deva começar com uma nova leitura do ambiente atual, que é incerta e mutável, para conhecer e decodificar as preocupações e questões relevantes da sociedade. O diagnóstico resultante permitiria esforços mais precisos, aumentando a eficácia e otimizando os recursos. Entretanto, essa possível reorientação não invalidará a essência da prática de RSC: que ela esteja alinhada com a missão e a natureza das organizações, que seja autêntica (não cosmética ou de prateleira) e que responda às reais necessidades das comunidades com as quais existe um diálogo permanente, incentivando-as a integração, participação e estabelecendo com elas um compromisso, um contato mais humano, mais próximo e mais empático.

P: Vivemos tempos de grande incerteza e uma das principais preocupações das pessoas é saber que seu dinheiro está protegido. Que medidas devem ser tomadas para garantir a confiança em um setor tão importante quanto o setor bancário, em que a transparência é essencial para o seu desenvolvimento?

R: Parece-me que essa confiança no sistema financeiro é conquistada ao garantir o cumprimento das regras e regulamentos, comunicando-se de forma eficaz, o que implica um fluxo adequado de informações, rigor estatístico, boa governança corporativa e transparência de dados e de organização. Da mesma forma, devem ser comunicadas as ações políticas adotadas para proteger os recursos dos depositantes e os planos em vigor para o médio prazo, para que as expectativas sejam devidamente estabelecidas. Por sua vez, tudo o que é executado deve ser coerente em um contexto comunicacional mais amplo, o quer dizer que as ações para preservar a plena capacidade dos investimentos devem ser acompanhadas de iniciativas que procurem proteger a fonte que gera esses investimentos, que não é outro se não o crescimento econômico.

P: Finalmente, como o papel das instituições oficiais, como os bancos centrais, influencia na reconstrução da confiança coletiva de uma sociedade/país?

R: Um banco central de boa reputação, bem dirigido, com autoridades de prestígio, profissionais de primeira linha em suas fileiras e colaboradores plenamente identificados com a missão e os objetivos institucionais garante a fé que todo cidadão deve ter de que ele está em terreno seguro em termos de estabilidade macroeconômica. Essas qualidades, aliadas a uma política comunicacional efetiva, permitem estabelecer o ponto de referência necessário para consolidar um discurso verdadeiro e próximo da realidade econômica, tanto para hoje como para o futuro. E é precisamente a partir desse cenário de credibilidade e confiança que uma noção de estabilidade toma forma, por meio da qual os investidores nacionais e estrangeiros se reativam, os empresários vislumbram um clima futuro favorável, as famílias mantêm seu poder de aquisitivo, e os países podem retomar o caminho do crescimento com inflação baixa, o que contribui para alcançar o bem-estar de seus cidadãos.

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José Fernández-Álava: “Em um ambiente no qual as fake news proliferam, devemos estar cientes de que nosso compromisso ético deve ser máximo e, portanto, devemos incorporar as melhores práticas diariamente.”

29 Abril 2020 |by Fundacom | Comentários fechados em José Fernández-Álava: “Em um ambiente no qual as fake news proliferam, devemos estar cientes de que nosso compromisso ético deve ser máximo e, portanto, devemos incorporar as melhores práticas diariamente.” | Entrevistas | ,

P: A Fundacom conta com 13 associações na América Latina, todas buscam promover e valorizar a comunicação estratégica em espanhol e português. Qual é o principal objetivo que a Fundacom perseguirá nos próximos anos e como planeja implementá-lo?

R: A primeira coisa que gostaria de dizer é que é uma honra poder participar da definição de um projeto tão jovem e empolgante quanto a Fundacom.

Com apenas três anos de experiência, tornou-se referência para os profissionais de comunicação da Ibero-América, por meio de iniciativas como o congresso CIBECOM ou os Prêmios Fundacom.

O projeto agora está focado, juntamente com as associações do Brasil, Portugal, México, Argentina, Uruguai, Chile, Panamá, Colômbia, Guatemala, República Dominicana e Espanha, na tentativa de antecipar o referencial de atuação reputacional em que as instituições e empresas se desenvolverão na Ibero-América, a partir das profundas mudanças de comportamento e da primazia de valores que se avizinhavam e que a pandemia do coronavírus acelerou e até modificou.

Em resumo, trata-se de conhecer, na medida do possível, aqueles aspectos que deveremos usar para recalibrar o propósito de nossas organizações. Faremos isso por meio de webinars com especialistas, compartilhando experiências e um estudo cuja definição estamos trabalhando.

Por outro lado, estamos muito empolgados com o lançamento da Cibecom’2021, que ocorrerá em São Paulo, e para o qual já estão sendo confirmados importantes palestrantes de relevância internacional.

No âmbito da formação, continuamos trabalhando para oferecer, por meio dos programas PRADI e dos in-company, a melhor oferta de conteúdo por importantes partners.

Isso é de todos e para todos na Ibero-América, por isso que apostamos no desenvolvimento coletivo, como eu dizia, em conjunto com nossas associações, de tal maneira que todos se sintam confortáveis ​​e representados nesta nova etapa. Esse é o desafio e o roteiro que estabelecemos para nós no Patronato e na equipe de gestão.

P: Que papel o diretor ou responsável pela comunicação de uma organização deve desempenhar em um ambiente tão dinâmico como o atual, e quais são os principais valores que ele deve perseguir?

R: A comunicação está em constante evolução, e também devem estar os responsáveis pela comunicação de qualquer organização.

Em tempos de crise, como o que se apresenta hoje devido à pandemia do COVID-19, mostra-se que a comunicação é uma função crítica para garantir um fluxo adequado de interação com os grupos de interesse. E os profissionais devem estar preparados para liderar e fazer com que nossas organizações atendam às expectativas que seus stakeholders depositam nelas.

Além disso, em um ambiente no qual as fake news proliferam, devemos estar cientes de que nosso compromisso ético deve ser máximo e, portanto, devemos incorporar as melhores práticas diariamente. Essa é uma das questões pelas quais estou convencido de que a Fundacom, por meio das atividades que planeja lançar, será muito útil em um cenário de tanta incerteza.

Como disse Miguel López-Quesada, Presidente da Fundacom, esta é uma oportunidade para concretizar e dar visibilidade ao objetivo de nossas organizações, pois esse é o elemento central que agrega todo o seu valor.

Algumas semanas atrás, ouvia um especialista em ética assegurar que a empresa ou instituição do futuro será socialmente responsável ou não será. A Fundacom quer e deve ser uma parte fundamental para que se alcance esse objetivo, oferecendo conhecimento e ferramentas aos diretores de comunicação como como gestores importantes da reputação e influenciadores em suas organizações.

P: Quais critérios uma organização deve ter ao decidir implementar um dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, e qual é o papel da Comunicação na promoção desses objetivos?

R: Quando uma organização alinha seus objetivos aos ODS, ela está tomando a decisão de realizar ações responsáveis ​​e de ter valores e condutas sustentáveis ​​dentro de uma iniciativa global, promovida pelas Nações Unidas, com o objetivo de atingir metas específicas para cada objetivo, como parte de uma nova agenda de desenvolvimento sustentável.

Essa, é claro, é uma das boas práticas que gostamos de promover dentro da fundação, pois estamos comprometidos com o desenvolvimento sustentável, e queremos que mais organizações participem dessa iniciativa para favorecer as sociedades nas quais elas se encontram.

Nesse sentido, a comunicação é o aliado perfeito para sensibilizar e gerar um compromisso real e mensurável de todos os stakeholders. Se antes era importante, depois da atual crise, ser capaz de ser prestar contas sobre como e quanto se contribui para um mundo melhor para todos será fundamental.

Estou certo de que uma das lições desta crise tão difícil será uma maior consciência social em todos os níveis. E, no campo profissional, acredito que se colocará em evidência, mais do que nunca, a vocação do trabalho do dircom.

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José Raúl González, CEO da Progreso: “Temos a responsabilidade de gerar esse otimismo típico de todo empreendedor para promover o desenvolvimento econômico e social”

28 Fevereiro 2020 |by Fundacom | Comentários fechados em José Raúl González, CEO da Progreso: “Temos a responsabilidade de gerar esse otimismo típico de todo empreendedor para promover o desenvolvimento econômico e social” | Entrevistas | ,

P: A Cementos Progreso foi reconhecida como uma das empresas mais éticas do mundo pelo Ethisphere Institute. O que acha que as organizações devem fazer para criar uma boa reputação e continuar gerando valor?

R: A reputação, boa ou ruim, é consequência da percepção sobre o comportamento dos colaboradores, dentro ou fora das empresas. Portanto, estritamente falando, não é possível “gerar” uma boa reputação. Isso irá ser “gerado” espontaneamente com base na qualidade de nosso produto, na satisfação de nosso serviço, no ambiente de trabalho de nossas empresas e em centenas de outras variáveis. Coisas boas e ruins se traduzirão na percepção que clientes, fornecedores, colaboradores, autoridades e o público em geral têm sobre nós. E com isso seremos merecedores de uma boa ou má reputação.

Reputação é uma variável extremamente complexa. Portanto, é melhor não tentar controlá-la, mas controlar as coisas que podemos gerenciar e que agreguem valor aos nossos produtos e serviços. Se nossos funcionários trabalharem bem em cada uma de suas responsabilidades individuais e conseguirem um bom gerenciamento das variáveis ​​acima, deveríamos ter uma boa reputação. E uma boa reputação deveria resultar em maior valor para o patrimônio de nossos acionistas.

P: Entre os porta-vozes mais importantes de uma organização estão os funcionários. Quais são os três principais pontos essenciais para criar confiança e qual o ambiente de trabalho necessário para que os funcionários se sintam identificados e comprometidos com a organização?

R: O mais importante é a coerência entre o que é dito e o que é feito. Quando as pessoas percebem essa coerência, elas acreditam e isso gera confiança. Na Progreso, exigimos que cada funcionário exerça sua liderança de acordo com o que chamamos de Agenda de Liderança. Ela resume os comportamentos que esperamos de cada um de nós, dentro e fora da empresa. Se eu tivesse que mencionar os três elementos mais importantes dessa agenda, diria que são:

a) Liderança genuína, o que implica poder visualizar, executar, desenvolver e modelar os comportamentos desejados pela empresa.

b) Compromisso com a sustentabilidade da empresa, já que estamos gerenciando um legado para as futuras gerações.

c) Comportamento ético.

Se, da cabeça da organização passando pela gerência média e baixa, alcançarmos essa coerência entre o que dizemos e o que fazemos, teremos êxito em promover um ambiente de confiança e, portanto, um bom ambiente de trabalho. É um desafio que devemos superar pessoalmente todos os dias.

P: Que conselho você daria para aqueles que buscam estimular a criatividade de seus funcionários para melhorar a proatividade da empresa? Como você faz isso?

R: A criatividade surge em um ambiente em que o fracasso não é penalizado mas sim comemorado como um processo de aprendizado. Portanto, eu começaria promovendo um ambiente em que as pessoas não têm medo de correr riscos, fazer as coisas de maneiras diferentes, cometer erros, falhar e seguir em frente com base no que aprenderam. Eu gosto de provocar nosso pessoal a assumir riscos. Eu acho que fomos bem-sucedidos porque temos um programa de melhoria contínua que é realizado todos os anos dando o prêmio chamado Grão de Ouro. Ele vem do fato que todos acrescentamos um grão de areia para o sucesso de nossos objetivos, mas que, de vez em quando, alguém acrescenta um “grão de ouro”, por ser uma solução mais inovadora do que as outras.

Logicamente que, para chegar a esse ponto, tive que ir tentando várias soluções até encontrar uma que merecesse essa denominação.

Agora, estamos dando um passo adiante, criando uma iniciativa que busca melhorias operacionais, mas que sejam de fato disruptivas. Chamamos esse projeto de ProgressoX, porque queremos desenvolver iniciativas que aumentem exponencialmente outras iniciativas que foram bem-sucedidas, mas têm crescido aritmeticamente.

Esta será a prova de fogo para o que acreditamos ser um ambiente que estimula a criatividade e a proatividade.

P: Você acha que as várias ações que as empresas realizam na área de comunicação ajudam no desenvolvimento de um país ou da sociedade? Como?

R: O departamento de comunicação é central para o sucesso da empresa. De fato, na Progreso, o eixo da comunicação é um dos pilares da nossa Agenda de Liderança. Voltando à questão da reputação, embora seja verdade que eu disse que essa é uma função complexa, pode-se resumir que a reputação é uma função do que fazemos multiplicado pela maneira como a comunicamos, dividido pelo contexto. Por isso a comunicação é tão importante.

Ou seja, o que fazemos é ofuscado se não o comunicarmos efetivamente aos diferentes grupos de interesse, levando em consideração o contexto em que essa comunicação será feita. Acredito fortemente na importância da comunicação corporativa e é algo a que dedico um interesse especial.

Acredito que esse processo de comunicação é a maneira pela qual, a partir de nossas empresas, podemos influenciar positivamente nossa sociedade. Temos a responsabilidade de gerar esse otimismo típico de todo empreendedor para promover o desenvolvimento econômico e social, além de outros valores positivos. Hoje, as más notícias estão na ordem do dia, mas não são uma amostra representativa do que é a realidade cotidiana. Todos os dias acontecem mais coisas boas do que coisas ruins. Na Progreso, assumimos a tarefa de comunicar o bem que acontece por meio de nossa interação com a sociedade, em busca que essas boas práticas e otimismo sejam espalhados para o restante dos cidadãos. Tenho muito orgulho do trabalho que nosso pessoal de comunicação faz a esse respeito.

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Sara Blázquez, Diretora de Comunicação e relacionamento com a imprensa da Coca-Cola Ibéria: “acreditamos na criação de experiências inesquecíveis para nos conectar com nossos consumidores”

16 Dezembro 2019 |by Fundacom | Comentários fechados em Sara Blázquez, Diretora de Comunicação e relacionamento com a imprensa da Coca-Cola Ibéria: “acreditamos na criação de experiências inesquecíveis para nos conectar com nossos consumidores” | Entrevistas | , , ,

P: Diante do surgimento de negócios de “inovação disruptiva”, vemos como as empresas procuram se transformar para seguir sendo relevantes para seus consumidores. Que papel a Comunicação desempenha em uma economia disruptiva?

R: A Coca-Cola é uma marca com mais de 130 anos de vida e, durante esse período, conseguiu verificar que a mudança é a única constante no mercado. A revolução digital trouxe a disrupção para as indústrias e para o gosto dos consumidores. Mas a verdadeira transformação não é tecnológica, é cultural. É por isso que a comunicação é tão importante em todo esse processo. Isso significa entender melhor as pessoas. Uma comunicação direta com o consumidor, em uma linguagem que seja natural para ele, será essencial para dar um contexto a essas inovações e disrupções e para gerar o engagement entre consumidores e marcas.

P: Na sua opinião, qual é a relação entre Comunicação Corporativa e Responsabilidade Social Corporativa? Que oportunidades você vê no mercado nos próximos anos de acordo com essa relação?

R: Atualmente, na Coca-Cola, aproximar nossos consumidores do compromisso da companhia com a sociedade é um dos pilares sobre os quais se articula nossa comunicação corporativa. Isso porque a empresa que não aporta valor à sociedade, não será terá sucesso.

É uma realidade que a Responsabilidade Social Corporativa deixou de ocupar um lugar marginal para se tornar intrínseca aos negócios e à comunicação corporativa. O perfil do consumidor de hoje é o de alguém mais consciente, que exige transparência das empresas e que também questiona o modo como elas operam e até como se comunicam. Nós, da Coca-Cola, queremos liderar uma mudança na sociedade, assumindo nossa responsabilidade, mas caminhando de mãos dadas com o consumidor, como temos propagado em nossa campanha “Vamos fazer juntos”. Acreditamos que as conquistas realizadas de mãos dadas com nossos consumidores geram maior impacto e valor, pois são resultado de um trabalho conjunto com eles.

P: Cada vez vemos mais empresas buscando agregar valor à sociedade por meio de ações de Responsabilidade Social Corporativa. Que oportunidades você vê no mercado para que uma empresa como a Coca-Cola possa continuar gerando valor por meio de suas ações de RSC nos próximos 5 anos?

R: Criar valor para a sociedade espanhola é algo que a Coca-Cola vem fazendo desde sua chegada em nosso país, há 66 anos. Temos, por exemplo, iniciativas para jovens, como o Concurso para Jovens Talentos que, nesta edição, comemora seu 60º aniversário; ou para o meio ambiente, por meio de campanhas como “A árvore, fonte de vida”, criada já em 1978 e, apenas algumas semanas atrás, o “Vamos fazer juntos”. Também temos programas focados no empoderamento de mulheres, como a GIRA Mujeres, ou no apoio ao empreendedorismo sênior, como Imparables de Aquarius.

Nosso objetivo é continuar com essas linhas de ação e seguir gerando valor para a sociedade atual, compartilhando suas preocupações. Vamos continuar promovendo a diversidade, apoiando a cultura, promovendo a formação e a empregabilidade de jovens, mulheres e idosos, e assumindo nosso papel como agente de mudança na crise ambiental que nossa sociedade está enfrentando.

P: No mês de dezembro, vemos muitas campanhas emocionais que buscam comover o consumidor. Com que finalidade são realizadas essas campanhas? Quais características elas devem ter para serem percebidas como autênticas? 

R: Faz tempo que as marcas deixaram de competir por produto ou preço, competimos com nossa capacidade de levar experiências ao consumidor. Para que elas sejam autênticas, acredito que precisamos gerar um conteúdo inspirador para aproximar o consumidor do momento de desfrutar do produto. Em resumo, trata-se de contar histórias que geram uma conexão emocional real.

Na Coca-Cola, acreditamos na criação de experiências inesquecíveis para nos conectar com nossos consumidores. Para nós, gerar um propósito, conectá-lo com uma experiência e oferecer ao consumidor motivos para o compartilhar nas redes sociais é o caminho a ser seguido.

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Lidya Fresnedo, PPG Comex: “As ações de comunicação são, em grande parte, os tijolos com os quais se constrói a reputação. A disciplina e a consistência nas mensagens que uma empresa comunica marcam a maneira como as empresas são percebidas”

14 Outubro 2019 |by Fundacom | Comentários fechados em Lidya Fresnedo, PPG Comex: “As ações de comunicação são, em grande parte, os tijolos com os quais se constrói a reputação. A disciplina e a consistência nas mensagens que uma empresa comunica marcam a maneira como as empresas são percebidas” | Entrevistas | , ,

P: Vivemos em um mundo digital. Que dificuldades isso traz no momento de desenvolver uma estratégia de comunicação externa? Que medidas um profissional de comunicação deve adotar para se adaptar a ele?

R: O ambiente digital implica grandes e diferentes desafios, entre os quais gostaria de destacar três:

O primeiro é manter a relevância: a quantidade de conteúdo gerado nas redes sociais e mídias digitais é tão grande que atrair e manter a atenção dos públicos é uma tarefa titânica. Hoje vivemos uma competição acirrada pela atenção do público e somos obrigados a ser mais criativos e, acima de tudo, mais estratégicos.

O segundo tem relação com a segmentação de mensagens para cada público. O alcance dos meios digitais é tão grande que a segmentação e o conhecimento dos públicos ficaram mais complicados.

Em terceiro lugar, gostaria de destacar o imediatismo. Os tempos de resposta para participar de uma conversa ou definir uma posição sobre um assunto foram drasticamente reduzidos, o que obriga as empresas a agilizar seus processos de autorização de mensagens.

Uma das chaves para se adaptar a esse novo ambiente é contar com ferramentas tecnológicas de escuta, segmentação e mensuração que permitam que você tenha um verdadeiro conhecimento do público ao qual se dirige. Também é essencial adaptar os processos internos de comunicação à dinâmica dessas novas mídias.

P: Como as ações de comunicação realizadas em sua empresa se refletem em sua reputação?

R: Construir e fortalecer a reputação de uma empresa deve ser uma ação estratégica, planejada e mensurável. As ações de comunicação são, em grande parte, os tijolos com os quais se constrói a reputação. A disciplina e a consistência nas mensagens que uma empresa comunica marcam a maneira como as empresas são percebidas.

P: Qual deveria ser a relação entre a responsabilidade social corporativa de uma empresa e sua reputação corporativa? Quais ações os diretores de comunicação devem adotar para combinar os dois fatores?

R: As ações de Responsabilidade Social Corporativa ajudam a obter e manter a licença social ou aprovação da comunidade para as operações de uma empresa e, portanto, representam uma ferramenta fundamental para a construção de reputação. Os programas de Responsabilidade Social devem estar alinhados com o propósito da empresa, para que a mensagem de responsabilidade social justifique o restante das mensagens emitidas. Novamente, a consistência e a disciplina nas causas que se apoiam são fundamentais.

É importante resistir à tentação de “pegar carona” em temas conjunturais ou que são tendência naquele momento, pois, ao dispersar as mensagens, você corre o risco de não garantir a reputação. Ao participar de tudo, acabaremos não sendo reconhecidos por nada.

P: Vimos várias campanhas que realizam em sua organização e vemos que a emoção tem um papel fundamental. Para você, quais fatores devem ser considerados ao gerenciar projetos altamente emocionais?

R: A Comex pretende continuar sendo uma marca amada pelos mexicanos. Nada mais emocional que isso. Sabemos que as mensagens emocionais são mais eficazes e memoráveis do que as que apelam à razão, no entanto, para manter a credibilidade – outro elemento fundamental no gerenciamento da reputação – é necessário que a emoção seja sustentada pelas razões.

Ao gerenciar projetos emocionais, sugiro:

Cuide da frequência e intensidade da emoção, pois é impossível (além de pouco eficaz) manter sempre um alto nível de emoção.

Não abuse dos clichês: a repetição excessiva de imagens ou mensagens subtrai a emoção.

Use o fator surpresa: a criatividade nas mensagens desempenha um papel fundamental.

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Martín Karich, novo presidente da FOCCO, Chile: “…um dos pontos centrais nas situações de crise que vemos hoje é que muitas vezes se deixa de lado, quase por completo, o componente emocional da comunicação”

8 Agosto 2019 |by Fundacom | Comentários fechados em Martín Karich, novo presidente da FOCCO, Chile: “…um dos pontos centrais nas situações de crise que vemos hoje é que muitas vezes se deixa de lado, quase por completo, o componente emocional da comunicação” | Entrevistas | ,

P: Quando falamos de comunicação em casos de crise, como convivem a ética e a gestão das emoções?

R: Eu acho que um dos pontos centrais nas situações de crise que vemos hoje é que muitas vezes se deixa de lado, quase por completo, o componente emocional da comunicação. Como se a empresa estivesse submetida a uma lógica de resolver o problema a qualquer custo e depois pensar em outras variáveis. Por mais que esse seja o modus operandi mais comum, ele deixa de lado as pessoas, os clientes, os  usuários de um serviço básico. Assim, uma crise que pode ter origem em uma falha de operações – como o corte inesperado do suprimento de água, por exemplo – acaba sendo uma corrida para resolver o problema e não foca nos demais elementos, como seus consumidores.

Durante as crises, as organizações se movem no modo de sobrevivência. E, nesse mundo, não há capacidade de empatia, e se você não consegue se conectar com o seu público, os afetados, de maneira emocional, você nunca poderá estabelecer a confiança ou a compressão necessária para seguir em frente. Se a informação não estiver correta, estiver incompleta e não for transparente, não há muito que fazer. E mais, se além disso colocam a culpa nos usuários – como aconteceu recentemente na cidade de Osorno, com a empresa de saúde Essal –, o resultado é o pior possível.

Isso, que pode parecer uma introdução muito longa, é a resposta para a pergunta.

Sem um compromisso emocional da empresa, sem uma capacidade mínima de empatia, de entender também o problema e a situação que seus usuários sofrem, é impossível se comportar de maneira ética. Sem ética não se pode construir confiança e sem confiança, não se pode construir um negócio sustentável.

Nesta era das emoções e da empatia, cumprir a lei não é suficiente. Eles são apenas um mínimo, que foi projetado para contextos como o descrito por Milton Frieddman, em que a única responsabilidade social de uma empresa era com seus acionistas. Embora pareça um conceito antigo, na verdade está mais vivo do que nunca.

P: Como a comunicação e o marketing devem coexistir? Como eles podem se complementar?

R: Creio que as linhas tradicionais que separam as diferentes disciplinas de comunicação estão cada vez mais borradas. E isso é devido, basicamente, à disrupção que estamos vivendo, dia a dia, na área. A agenda não é mais definida apenas da mídia tradicional e pelo governo da vez; nem a publicidade nem o marketing tradicional são capazes de atrair a atenção do consumidor. Por isso, muito do que vemos online, por exemplo, são banners que interrompem a navegação e destroem a experiência do usuário.

É por isso que acredito que o central é a capacidade de gerar uma história, um storytelling que comunica a identidade da empresa/organização para que ela seja adequadamente expressa no suporte ou canal que for melhor para o nosso público. Por isso, acredito que as disciplinas devam estar mais próximas do que nunca no desenvolvimento das empresas, desde a estratégia até a aplicação e pós-venda. Por exemplo, a comunicação corporativa deve aprender muito com o tom que usa, que deveria ser humano e próximo do marketing; e, por outro lado, o marketing deveria ser capaz de compreender o impacto reputacional de certas ações de curto prazo.

P: Como você imagina o profissional de comunicação e marketing no futuro? Quais devem ser suas qualidades?

R: A cada dia ele é um profissional mais completo. Isso é algo que pode soar óbvio, mas não é tão simples. Por um lado, todo comunicador deve ser capaz de dominar o básico da profissão, ser capaz de contar uma história inesquecível e cuidar dela. Isso é metade da história, o mesmo acontece com o entendimento do negócio, portanto, um diploma de pós-graduação como um MBA é importante. E, finalmente, estou convencido de que os diretores de comunicação devemos ser construtores de consenso, líderes estratégicos das organizações que permitimos que atinja seus objetivos, ajudando a harmonizar seus públicos de interesse, sua identidade e as mudanças permanentes em um ambiente global sujeito a uma disrupção nunca vista antes.

P: Em quais objetivos FOCCO se concentrará durante sua gestão? Por quê?

R: Nestes dois anos, queremos dar um forte impulso para reenergizar a profissão no Chile. Algumas semanas atrás, quando compartilhamos os objetivos estratégicos para este período, falamos sobre a profunda disrupção que nosso papel está sentindo nesta Quarta Revolução Industrial, com o impacto da automação e Inteligência Artificial e o desaparecimento de papéis históricos como os porta-vozes, agora substituídos por mensagens de 280 caracteres em um tweet.

É por isso que queremos destacar nosso papel como um elemento-chave na gestão moderna das organizações. Queremos reconhecê-lo, premiá-lo, através dos Prêmios Focco, que trabalharemos em conjunto com a Fundacom. Queremos realizar o primeiro Seminário Focco sobre comunicação corporativa e, claro, queremos crescer no número de membros que veem a Focco como uma plataforma que reúne os diferentes elementos da gestão moderna do ponto de vista da comunicação corporativa.

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Marcelo Behar, diretor de assuntos corporativos, Natura: “a nova gestão de crise é a gestão do diálogo.”

21 Junho 2019 |by Fundacom | 0 Comments | Entrevistas |

Como diretor de Assuntos Corporativos da Natura, qual é o maior desafio que já enfrentou ao tratar com grupos de interesse?

O maior desafio que já enfrentei ao tratar de grupos de interesse possivelmente foi a tramitação do marco de acesso à biodiversidade. Como se sabe, a Natura é uma companhia pioneira no uso da biodiversidade em seus produtos. A empresa utiliza um grande percentual de insumos da Amazônia, que são extraídos em parceria com comunidades extrativistas. Esta foi uma escolha estratégica da empresa para garantir que produtos possam ter o máximo de ativos não-químicos e naturais em suas formulações.

O Brasil ainda não tinha uma lei que regulamentava esse acesso e o protocolo internacional que cuida do tema – assim como o protocolo que cuida das mudanças climáticas – é muito aberto. De qualquer forma, a Natura sempre buscou obedecer tanto ao protocolo de Nagoya quanto ao de Kyoto. Como sempre se tentou trabalhar dentro da legislação da melhor forma possível, isso gerou uma série de enfrentamentos com diferentes grupos, como o governo – que tinha uma visão de uso da biodiversidade como biopirataria -; com as comunidades – em que foi montado um programa de comunicação para falar com maior clareza quais os benefícios que teriam não só com a retirada do insumo, mas também com os pagamentos que nós faríamos com a repartição de benefícios a partir disso. Além disso, estabelecemos um diálogo muito longo e importante com a Sociedade Brasileira de Ciência. Tudo isso porque sabíamos que essa era uma legislação pioneira e que deveria ter muitas frentes, não apenas a empresarial, para conduzir a pauta.

Então, quando a legislação chegou ao Congresso, passou por uma fase de condução política, mas também teve uma fase de nivelar todos os grupos para que tivéssemos convergência dentro do que era possível.

Em 2015, conseguimos a aprovação da lei de acesso a biodiversidade muito pela força do pioneirismo de empresas como a Natura e de medicamentos. Mas, sobretudo, uma força vinda da prática da Natura em realizar isso.

Existe um ponto de equilíbrio entre a emoção e a razão no momento de gerir uma crise? Como podemos identifica-lo?

Esta é uma questão muito contemporânea porque as redes sociais modificaram a forma como se faz a gestão de crise. Historicamente, a gestão de crise ocorria por vontade de ter uma mensagem controlada e coerente com os princípios que estavam sendo defendidos. Com as redes sociais isso caiu. Não há mais controle sobre o processo, gerando a possibilidade de gerar um descontrole.

Algumas vezes, as empresas que sofrem crise de reputação passaram a ver esse momento como um momento de incapacidade de comunicação. Nada mais errado do que isso porque não adianta se esconder. Tem muitas empresas e estruturas de PR que evitam falar e eu acho que essa é a pior forma de lidar com a situação, pois, deste modo, você não constrói pontes com a rede em relação aos pontos que você quer deixar claro. No momento em que temos crises de reputação é preciso ter, no campo da emoção, a sensibilidade para ver de onde veem os ataques e reconhecer como válidas as questões que estão sendo levantadas.

Do ponto de vista racional, é preciso responder aos ataques e não ficar falando a sua verdade sem ouvir o outro lado. Com isso, a comunicação fica mais empática e cada vez menos unilateral. Por isso o PR tem uma ferramenta que o mundo do marketing não tem: o marketing fala em primeira pessoa e o PR conversa. Então, a nova gestão de crise é a gestão do diálogo.

O que você diria às empresas que pensam em que investir em sustentabilidade é um gasto e não um investimento?

Cada vez mais, sobretudo no Brasil, ocorreram crises de sustentabilidade gravíssimas, como no caso da Vale – uma empresa tradicional, que tinha uma reputação excelente e predominância de mercado. A crise de sustentabilidade matou dezenas de pessoas, derrubou o CEO e a gestão inteira. A crise afetou possivelmente de forma incontornável a imagem da empresa. Portanto, me parece muito claro que sustentabilidade não deve ser um discurso. Não pode ser green wash e não deve ficar alheio às preocupações do dia a dia. Sustentabilidade muda o destino das empresas.

Há uma mudança por medo, como essa que aconteceu com a Vale, e tem a mudança por desejo, que é querer um outro mundo, de formas com menos riscos para as futuras gerações. Sustentabilidade não é gasto, é um investimento maior do que o do P&L.

Acho que há um grupo grande de empresas que já entendeu isso e está se organizando em torno do sistema B. Claro que há graus diferentes de consciência e de tomada de posição, mas vejo que esse movimento apenas cresce e não diminui.

Também vejo que cresce o número de consumidores que optam por produtos dessa natureza, que fazem escolhas que às vezes independem do preço – porque pode ser mais caro ou mais barato. No mundo da indústria alimentícia, os Estados Unidos nos mostraram que o grande valor do mundo está em orgânicos ou em produtos conectados com claros processos farm to table, que tenham um volume menor de veneno.  Portanto, sustentabilidade não pode ser um discurso, é um investimento e não um gasto.

Qual é o impacto real que existe em produzir produtos naturais para as comunidades? Quais comunidades são favorecidas e quais são os benefícios?

São escolhas e quando a indústria tem uma escala que passou das dezenas de milhares de consumidores, ela pode fazer a escolha sobre o modo como ela quer produzir. É possível fazer tudo com a indústria tradicional. Porém, escolher envolver comunidades em processos ao longo da cadeia implica em uma certa doação de tempo, esforços e ciência para saber como fazer da melhor forma. Acho que isso acontece em muitas iniciativas de negócios e há uma tendência em tentar não fazer com que toda a produção seja tocada por grandes pessoas jurídicas.

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Miguel López-Quesada, presidente da Fundacom: “Em uma crise importante, os primeiros 40 minutos são críticos”

25 Abril 2019 |by Fundacom | Comentários fechados em Miguel López-Quesada, presidente da Fundacom: “Em uma crise importante, os primeiros 40 minutos são críticos” | Entrevistas | , ,

P: Quando falamos de comunicação em casos de crise, quais são os pontos-chave para resolvê-la com sucesso?

R: Dizem que o termo “crise”, em chinês, tem um duplo significado: o de crise e o de oportunidade. Na minha experiência, vivi algumas crises que realmente se tornaram uma oportunidade. Isso é possível quando as empresas ou instituições são capazes de demonstrar ao público que estão à altura das circunstâncias: com proatividade, confiança e levando a situação a sério. É por isso que algumas crises podem reforçar uma marca ou fortalecer a instituição quando demonstram o nível de comprometimento que têm com e para seus públicos.

Outro elemento-chave é o gerenciamento dos tempos. Em uma crise importante, os primeiros 40 minutos são críticos, e a organização já deve tomar, pelo menos, uma decisão a respeito, ainda que seja identificar o que está acontecendo como uma crise.

E não podemos esquecer das pessoas que compõem o comitê de crise, já que terão que tomar decisões para administrar os públicos internos e externos, e os públicos intermediários entre ambos, que são os informantes.

P: As novas tecnologias da informação implicaram em benefícios e riscos para as organizações. Na sua opinião, quais serão os maiores desafios que as organizações enfrentarão nos próximos 10 anos neste campo?

R: Atualmente, vivemos um momento de mudança e ruptura, que nos coloca vários desafios como o imediatismo da informação, o empoderamento da sociedade, as fakenews, entre outros. A própria evolução tecnológica e social levou à necessidade de nos adaptar às mudanças em velocidades inimagináveis.

As transformações estão acontecendo tão rapidamente que falar a longo prazo é uma grande aposta, considerando que as organizações já têm que fazer planos estratégicos para dois ou três anos. No passado, muitas das nossas organizações gerenciavam planos de até 5 anos, atualmente, a maioria deles é feito para o ano que se transcorre.

Se falamos sobre as tendências atuais, geralmente nos referimos ao big data, blockchain, fakenews, Inteligência Artificial, ao gerenciamento de reputação e da confiança, por exemplo. Mas o que é certo é que cada novo desenvolvimento traz, mais cedo ou mais tarde, a criação de uma norma ou regra. Como resultado disso, o maior desafio para as organizações poderia andar de mãos dadas com a hiper-regulação em diferentes campos.

Da mesma forma, outro dos desafios que teremos que assumir será o de desenvolver e melhorar a parte diretiva do dircom, já que, em alguns casos, continua a ser uma questão pendente que leva a muitas das nossas organizações a não falar a mesma linguagem diretiva.

P: Como você imagina o profissional de comunicação no futuro? Quais devem ser suas qualidades e capacidades?

R: Deverá ter uma grande capacidade de adaptação e aprendizagem, já que vivemos em uma era de mudança contínua, e dar um passo à frente não é uma opção, torna-se algo fundamental.

Desta forma, o dircom do futuro se apresenta como um profissional absolutamente transversal, uma vez que, além de suas funções em seu departamento, também deverá ajudar os outros departamentos a se comunicar da maneira mais eficiente possível. Terá que servir de apoio e fornecer ferramentas ou ideias para determinados agentes que compõem a organização.

Da mesma forma, o dircom deverá alinhar a comunicação com a estratégia da sua organização. Não basta apenas dizer o que está sendo feito, além disso, deverá fazer as coisas acontecerem. Também não podemos esquecer o compromisso que temos com a sociedade e fornecer à organização ferramentas de escuta para atender às demandas sociais.

P: Em breve, a fundação que você preside realizará a II Cimeira Ibero-americana de Comunicação Estratégica. Por que acredita que todos os profissionais de comunicação devam participar?

R: Não há razão para justificar que um diretor de comunicação não participe da CIBECOM’2019. Garantimos que as temáticas abordadas são de grande interesse para os comunicadores ibero-americanos, porque desenvolvemos um estudo preliminar sobre as questões que preocupam os dircoms nos dois lados do Atlântico e criamos os conteúdos de acordo com esses interesses.

Adquiriremos conhecimentos tecnológicos relacionados à inteligência artificial, cibersegurança, blockchain e smart data, entre outros, e para isso, contaremos com líderes mundiais, como, por exemplo, o diretor do laboratório do MIT, Brian Subirana, de onde surgiu o que conhecemos hoje como Internet of Things. A parte dedicada à emoção será representada por grandes estrelas e campeões mundiais, como Jorge Drexler, Alberto Contador, Javier Fernández e Toni Nadal.

A parte de adaptação tratará de temas socialmente comprometidos, como o assédio e a corrupção, a diversidade e inclusão, bem como as chaves sobre como gerar mudança na cidadania. Para isso, contaremos com Rosalía Arteaga, presidenta do Equador (1997); Camilo Granada, ex-conselheiro presidencial de comunicações da Colômbia; Mariano Jabonero, Secretário Geral da OEI, e Olga Pontes, diretora de compliance da Odebrecht.

Convido-lhes a rever o programa da cimeira para conhecer detalhadamente todas as mesas e conferências que se realizarão, em Madrid, nos dias 8, 9 e 10 de maio de 2019.

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