NOTICIA3-OPINION

Diante do medo da transformação digital, liderança, comunicação e transparência

Luis Pardo Céspedes

CEO y vicepresidente

Sage Iberia

CEO e vice-presidente da Sage Iberia desde 2014, Luis Pardo Céspedes tem uma vasta experiência que lhe dá uma visão panorâmica dos desafios da digitalização. Não fala apenas do ponto de vista do desenvolvimento tecnológico, mas também de uma perspectiva mais humanista, colocando ênfase em como as pessoas são o motor de toda mudança digital. É especialista em liderança, gestão de equipes multidisciplinares e intergeracionais, inovação estratégica e desenvolvimento empresarial. Em 2017 recebeu o prêmio de CEO do Ano na I Edição dos Prêmios Tecnológicos e Inovação do jornal La Razón. Luis Pardo é membro do Conselho Empresarial da CEOE, do Consejo Asesor de Promoción del Empleo e do Comitê da Câmara Britânica de Comércio na Espanha. Em 2016, publicou "O ABC do Autônomo" (Deusto).

O medo da mudança é o principal motivo por trás do boicote à transformação digital. A combinação de incorporar competências digitais e automatizar processos leva as empresas a alcançar a evolução da cultura corporativa digital, fazendo com que as empresas cresçam e se tornem mais eficientes. Por isso, a gestão correta da mudança é vital para facilitar a adaptação e o desenvolvimento individual de todos os profissionais que compõem a empresa.

Gerenciar a mudança exige, portanto, líderes comprometidos que entendam o que significa ser e pensar digitalmente e que inspirem suas equipes a participarem da mudança. Porque esse é, precisamente, o verdadeiro sucesso da transformação digital: que os funcionários sejam motores, e não freios, do processo. Mas, para obter essa implicação, há duas exigências fundamentais na gestão, que devem ser praticadas pelos líderes: a comunicação e a transparência.

Quatro chaves na comunicação de mudança

Ao contrário do que se acredita, a transformação digital não se trata de tecnologia, mas sim de pessoas. A evolução do mercado de trabalho nos últimos anos e a crescente demanda por habilidades digitais fazem com que muitos profissionais sintam vertigem e rejeição diante desse fenômeno. Serei capaz de desempenhar minhas tarefas no âmbito dos novos processos digitais? Vou perder meu emprego? Minhas tarefas serão realizadas por um millennial? Um robô fará isso?

Aplacar esses medos e inseguranças é responsabilidade dos líderes, que devem inspirar sua equipe sendo os primeiros a adotar as mudanças. O gestor deve contagiar às equipes de seu pensamento digital e as acompanhar durante o processo, incentivando os profissionais a inovar e não pararem de se reinventar, tendo empatia por eles e mostrando-se próximo e acessível para resolver todas as suas dúvidas.

A transformação empresarial não é alcançada sem a renovação de pessoas e a comunicação é a ferramenta para alcançá-la. Somente com isso é possível que os profissionais passem da insegurança para a segurança, da rejeição para a aceitação e de ter uma atitude cética para participar ativamente do processo. E assim, com a introdução à digitalização, começa a evolução da empresa.

Somente assim, e com quatro aspectos fundamentais para se comunicar com transparência, serão alcançadas a tranquilidade e a segurança dos trabalhadores e o envolvimento e participação ativa na mudança desde o início do processo:

  1. Embora pareça óbvio, é preciso comunicar a decisão do investimento em transformação digital, as razões da decisão e os objetivos que se deseja alcançar com ela.
  2. É necessário comunicar o que a mudança implica, em que tecnologias se vai investir e como as mesmas modificarão os processos que até agora estavam estabelecidos.
  3. A inspiração desempenha um papel fundamental neste processo de transformação para alcançar o sucesso. Para conseguir isso, é essencial ter uma conversa direta entre o líder e cada membro da equipe, para lhe explicar qual é seu papel no novo paradigma corporativo, o que se espera dele, quais habilidades deve aprimorar e que treinamento receberá para se adaptar às novas competências necessárias.
  4. Finalmente, com o objetivo que o processo de revolução empresarial seja transparente aos olhos de todos, este mesmo exercício deve ser feito no nível das equipes de trabalho para que compreendam quais são seus novos objetivos e quais ferramentas digitais utilizarão para alcançá-los, bem como qual é a nova carga e distribuição de trabalho entre os diferentes membros.

Colaboração e empoderamento dos trabalhadores

A colaboração é um dos grandes marcos da digitalização e o trabalho conjunto dos departamentos de recursos humanos e comunicação interna é fundamental para explicar à equipe que a transformação digital implica em adotar melhores ferramentas que lhes farão crescer profissionalmente, no ritmo que fazem a empresa, o mercado de trabalho e a indústria.

Implementar e aprender a usar a tecnologia de aplicação empresarial lhes tornará mais produtivos pela automação de tarefas repetitivas, podendo investir esse tempo em tarefas com valor agregado e maior implicação intelectual.

Esse aumento da produtividade e a aquisição de novas competências se traduzem no empoderamento dos funcionários, que são protagonistas e embaixadores da mudança e se sentem parte ativa da missão comum da empresa: a transformação da cultura organizacional.

A transformação digital empresarial é um investimento a médio e longo prazo. Perceber os efeitos de uma mudança requer tempo e, muito importante, paciência e confiança para alcançar o alinhamento das habilidades dos funcionários com as novas plataformas digitais adotadas.

Todos nós testemunhamos o desaparecimento de grandes empresas por não saberem se adaptar. A digitalização é vital para que as empresas sobrevivam em um contexto de economia digital, e a comunicação e a transparência são fundamentais para diminuir os riscos criados pela incerteza gerada por esse fenômeno. Sem esses dois ingredientes, os processos de mudança empresarial não serão possíveis.

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