Comunicação responsável em tempos incertos

Pablo Cattoni

Diretor de Assuntos Governamentais e Políticas Públicas - General Electrics CALA

Presidente - CPRP

É desde 2017 o presidente do Conselho Profissional de Relações Públicas da República Argentina, a instituição mais representativa do setor de comunicação institucional do país.

Desde o início de sua administração, o Conselho renovou sua visão de longo prazo para restaurar o prestígio e a relevância que busca a entidade, como um farol da profissão na Argentina. Propôs diferentes linhas de trabalho que visam atualizar a oferta de valor para seus membros e reunir colegas que agora veem nele um espaço ativo e em constante movimento, que lhes permite impulsionar seu desenvolvimento profissional e pessoal.

Além disso, Pablo Cattoni é, desde novembro de 2019, Diretor de Assuntos Governamentais e Políticas Públicas da GE (General Electric) para a região CALA (Área Central da América Latina), que inclui os mercados do Cone Sul, Região Andina, América Central e o Caribe.

Seu cargo agrega a responsabilidade de coordenar a agenda pública das diferentes áreas de negócios da empresa e a estratégia regional de relacionamento com atores políticos em diferentes níveis de governo. Da mesma forma, atua como a principal referência diante de câmaras e outras instituições sociais, comerciais e industriais.

Antes de ingressar na GE, Pablo Cattoni trabalhou por seis anos na Dow Argentina como Diretor de Assuntos Públicos e Governamentais. Anteriormente, ocupou vários cargos na área de Assuntos Corporativos da empresa de tabaco Nobleza Piccardo (British American Tobacco), trabalhou como Gerente de Relações com os Meios de Comunicação na Shell Argentina e foi responsável pelo Departamento de Comunicações da então Secretaria de Turismo da Nação. Iniciou sua carreira profissional em consultorias de relações públicas.

Pablo Cattoni tem 41 anos, é casado e tem três filhos. É formado em Comunicação Social pela Universidade Austral e possui mestrado em Gerenciamento de Comunicação em Organizações (Universidade Austral) e mestrado em Administração e Políticas Públicas (Universidade de San Andrés). É professor de temas relacionados à comunicação institucional e gestão de interesses em diversas universidades.

Entre outros reconhecimentos, em 2016 ele foi premiado pela revista Imagen como o “Comunicador do Ano” e, em 2018, foi reconhecido pela revista Apertura e pelo jornal El Cronista, as publicações de negócios mais relevantes da Argentina, como o "DirCom do ano”, na primeira oportunidade que esse grupo de mídia concedeu esse prêmio.

Mais uma vez, as organizações comprovaram o papel fundamental que tem a comunicação. A busca pela redução da incerteza e a necessidade de levar a seus públicos informações relevantes e adequadas neste contexto sem precedentes de pandemia, mais uma vez recordam a relevância da comunicação como atividade central para seu desenvolvimento.

Em momentos de isolamento, a comunicação buscará interpretar o ambiente e interagir com ele para gerar confiança, eliminando medos e inseguranças, adiantando e apresentando cenários sem alarmar, exagerar nem minimizar, convidando à reflexão comum, divulgando ações e valores, mostrando o impacto e apresentando ideias para sair da situação com sucesso.

Nesse contexto, as organizações são responsáveis ​​pelos efeitos dessa comunicação no espaço público. Como atores de relevância social, devem estar cientes de que suas ações e suas mensagens têm um impacto que vão além de sua cadeia de valor. Assim, se convertem em criadoras da cultura, em desenvolvedoras de valores sociais de maior ou menor influência.

A comunicação é, em essência, uma atividade humana e baseada no diálogo. Como tal, necessita da interação entre as pessoas para desenvolver seu potencial. Estas, em um modelo simplificado, buscarão basicamente construir uma nova realidade superadora por meio da troca de mensagens, pensamentos ou emoções. Este novo estágio pode, por sua vez, continuar evoluindo a partir de novos contatos que seguirão a moldar o espaço em que nos desenvolvemos.

Em tempos de aprofundamento da intermediação tecnológica, as trocas geram uma velocidade ainda maior, quase inacessível, e o fator humano assume uma nova dimensão, é reconfigurado e potencializado. É por isso que o profissional de comunicação tem uma responsabilidade que vai além seu trabalho diário na organização que representa ou assessora.

Um desses compromissos é com a veracidade das informações. Deve tomar decisões com base em bancos de dados oficiais e não sobre rumores ou vazamentos, muito menos replicar mensagens cuja origem não é conhecida. Não pode se tornar um eco de campanhas cujos objetivos são desconhecidos ou reproduzi-las sem questionar sua origem.

Além disso, em momentos como o atual em que, de repente e como nunca havia acontecido antes, todas as organizações entraram em uníssono no “modo de crise”. Em situações de incerteza pelas quais todos passam juntos, a ajuda entre colegas ganha força: é bom saber quais decisões os outros tomaram e o raciocínio por trás dessas ações, pensar colaborativamente para além de objetivos particulares.

É necessário ter uma atitude humilde e de aprendizado contínuo para estar de acordo com os requisitos da época. Acompanhar, estar ao lado, ter a humildade de pedir ajuda e a generosidade para oferecê-la. O crescimento particular ocorre em um ambiente de plena colaboração, no qual os colegas podem aprender uns com os outros, compartilhando experiências, disseminando boas práticas, expandindo conhecimento e construindo o caminho conjunto.

Isso possibilita a cooperação entre os atores sociais para alcançar o sucesso compartilhado e assim, naturalmente, favorecer o desenvolvimento individual, tendo sempre a ética e a integridade como princípios norteadores.

Deve-se transformar o diálogo e a escuta em ferramentas fundamentais de gestão. Fortalecer a empatia e agir corretamente para se comunicar da maneira mais eficiente. Hoje, mais do que nunca, comunicar é escutar. Ações individualistas, que buscam apenas um posicionamento próprio, estão desconectadas das exigências dos públicos.

Hoje estamos pedindo para fortalecer essa visão do contexto, fazer contribuições concretas, sem comunicações vazias, gerar valores e apoiar esforços coletivos. Nesse sentido, é importante fortalecer a interface entre o mundo corporativo e as organizações sociais com as autoridades políticas e, assim, entender que relacionamentos virtuosos podem ser gerados por meio de diálogos éticos e transparentes.

Os tempos que virão necessitarão de uma construção coletiva e colaborativa baseada no diálogo, na qual os profissionais de comunicação terão papel protagonista como conexões fundamentais entre as organizações e seu entorno, como elos para aproximar extremos por meio da transparência, honestidade, clareza e proximidade.

Os ensinamentos permanecerão após essa experiência de solidariedade e de cuidado comunitário sem precedentes. A comunicação institucional é uma função acostumada ao contato pessoal, às conversas, ao encontro. A transformação digital das organizações teve com a quarentena uma aceleração que mudará para sempre as formas de interação. Agora sabemos que podemos trabalhar a distância, que interesses podem ser gerenciados por teleconferência, que não servem de nada a superexposição individualista ou falta de escuta, que replicar informações sem verificação ou sustentação pode ser tão perigoso quanto a própria doença.

Esperamos que a evolução seja ainda mais profunda e os profissionais de comunicação possam ajudar uns aos outros para nos preparar para a sociedade que surgirá quando sairmos de casa. Temos que focar em nós mesmos, para que, nesses tempos, não estarmos alheios ao contexto e sermos um fator de mudança nas organizações que fazemos e representamos.

Devemos ter consciência de que somos protagonistas ativos da transformação do espaço público e da construção de um ecossistema social. Temos uma responsabilidade. Mais uma vez, somos confrontados com uma oportunidade única de fazer as coisas de uma maneira diferente. Depende de nós aproveitar ou não essa oportunidade.