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NOTICIA5-OPINION

Na era da infobesidade, a reputação é essencial para sobreviver

Daniel Romero-Abreu

Fundador e Presidente

Thinking Heads

Daniel Romero-Abreu tem mais de quinze anos de experiência em posicionar estrategicamente líderes como especialistas em seu setor. Desenvolveu uma metodologia única que vai além da barreira da marca pessoal e coloca seus clientes como referenciais de disseminação e pensamento em suas diferentes esferas profissionais, empresariais e institucionais. Essa metodologia de posicionamento é o resultado obtido com a assessoria de presidentes de governo, CEOs, economistas, atletas, escritores e pensadores, e se baseia na identificação do talento e de seu aprimoramento por meio da identificação de seus públicos estratégicos e canais, gerando assim um valor social a partir do pensamento e do conhecimento. Em 2015, tornou-se o primeiro não anglo-saxão e o mais jovem presidente da International Association of Speakers Bureaus (IASB). É economista e advogado. Atualmente está preparando o lançamento de seu primeiro livro, em que conta as chaves para o posicionamento pessoal que fizeram dele um especialista neste campo.

Na era da superabundância de notícias, estamos experimentando uma mudança fundamental de paradigma em nossa relação com o conhecimento. A partir da “era da informação” estamos nos aproximando à “era da reputação”, na qual a informação terá valor apenas se já tiver sido filtrada, avaliada e comentada por outros. Atualmente, a reputação tornou-se um pilar central da inteligência coletiva. É a guardiã do conhecimento.

Gloria Origgi, filósofa italiana e pesquisadora do Centro Nacional Francês para a Pesquisa Científica (CNRS), cunhou este conceito em um artigo intitulado “Diga adeus à ‘era da informação’: Tudo se trata de reputação agora”. “Há um paradoxo no campo do conhecimento, que desempenha um papel central nas democracias liberais e hiperconectadas: quanto maior o volume de informação que circula, mais utilizamos e nos apoiamos em dispositivos de reputação para avaliar os dados”, diz Origgi.

“O que torna esse fenômeno paradoxal é que o vasto aumento em nosso acesso à informação e ao conhecimento que experimentamos hoje não nos capacita nem nos torna mais autônomos a nível cognitivo. Pelo contrário, nos torna mais dependentes de julgamentos e opiniões de terceiros”, acrescenta. Portanto, ninguém deveria se surpreender que a reputação agora prevaleça sobre a informação, porque estamos experimentando uma crise de confiança sem precedentes no mundo.

O perigo da infobesidade

Em 1997, quando o Facebook, o Twitter e as redes sociais ainda não existiam, William Van Winkle calculou que uma única cópia da edição de domingo do New York Times continha mais informações do que um europeu do século XIX poderia adquirir em toda sua vida. Como é normal, achamos impossível absorver toda essa informação e ficamos desconcertados. Assim, buscamos a tendencia a nos especializar. Em que nos especializamos? Especializamos-nos no que é importante para nós, no que nos interessa, naquilo que somos apaixonados. Normalmente, serão nossos hobbies ou nosso trabalho.

Daniel Levitin explica, em seu livro “The Organized Mind”, que em 2011 um americano recebia cinco vezes mais informações por dia do que em 1986, o equivalente a 175 jornais; durante nosso tempo de lazer, ouvimos cerca de 100.000 palavras; as redes de televisão produzem diariamente 85.000 horas de novos conteúdos, em 2016 se subiam 300 horas de vídeo para o YouTube por minuto…

Nosso cérebro tem a capacidade de processar toda a avalanche de informação que recebe diariamente a uma velocidade estimada em 120 bits por segundo (um iPhone 7 tem um processador de 64 bps), mas não sem pagar um preço: nos cansamos e temos dificuldades para separar o trivial do importante. Para este excesso de informação que recebemos, foi dado o nome de infobesidade ou sobrecarga de informação: a sensação de ter muita informação sobre um tema, o que resulta em ansiedade, paralisia e frustração.

Economia de atenção

Diante da abundância e da acessibilidade da informação, a atenção humana começa a ser considerada como um recurso escasso. Se até poucos anos atrás era possível gerenciar audiências, que eram monoplataforma e cativas, hoje a promiscuidade é uma constante. Atrair a atenção do público, ganhar sua confiança, gerar interesse contínuo e convencer são a estratégia correta. E como fazemos isso?

A atenção depende de dois fatores: o interesse, que depende fundamentalmente do conteúdo e do contexto; que depende do momento, da situação ou do lugar em que esse conteúdo é recebido. Ambos são essenciais, porque prestaríamos pouca atenção a um conteúdo de alta qualidade recebido em um momento inadequado.

Diante dessa situação, o que qualquer pessoa normal faz é, primeiro, bloquear-se, e depois selecionar intuitivamente apenas o que lhe interessa, seja porque a entretém, porque se relaciona com sua profissão ou porque tem a ver com seus hobbies e paixões. A tendência natural é procurar referências, e essa busca será baseada na sua reputação, porque não temos tempo nem ferramentas necessárias para processar a quantidade de notícias que são emitidas, muitas delas falsas.

É por isso que agora é mais necessário do que nunca que o especialista se concentre e aprofunde um tema. Ter um conhecimento vertical, ou especializado, nos torna valiosos para a sociedade. Se você parar para refletir por um momento, encontrará exemplos no seu dia a dia. Quando foi a última vez que alguém lhe pediu conselhos em uma situação que não entendia muito bem ou lhe pediu ajuda para fazer algo? O que faz você valioso para aqueles ao seu redor e no que você é referência para eles?

Na era do excesso de informação, é necessário trabalhar esse posicionamento pessoal que o distinguirá dos outros e que poderá ser usado para melhorar o mundo, para alcançar relevância em seu entorno, para aproveitar mais o seu trabalho e seus hobbies e, por que não, para transformá-los em uma fonte de renda.

Interação regular e direta

Outra mudança que ocorreu é que os novos especialistas não precisam estar vinculados a uma organização de marca. Em vez disso, sua reputação é construída por meio da interação regular e direta com o público que usa a Internet e as redes sociais. Um exemplo recente disso é o rápido crescimento do acadêmico Jordan Peterson.

Peterson era um professor pouco conhecido de psicologia na Universidade de Toronto até 2016, quando começou a publicar uma série de vídeos no YouTube criticando o politicamente correto. Mais tarde, ele deu uma entrevista nas notícias do canal 4 que se tornou viral e seu livro “12 Regras da vida” se tornou um best-seller. Agora tem mais de 500.000 seguidores no Twitter. Outro exemplo é o de Tyler Cowen, cujo blog permitiu que ele divulgasse amplamente seu conhecimento acadêmico para se tornar um dos principais pensadores americanos.

Entramos na era em que a reputação dos indivíduos é a fonte da autoridade.

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