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A comunicação facilita a liderança e a liderança a comunicação

Nuria Moreno

Assessora de Comunicação

Alta Dirección

Nuria Moreno é Assessora de Comunicação para a Gerência Executiva, escritora e palestrante. Já treinou centenas de Managing Directors de importantes multinacionais, instituições públicas, escritórios de advocacia de destaque e partidos políticos. Colabora com consultorias de comunicação na formação de porta-vozes, como analista de linguagem corporal em programas de televisão e como docente em universidades. Sua formação acadêmica internacional conta com uma Especialização em Comunicação Não-Verbal (Universidade de Alcalá de Henares) e duas licenciaturas, Filologia Inglesa (Universidade Autônoma de Madrid) e Tradução de Inglês e Alemão (Johannes Gutenberg Universität Mainz, Alemanha). Nuria desenvolveu sua própria metodologia para trabalhar a marca pessoa baseada em comunicação não-verbal e é especializada em detectar talentos. Sua vocação é impulsionar as pessoas que desejam dar um salto profissional de acordo com seu propósito de vida. Oferece seus serviços em espanhol, inglês e alemão.

Às vezes observamos uma pessoa e vemos integridade, outras vezes percebemos liderança. Alguns apresentadores têm presença, outros, carisma. Como ocorre isso? Como o carisma é adquirido? Onde você compra? Na Amazon? Alguns mal abrem a boca e já chamam a atenção de todos, outros falam rapidamente, e são interrompidos no ato, outros falam sem parar, mas pouco dizem e, também, pouco importa, porque eles nem sequer são ouvidos. Com o que têm a ver essas coisas? Muito fácil, a maneira como comunicamos tem a ver, em primeira instância, com a nossa natureza. Você não pode transmitir o que você não tem. Se você tem foco, força e estrutura, isso é visto na concretude no discurso e na postura firme e estável no corpo. Se, por outro lado, houver dispersão e uma emocionalidade pouco estável, uma posição corporal reta, ereta, sólida e forte não estará presente, ao contrário, haverá movimento nas pernas e pés pouco firmes no solo.

Como nos comunicamos influencia nossa liderança e, por sua vez, como lideramos tem a ver com a forma como nos comunicamos. Porque tudo é uma mesma coisa. As pessoas são um sistema holístico onde tudo está relacionado, não podemos trabalhar a liderança sem trabalhar, ao mesmo tempo, confiança, gestão emocional, autoestima, assertividade, firmeza e uma longa lista de qualidades.

De acordo com isso, vamos analisar o líder em profundidade da cabeça aos pés. Como se reconhece o líder? Quais são as suas características pessoais e sua expressão física? E como se trabalha a comunicação com liderança e vice-versa, através do desenvolvimento das habilidades comunicativas do líder?

Em primeiro lugar, a coisa mais básica que o líder deve ter é estrutura. A pessoa não floreia, é breve, enumera, dá dados e exemplos concretos. Em sua forma física, há retidão. A pessoa é forte, as pernas não se dobram, não há balanço. Um líder com os pés no chão é reconhecido precisamente por isso: pés paralelos, bem enraizados, voltados para a frente, com uma postura firme e estável. Pés posicionados assim nos levam imediatamente para o aqui e agora, a pessoa não está fantasiando, age no mundo concreto, anda em linha reta, não se deixa levar. É realista, não desperdiça tempo ou energia em missões impossíveis. O líder executivo é caracterizado por uma alta autoestima, confiança projetada, determinação. Como ele tem muita certeza de si mesmo, não precisa projetar as pernas excessivamente, fazendo um triângulo, para se posicionar. Não precisa se tornar maior para ser, para estar ou para se impor. O foco está na ação, na concretização, nas metas, nos feitos. É o líder executivo. A partir dele, geramos a capacidade de transmitir confiança e segurança.

Em segundo lugar, uma vez que haja estrutura, foco e realidade, a próxima coisa que um líder precisa ter é uma boa gestão emocional. Essa capacidade é medida pelo movimento. Tudo o que nos emociona nos move. E, por sua vez, nos emocionamos, quando nos movemos e somos capazes de comover. Se ao líder dos objetivos lhe caracteriza o plano vertical, sua presença, retidão e estabilidade; ao líder das pessoas lhe caracteriza o plano horizontal, tudo o que se move da cintura para cima, em expansão e conexão. Tronco, braços, mãos, cabeça e expressão facial, são a expressão de afeto. As pernas mostram posição, rigor, profissionalismo; os braços, por outro lado, são a extensão do coração, estão ali para doar, servir, conectar e abraçar. O primeiro segue em frente, para si; o segundo, com uma equipe. Se uma pessoa, portanto, move as pernas ao falar, com vaivéns, balanceios altivos, enquanto seu rosto permanece hierático, sua liderança está plantando bananeira.

O importante na hora de observar o movimento e seu significado é reparar no que se move e como se move, isto é, se o movimento é excessivo ou consistente. Na comunicação não-verbal, tudo o que é exagerado é mentira e, portanto, retira da pessoa credibilidade e autenticidade, o que, como dissemos no artigo anterior, é a maior barreira que pode existir entre um comunicador e seu público. O carisma tem a ver com isso, com autenticidade, com a capacidade de nos mostrar. Uma pessoa que se esconde, que não se entrega, com as mãos para trás, ou dentro dos bolsos, que anda de lado ou que não olha para os outros, não pode irradiar carisma.

A pessoa com boa gestão emocional é expressiva a nível facial, que é onde se encontra os sentidos e, portanto, onde melhor podemos gerar a conexão com o outro. A próxima coisa que tem grande importância são as mãos, que devem se mover de uma maneira consistente com o que é dito, reforçando o discurso, e permanecendo à altura do tronco, denotando igualdade, e não inferioridade ou superioridade; não devem estar escondidas ou demonstrar tensão. Deixe-as mover-se livremente e com desenvoltura. Os braços não devem estar grudados ao corpo, demostrando pequenez, e sim abertos, com o tronco posicionado para frente e não de lado. Onde você não pode deixar escapar um movimento de forma descontrolada são nas pernas, com balanços, vaivéns ou pulinhos. O movimento serve para emocionar, para comover. Sem movimento não há afeto, não há tato, e o movimento não é visto apenas no corpo, mas também na voz, na variedade tonal, na intensidade, na ênfase, no ritmo e no volume. Movimento e emoção são, portanto, a base da comunicação, não podem ser restringidos, bloqueados ou estar ausentes. O líder que se conecta, se move e se emociona de forma natural é o líder das pessoas. A partir dele, geramos a capacidade de gostar, persuadir, contagiar e conquistar o outro.

Já temos, até agora, um líder que é governado por uma forte vontade de alcançar objetivos, orientado para a ação, mas que cuida das pessoas. Ao comunicar, tem firmeza e autoridade, mas também tato. O que estaria faltando? O tempo e o espaço, ou em outras palavras, a capacidade de escuta, de calma, de serenidade. Um líder que não escuta não é um líder, assim como falar não significa se comunicar. Para se comunicar, você deve saber quem está enfrentando, como é essa pessoa, o ela necessita, o que a move, o que lhe interessa. Para isso, você tem que ouvir. O bom comunicador sabe como adaptar seu discurso às pessoas com quem lida. O primeiro requisito é escutar. E a escuta é feita com todos os sentidos. Nós podemos ouvir com nossos olhos, por exemplo. Escutar tem a ver com ver o outro. O que caracteriza a escuta é a capacidade de introspecção e reflexão. A pessoa tem um mundo interior rico, desfruta dos espaços consigo mesma e de atividades tranquilas como ler, caminhar ou contemplar. Sua vida não é governada pela ação. Não corre. Quando ela sai para falar diante de um público, esse tempo e espaço lhe permitem que ela esteja em si mesma. Não se apressa. Não se movimenta em excesso. Não fica nervosa.

Uma pessoa que vive no imediato não desenvolve a escuta. A pessoa assim, não é dona de seu tempo, não controla o ritmo, nem a velocidade, mas vive dominada pela pressa, e isso a torna incapaz de refletir e escutar enquanto fala. A escuta é dada pela necessidade de parar e entender o significado profundo das coisas que nos acontecem e que chamam nossa atenção. Impulsos e emoções tornam-se sentimentos profundos através da escuta. Quando a pessoa tem espaço, isso é visto. O espaço interno gerencia as emoções e as regula, é por isso que a pessoa com capacidade de escuta não fica nervosa, não perde a compostura, não interrompe, não falta com respeito, não insulta, mas espera, tem paciência. Não há descontrole. Não há excesso. A voz é suave, a pessoa usa silêncios, pensa antes de falar, não esquece nada do que quer dizer, argumenta em detalhes do começo ao fim e o uso das palavras que emprega é seletivo e refinado. A escuta também tem a ver com atenção, com o respeito e com a qualidade e o calor do vínculo. Quão importante é a escuta! A partir disso, iremos gerar a capacidade de desenvolver um conceito complexo, e, se tudo que já foi dito está bem, se o líder executivo e o líder das pessoas estiverem no seu devido lugar, o racional é capaz de fazer o complexo algo simples, para que todos entendam. Este é o líder ideológico. Um grande conhecedor. Se a pessoa é racional, mas lhe faltam os pés e os braços, ou seja, se falta a ação ou a emoção, a pessoa poderá desenvolver conteúdos muito complexos, será capaz de gerenciar e regular suas emoções, será respeitosa, não vai se atropelar, mas não será capaz de se comunicar, de fazer esses conteúdos compreensíveis e úteis, e de alcançar seu público.

Três capacidades básicas deve ter um bom comunicador: a capacidade de concretização, a capacidade de conexão e a capacidade de reflexão. Se alguma delas não estiver presente, não será possível ser um bom comunicador. Três capacidades básicas tem que ter um líder: a orientação por objetivos, a gestão emocional e a escuta, ou em outras palavras, a competência prática, a emocional e a racional. Se alguma dessas três não estiver presente, não é possível ser bom líder.

Há um processo e há uma ordem na evolução do líder. Se o primeiro não está presente, o intelecto perde a conexão com a realidade e com os outros, apenas se comunica em um nível intelectual. Isso não é comunicar. Muitas vezes também se cai no elitismo e na prepotência. Vive-se no mundo das ideias. O corpo não está presente. As mãos vão para a cabeça. As costas ficam curvadas. Os olhos leem, não olham, não conectam. A partir desse ponto, o erudito não alcança as pessoas, nem é efetivo. Está resguardado nas palavras e nos conceitos. Para comunicar, é preciso tocar os corações. É preciso comover. E é preciso ser concreto e realista.

Além dessas três qualidades, há um quarto fator que nos permite levar mais adiante a comunicação e a liderança, a capacidade de serviço. A pessoa com essa qualidade tem uma grande capacidade de análise, visão de conjunto e intuição. Sua necessidade de servir faz com que ela tenha uma visão global. Não se trata de mim, na primeira pessoa, nem sobre as minhas coisas, em primeiro lugar, minha família, meu país. Não. Diz respeito a todos, a humanidade como família, o global é o primordial, as coisas que nos afetam como sociedade e como humanidade. E a visão de longo prazo. Essas pessoas são fortemente regida pelos valores e, a partir desse ponto, com grande humildade, conseguem mobilizar as massas e transformar o mundo, colocando-se a serviço sem qualquer interesse pessoal, exceto ao de servir a uma causa maior que a si mesmas e serem fieis, isso sim, ao propósito de sua alma, com a qual estão fortemente ligadas. Quando falam, têm a virtude de captar a atenção e, de maneira muito sutil, entrar em um espaço intacto dentro das pessoas, ativando nossa consciência individual e coletiva. É o líder transformacional. Um grande sábio. Ele tem uma grande capacidade de análise e sabe como chegar à essência das coisas, ao que realmente importa. Não se move no mundo das ideias, das informações e dos dados, como o racional, mas no mundo das essências, das verdades últimas e universais. Tem uma grande capacidade de discernir, uma grande consciência do que realmente importa. A partir dele, geramos a capacidade de comover, sensibilizar e transformar em questão de segundos. As pessoas evoluem muito lentamente. Mas quando a consciência entende, a mudança é imediata.

Quatro competências básicas desenvolveram o ser humano ao longo da evolução das espécies com base em nossa necessidade vital de sobreviver, de pertencer, de compreender e de servir aos outros: a competência prática, a emocional, a intelectual e a social. Quatro habilidades básicas que são regidas por quatro mecanismos. Ação, emoção, razão e intuição têm um modo de comunicar em profundidade e forma, em corpo e alma, verbal e não-verbal. Em termos de comunicação não-verbal, correspondem-se com um mapa mental, uma emoção básica, uma configuração bioquímica, uma preferência cerebral e uma forma corporal. Você sabia que a comunicação não-verbal abrange todas essas áreas?

Com base nessa tendência em cada pessoa, sabemos qual é sua necessidade vital e sua maior motivação, o que governa seus hábitos, sua maneira de se comportar, evoluir, liderar e de se comunicar. É muito fácil e lógico, certo?

Nossa oralidade e nossa corporeidade mostram que nível de habilidade alcançamos em cada uma dessas competências e, com base nisso e em nossa natureza, haverá em nós uma preferência segundo a qual podemos falar de quatro tipos de liderança: a executiva, a pessoal, a ideológica e a transformacional.

No entanto, o ser humano é complexo, todos nós temos de tudo. Além disso, essa natureza pode estar em equilíbrio ou desequilíbrio. Eu sei, aqui as coisas ficam complicadas. Nem tudo seria tão fácil assim. Todos nós temos tudo, sim, mas todos temos uma tendência preferencial. O bom comunicador não pode mostrar apenas sua tendência natural, ele tem que mostrar que possui as quatro competências, e alterná-las, mesmo que uma delas seja inata. O caminho é observar a nossa natureza, quando e como ela se fortalece ou se desequilibra, quando vai para o polo negativo e como se reorganiza. O que vai bem e o que vai mal, o que está freado ou restrito. Como dissemos no artigo anterior, se estamos na marca ou na contra marca. A partir dessa reflexão, podemos trabalhar a liderança através da comunicação e vice-versa. Baseado em quem somos.

Trabalhar a comunicação é trabalhar a identidade, é transformação pessoal e é evolução. Mas isso vamos ver no próximo artigo.

E você, que tipo de líder é?

 

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