A digitalização da comunicação se acelera

Javier Fernaud

Coordenador de Comunicação

Casa América

Jornalista especializado em comunicação institucional e gestão de conteúdos digitais e redes sociais. Tem ampla experiência em comunicação digital na administração pública espanhola. Trabalhou em diferentes edições digitais de vários jornais e agências de notícias.

Desde janeiro de 2020, dirige a comunicação institucional da Casa de América, especialmente voltada nos últimos meses para o ambiente digital e das redes sociais. Coordena as atividades e a equipe do departamento, assim como a estratégia de relacionamento com os meios de comunicação, de redes e de relações com a mídia.

Encarregado pela comunicação das atividades da Casa de América Latina e Espanha. Também é responsável pela colaboração com o programa Conversas na Casa de América da RTVE e por convênios com diferentes meios e agências de notícias.

Antes de assumir a direção de comunicação da Casa de América, foi community manager do Ministério do Interior e responsável por conteúdos digitais desse ministério (2018-2019).

De 2010 a 2018, foi conselheiro técnico de comunicação institucional da Fundação Espanhola para a Ciência e Tecnologia (FECYT, em sua sigla em espanhol), responsável por conteúdos digitais e de redes sociais. Entre 2007 e 2010, dirigiu a comunicação do Escritório Europeu do Ministério de Ciência e Inovação, o que incluiu a comunicação de eventos relacionados à Presidência Espanhola do Conselho da União Europeia no primeiro semestre de 2010.

No início de sua carreira profissional, trabalhou no diário El Mundo, na Agência Servidemia e no jornal El País.

Tem 40 anos. É formado em Jornalismo pela Universidad Complutense de Madrid (2005) e possui mestrado em Jornalismo e Comunicação de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente pela Universidad Carlos III de Madrid (2007), onde foi professor posteriormente.


Desde o início do Estado de Emergência na Espanha, em 14 de março, todas as instituições e espaços relacionados à cultura, em que recebemos regularmente público, tiveram que propor novas estratégias para se manter conectado com nossa audiência.

Para os departamentos de comunicação das instituições, foi um grande desafio. Especificamente, na Casa de América, tivemos que redirecionar toda a nossa programação para o ambiente digital. Nos últimos tempos, já tínhamos percebido a necessidade de adaptar a programação a novos públicos e de aumentar a presença digital e em redes sociais de uma instituição como a nossa como uma necessidade estratégica.

Quando analisávamos as visitas ao nosso canal do YouTube, víamos que 81,8% de nossas visualizações eram de países da América. E o público neste canal e em outras redes sociais é mais jovem e com interesses às vezes diferentes daqueles que seguem pessoalmente nossos atos.

Nesta situação de confinamento devido à pandemia, tivemos que pisar no acelerador para garantir que conseguiríamos fazer uma programação digital de qualidade que não fosse apenas uma mera replicação dos atos que realizaríamos presencialmente no campo digital. Esse foi um desafio especialmente no âmbito da comunicação, porque teríamos que adaptar o que íamos fazer.

Fizemos alterações na forma e na substância desses atos. Em relação à forma, optamos por vários tipos de peças, sempre procurando formatos de vídeo curtos, dinâmicos, usando imagens como recursos e músicas que enriqueceram as peças. Também estamos realizando inúmeros eventos ao vivo: debates, conversas, apresentação de relatórios etc… sobre questões atuais e de interesse da comunidade latino-americana. Estamos realizando essas transmissões à tarde para facilitar seu acompanhamento pelo público latino-americano.

E, quanto à substância, foi aberta a oportunidade de ter palestrantes latino-americanos em praticamente todos os nossos eventos e trazer para a Casa de América escritores, economistas, cineastas, cozinheiros e outros artistas que, de outra forma, não seriam possíveis. O campo digital ampliou nossa capacidade de imaginar outros tipos de eventos nos quais o único requisito para participar é ter um dispositivo conectado à Internet.

Penso que, quando superarmos essa pandemia, muitas dessas transformações digitais permanecerão conosco. Certamente não no ritmo frenético que temos atualmente, mas certamente nos formatos que conseguiram atrair e fidelizar o público. Para uma instituição como a Casa de América é, sem dúvida, uma grande oportunidade para ampliar o foco de nosso público e conectar melhor Espanha e Ibero-América.

Em nossas redes sociais, reforçamos nossa presença e ações a partir dos eventos, propondo pesquisas, lives com alguns dos palestrantes e buscando maior interação com nossa comunidade. E isso pressupõe o desafio de ter ferramentas poderosas para medir o impacto nas redes e o sentimento positivo ou negativo gerado por nossa atividade digital.

Para garantir que o público saiba o que estamos fazendo, optamos por aumentar a frequência de nossa Newsletter, que passou de quinzenal a semanal. Por outro lado, estamos trabalhando para fazer alterações em nosso site para acomodar essa maior presença do audiovisual. Relançamos iniciativas como ‘Art en la Red’, destinada a artistas ligados à América Latina que desejam mostrar suas criações, ou ‘No por corto menos cine’, para divulgar curtas-metragens. Dessa forma, queremos que nosso site seja uma plataforma que sirva de vitrine para essas iniciativas artísticas relacionadas ao mundo ibero-americano.

E, em relação ao relacionamento com a mídia, nos perguntamos como poderíamos fazer nossas ações chegar até as agências de notícias e a mídia para que possam cobri-las. É uma surpresa agradável ver como nosso impacto na mídia não sofreu nessas circunstâncias. Muitos jornalistas estão seguindo nossos atos ao vivo ou vendo as gravações ​​através do YouTube e continuamos oferecendo entrevistas com os palestrantes.

Todos aprendemos nestes dias os tipos de plataformas que nos permitem conectar para transmitir ao vivo, como encontrar um bom plano de luz e um som de qualidade, como garantir uma boa conectividade. E todos nós também sofremos contratempos em alguma conexão. Um aprendizado que tivemos que transferir para nossos palestrantes de maneira didática e simples e que certamente nos ajudará no futuro a poder nos comunicar digitalmente de maneira mais eficaz e adequada.

Não sabemos como será o novo normal nos espaços que estamos acostumados a receber o público diariamente. Mas a maneira de comunicar a atividade dos espaços emblemáticos já se adaptou e a grande velocidade, o que nos permitiu experimentar e imaginar outros formatos e possibilidades de comunicação até recentemente impensáveis ​​nessa escala. O presente já é digital e isso certamente não tem volta.