Além da marca pessoal: o posicionamento pessoal

Daniel Romero-Abreu

Fundador e Presidente

Thinking Heads

Daniel Romero-Abreu tem mais de quinze anos de experiência em posicionar estrategicamente líderes como especialistas em seu setor. Desenvolveu uma metodologia única que vai além da barreira da marca pessoal e coloca seus clientes como referenciais de disseminação e pensamento em suas diferentes esferas profissionais, empresariais e institucionais. Essa metodologia de posicionamento é o resultado obtido com a assessoria de presidentes de governo, CEOs, economistas, atletas, escritores e pensadores, e se baseia na identificação do talento e de seu aprimoramento por meio da identificação de seus públicos estratégicos e canais, gerando assim um valor social a partir do pensamento e do conhecimento. Em 2015, tornou-se o primeiro não anglo-saxão e o mais jovem presidente da International Association of Speakers Bureaus (IASB). É economista e advogado. Atualmente está preparando o lançamento de seu primeiro livro, em que conta as chaves para o posicionamento pessoal que fizeram dele um especialista neste campo.

“Nos concentramos em definir a imagem que queremos que os outros percebam de nós quando o importante é encontrar aquilo em que podemos contribuir com algo de valor e nos tornar insubstituíveis”

Proliferam-se vendedores de Marca Pessoal tal qual os vendedores do bálsamo de Fierabrás nos dias de Don Quixote. No entanto, comprar a criação de uma marca que lhe dê brilho não é um remédio mágico para nossos males. O conceito de Marca ou Branding Pessoal, e tudo o que isso implica, está mal definido desde o princípio, porque a marca deve ser a consequência daquilo que cada um é ou vale em questões profissionais, e não o contrário. Por isso, o primeiro passo antes de procurar quais as cores mais bonitas para a sua plataforma digital é identificar o que lhe torna útil, valioso e confiável. E, imediatamente a seguir, começar a trabalhar em uma estratégia de posicionamento pessoal de uma forma consciente.

Muitas pessoas não têm tempo ou meios para realizar uma análise sobre qual é o modelo de pensamento que baseia sua ação. Nem ao menos param para definir as linhas narrativas do que querem transmitir com seu projeto. E não gastam mais do que dez minutos para vasculhar sua audiência para encontrar seu público-alvo e se comunicar de maneira mais eficaz. O resultado é que, em vez de sussurrar no ouvido do seu potencial cliente um artigo ou uma reflexão instigante, bombardeia-se com canhões a todos os seres vivos que surgem nos perfis do Twitter, Facebook ou LinkedIn. E o que se consegue é exatamente o efeito oposto ao procurado.

Se isso também for multiplicado por um exército de pessoas como você, que estão determinadas a serem notadas, o resultado é um canal de mensagens completamente em colapso, do qual todos querem fugir de qualquer maneira. Portanto, é necessário investir mais tempo na definição do conteúdo da mensagem e na maneira mais apropriada de disseminá-la, em vez de apenas apertar o botão “enviar”.

Estilo na consistência

Quando Tom Peters tornou moda o conceito de Branding Pessoal com o artigo “The Brand called you”, ele já apontava isso: “Em parte, é uma questão de consistência: o que você tem a dizer e o quão bem você diz isso? Mas também é uma questão de estilo”. No entanto, na maioria dos aspectos, a marca pessoal permaneceu em segundo plano: uma questão de imagem na qual o estilo prevalece sobre a consistência. Talvez isso seja um efeito perverso do mundo digital e dos modismos, mas não precisa ser assim.

Por definição, o desenvolvimento de uma marca pessoal leva implícito que o que conta é a percepção que os outros têm de você. Isto é, sua imagem. E essa imagem é, segundo minha experiência, efêmera porque se baseia em algo externo, alheio a você, que é a percepção dos outros. E, além disso, você quer que essas mesmas pessoas que só conhecem sua máscara lhe validem também como pessoa.

Este é o paradoxo que se torna delirante, repetindo-se diversas vezes, após cada tentativa fracassada de atingir o objetivo desejado. A seguir eu descrevo o poço sem fundo em que caem muitas pessoas que se lançam nas redes sociais sem ter algo sólido para contar, apenas um slogan e um logotipo: “Como eu quero ter mais marca pessoal, eu me concentro em melhorar minha imagem. Como preciso ser percebido, entro nas redes sociais. Como nas redes sociais ninguém ouve o que eu digo, já que, a duras penas, me posicionei em um assunto em que tenho pouco para contribuir, me dedico como um louco a seguir pessoas esperando um follow back”. Dessa forma é que se começa, geralmente, o processo de trabalhar sua marca pessoal sem ter uma base que a sustente.

Exatamente contra todo esse movimento absurdo em busca da imagem e do ruído, eu promovo um conceito mais calmo, tranquilo e completo de marca pessoal que eu chamo de Posicionamento Pessoal. Esse posicionamento surge da resposta às perguntas “O que eu tenho para poder contribuir com os outros?”, “Com o que posso contribuir para tornar este mundo um lugar melhor?”. “Por que alguém deveria dedicar a mim seu tempo e / ou dinheiro?”

Quem posso ajudar?

No final, trata-se de saber como você pode ajudar os outros e como você pode ser ainda melhor naquilo que você tem a contribuir. O objetivo final, portanto, é o outro, nunca a si mesmo. A marca pessoal será atribuída a você por aqueles que você ajudou com seu talento. Como em muitos outros casos, o posicionamento pessoal se concentra no processo e não no resultado. É por isso que você não deve buscar a aprovação dos outros, mas a satisfação pessoal, a autenticidade.

Ter um posicionamento pessoal consistente ao longo do tempo tem consequências muito positivas para você. Nos meus mais de 15 anos de experiência nesse campo em Thinking Heads, notei que trabalhar o posicionamento pessoal continuamente tem uma dupla consequência para pessoa que o pratica: por um lado, é um aumento na sua notoriedade e influência, e, por outro lado, oferece a possibilidade de obter um retorno econômico sobre esse conhecimento ou elementos que a tornam única. Descubra qual é a sua verdadeira vocação, em que você é realmente bom e dedique-se a desenvolvê-la. O resto virá por conta própria.