Que ano vivemos! (…ou sobrevivemos?)

Olga Oro

CEO

Mex PR Digital VP do PRORP, Associação de Profissionais de Relações Públicas do México

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Tudo o que estamos vivendo neste 2020 é novo. No aspecto profissional, as mudanças pelas quais passamos nos últimos oito meses foram gigantescas.

Nunca na história da atividade profissional das Relações Públicas tínhamos passado por tantas mudanças e por esta necessidade intensa de adaptação imediata para responder às necessidades dos nossos clientes e empresas. Rapidamente aprendemos a trabalhar de casa, já somos especialistas em videoconferências e eventos online e nos mantemos atualizados sobre as inovações tecnológicas que nos permitem desenvolver nossas atividades de forma mais profissional.

Há poucos dias, acordamos com a notícia de que uma das mais importantes montadoras do mundo, a Tesla, havia decidido desaparecer com seu departamento de Relações Públicas. Sim, com todo mundo.

Os profissionais que faziam parte dessa grande equipe foram realocados para diferentes áreas com outras responsabilidades e outros passaram a fazer PR para outras empresas.

Isso nos leva a questionar se este não será um exemplo para as outras grandes corporações…

Este movimento foi visto por vários observadores da indústria como um movimento para mostrar que o departamento de Relações Públicas da Tesla não pode competir com os quase 40 milhões de seguidores de Musk, embora também revele sua baixa tolerância a críticas.

Elektrek, um site de notícias que escreve sobre a indústria de transporte, foi o primeiro a relatar a mudança, comentando que “aparentemente eles decidiram que não precisam de um bom relacionamento com a mídia”.

Este tipo de reações e movimentos das grandes empresas nos obriga hoje, mais do que nunca, a analisar a oferta de valor que oferecemos aos nossos clientes. Devemos ter muito claro o que fazemos por eles e com eles.

Provavelmente, o departamento de Relações Públicas da Tesla tinha como objetivo principal o relacionamento com a mídia, que é parte fundamental para construir um bom relacionamento que nos permita comunicar melhor os objetivos de negócios, produtos e tudo o que acontece dentro da empresa, mas também, em caso de crise, sabemos que eles terão uma atitude mais receptiva e analítica para entender o que está acontecendo e assim transmitir.

Deixar a comunicação direta com a mídia à deriva pode afetar qualquer empresa. Ter assessoria constante em comunicação estratégica e Relações Públicas é atualmente um elemento crítico na gestão da reputação corporativa.

O caso da Tesla é muito particular, a sua posição no mercado lhe permite focar mais nas relações com os investidores e tentar cobrir a parte de comunicação com as suas redes sociais, para as quais devem ter uma estratégia de comunicação específica.

Não creio que o caso Tesla possa ser replicado por qualquer corporação. Dispensar o conselho constante de comunicação estratégica é uma atitude muito arriscada que pode levá-los a perder rapidamente o lugar que conquistaram no campo da comunicação e reputação.

Veremos que outras mudanças surpreendentes teremos em 2020, e as consequências delas. Seguiremos comentando juntos.