Responsabilidade Social em tempos disruptivos

Jaspar Eyears

CEO e cofundador

Another Company

Jaspar Eyears é o CEO e cofundador da Another Company, uma agência de Comunicação Estratégica regional. Nascido em Londres, começou sua carreira promovendo boates e dando consultoria à Absolut Vodka antes de se mudar para o México em 2002. Dois anos depois, fundou a Another Company junto com Rodrigo Peñafiel.

Pouco mais de cinco meses de isolamento social, em que se procurou conter a pandemia, priorizando as instituições de saúde, seu alcance e suas restrições, causaram divergências em diferentes níveis da sociedade. Este fenômeno global não só fragmentou e acelerou o surgimento de novos formadores de opinião, mas possibilitou que empresas privadas e independentes encontrassem, nesse novo normal, um posicionamento próprio como referências sociais e culturais capazes de sensibilizar o público.

 

É indiscutível o grau de influência que as marcas possuem, por isso devem trabalhar com o intuito de impactar positivamente a sociedade. Com esse objetivo em mente, a equipe de Estratégia de Another Company, agência regional independente de comunicação estratégica, elaborou um relatório com base em uma ampla pesquisa que explica como as marcas podem ser líderes sociais, culturais e políticos.

 

  • A Responsabilidade Social como ponto de partida. Além de promover causas sociais, as culturas corporativas devem gerar uma mudança profunda e abrangente em sua estratégia e modelo de negócios para realmente influenciar a sociedade. Para tanto, é necessário alinhar propósito, valores, ações e mensagens de marca para garantir sua congruência com o contexto atual, fazendo com que as pessoas se identifiquem com sua cultura – ou marca – e até queiram pertencer a ela.
  • Marcas com o poder de nos transformar. Se as empresas são socialmente responsáveis, elas aumentarão a identidade em dois níveis. O primeiro nível é o individual, aqui o consumidor busca as causas com as quais se identifica e que servem para reforçar quem ele é e no que acredita. O segundo é o coletivo, a conexão com pessoas semelhantes a eles gera um sentimento de pertencimento e dá o poder de gerar uma mudança entre todos. É importante ressaltar que os consumidores anseiam por valores reais da marca, que os ajudem a se tornar a melhor versão de si mesmos.

 

Jaspar Eyears, CEO e fundador da Another Company, ressalta: “O que as empresas devem entender é que o grupo protagonista hoje são as novas gerações e, portanto, devem saber o que procuram, pois são o futuro. Na verdade, os números indicam que esse segmento está disposto a gastar mais com produtos e serviços de empresas socialmente responsáveis: 51% dos entrevistados entre 15 e 39 anos estão dispostos a pagar mais por esses produtos, contra 37% dos respondentes com mais de 40 anos”.

 

  • As causas sociais fortalecem o relacionamento com os consumidores. Essas causas permitem a interação com pessoas de todo o mundo, fortalecendo assim o senso coletivo de progresso. Os consumidores com maior consciência social são os jovens. Na verdade, é cada vez mais comum que as decisões de compra sejam tomadas levando em consideração o envolvimento social das marcas. Durante a pandemia, os usuários se voltaram para marcas que contribuíram com algo nesse contexto.
  • Um mesmo ideal na região: a sustentabilidade. México e Argentina são os países que mais conversam sobre Responsabilidade Social. 2019 foi um ano com grande número de movimentos sociais em prol do meio ambiente.

 

Se as marcas decidirem seguir o caminho da RSC, com o compromisso que corresponde, deverão ter em mente estas três considerações que as ajudarão a iniciar a mudança.

 

  1. A mudança deve ser interna e externa. A liderança cultural é obtida com a implementação de uma visão para o futuro. Marcas e marketing agora buscam e precisam oferecer honestidade e significado.
  2. A estratégia de RSC deve incluir três fatores:

– A marca deve ter um propósito que ultrapasse os interesses do negócio para impactar positivamente as emergências sociais, tanto locais quanto globais.

– Conhecer tanto as motivações como as preocupações atuais e futuras do consumidor para tomar decisões acertadas e alinhadas com a realidade que se vive com esta conjuntura.

– Identificar áreas de impacto social que se ajustem à marca, mas acima de tudo à cultura corporativa para estudá-las e assumir a posição indicada.

  1. Níveis de participação. Dependendo da história da marca e de sua categoria, é importante avaliar em qual dos quatro níveis é prudente para a empresa defender uma causa social:

– Conscientização: Analisar e reconhecer o que temos feito como marca ou empresa. A seguir, estabelecer e gerar estratégias de comunicação – awarness – sobre um tema social que está relacionado à essência da marca.

– Reconfiguração 360: adotar um propósito de mudança, alinhar os valores, ações e mensagens da marca a favor dela.

– Experimentação: execução tangível da causa social que se apoia.

– Movimento: provocar um movimento social para erradicar velhas crenças, buscando promover a vanguarda.

 

“Incorporar em uma empresa a RSC é fundamental e deve ser levada com seriedade e sinceridade desde o primeiro momento. Não é algo que uma marca possa experimentar e depois abandonar, é um caminho a ser construído que deve ser aprofundado ao longo do tempo, pois as causas sociais não são um modismo. Por isso, propomos quatro premissas que as marcas devem ter em mente ao pensar em RSC”, comenta Jaspar Eyears.

 

  1. Embora nunca seja tarde demais para reivindicar e agir, você precisa agir o mais rápido possível.
  2. Consistência. Dizer e compartilhar não é o suficiente, você tem que provar com fatos.
  3. Você tem que partir de um esforço honesto que agregue valor à cultura dos usuários.
  4. Mensuração. Para saber se o caminho está correto, é preciso mensurar as ações além da reputação que se obtém, é importante que a mudança na empresa seja real.

 

Com este relatório, Another Company procura mostrar às marcas a força que têm nas mãos, que compreendam seu papel e que capitalizem causas sociais importantes para a sua comunidade, mas sem esquecer as obrigações que isso acarreta. Se você busca e trabalha pela mudança, nunca é tarde.