NOTICIA2-OPINION

Tudo Comunica, a todos, o tempo todo

Thony Da Silva Romero

Mgtr, Consultor Empresárial em Estratégia e Comunicação

PIZZOLANTE

Consultor internacional em estratégia e comunicação empresarial com mais de 25 anos de experiência, comunicador social formado pela Universidade Católica Andrés Bello com estudos em administração de empresas do IESA e de Comunicação Política e Governança Estratégica da George Washington University, trabalha com empresas locais e transnacionais, muitos delas do Fortune 500, foi condecorado com vários prêmios internacionais, é palestrante, colunista, professor convidado de vários cursos de pós-graduação em universidades da região, coach e sócio da firma PIZZOLANTE Estrategia + Comunicación.


@thonydasilva

Tudo o que fazemos, ou deixamos de fazer, transmite uma mensagem poderosa àqueles que nos rodeiam; por isso, toda organização está constantemente transmitindo e comunicando mensagens derivadas de suas ações diárias, alimentando formal e informalmente os diversos canais e meios de interação com seus grupos de interesse, sejam internos ou externos.

Isso significa entender a relevância que tem, para toda organização, a melhor compreensão de seu propósito e missão para si e para os outros, contextualizar adequadamente suas ações para ganhar apoios, afetos e reconhecimentos, que lhe permitirão obter a viabilidade necessária ao seu plano de negócios, para atingir suas metas e seus objetivos. Portanto, a necessidade de estabelecer estratégias claras e integradas de comunicação, interna e externa, é fundamental.

O desafio, para a grande maioria das organizações, consiste em buscar pelo menos um mínimo desse alinhamento básico necessário entre os esforços internos e externos de comunicação, sob a premissa de que, não apenas se comunica com o que “dizemos”, mas com tudo aquilo que fazemos e com cada decisão executiva que tomamos. Daí a importância do trabalho, da tomada de decisões, daqueles cujo trabalho envolve coordenar a tradução das referidas decisões em mensagens corretamente interpretáveis, através das ações comunicacionais que as acompanham.

Hoje, nas grandes corporações e empresas líderes em seus mercados, a comunicação desempenha um papel fundamental nessa mesa de tomada de decisões gerenciais, não apenas porque é uma ferramenta para viabilizar tais decisões, mas para avaliá-las em termos de impacto antes de considerar um curso de ação, com base no julgamento de valor que os nossos grupos de interesse farão delas e nas reações que enfrentaremos, positivas ou negativas.

Uma realidade organizacional frequente é que os esforços de comunicação estão segmentados e atribuídos a distintas áreas claramente diferenciadas. Geralmente, os esforços de comunicação interna são de responsabilidade da área de Recursos Humanos, e os de comunicação externa são distribuídos entre aqueles de natureza ou finalidade comercial (associados a serviços e produtos) sobre os quais a área de “marketing” tem influência, e aqueles com um caráter fundamentalmente institucional sobre o qual “Relações Públicas” ou “Comunicações Corporativas” têm responsabilidade. Em qualquer caso, a distribuição da voz empresarial entre vários gestores, muitas vezes sob a ausência de uma estratégia integrada, pode desencadear um nível de desalinhamento tal, que deixa de contribuir para a consolidação e fortalecimento do posicionamento da empresa e, vai além, ao desperdiçar oportunidades valiosas para ela e seus membros, podendo até mesmo reverter essa estratégia, gerando ruído, confusão e, inclusive, prejuízos para a organização.

No início deste século, e antecipando o impacto da Internet, o “The Clue Train Manifesto” já adiantava algumas premissas em relação à importância de se compreender um novo paradigma na relação empresa/entorno/mundo interior. Entre os vários pontos destacados neste documento, alguns aspectos são fundamentais para entender o que eu chamo de “indivisibilidade da comunicação”, quando pretendemos hoje separar artificialmente a externa da interna. Embora toda comunicação tenha um foco e uma ênfase específica, não podemos perder de vista o fato de que hoje tudo o que é comunicado “dentro” terminará “fora” e tudo que é comunicado “fora” terminará “dentro”.

Hoje, dificilmente existem segredos em organizações que possam ser mantidos por um longo tempo diante de um mercado hiperconectado, que acaba conhecendo mais sobre os produtos e comportamentos da empresa do que, às vezes, sua própria liderança, e dessa mesma forma, essas “realidades” são transmitidas de uns para outros (sejam elas verdadeiras ou não) através de todo o espectro democratizado da internet.

Por outro lado, é essa atual “indivisibilidade” da comunicação que faz com que tudo o que ocorra com a empresa no mercado, e tudo o que ela comunica a ele, tenha um impacto direto em nossos funcionários e, de maneira contrária, mas complementária, tudo o que é comunicado aos empregados tenha um impacto direto no mercado, graças à capacidade deles exercerem influência através dos seus círculos íntimos e da sua voz ampliada através das redes sociais.

Empresas que não integram suas estratégias de comunicação, posicionamento e influência, baseadas no entendimento desta premissa fundamental, estarão correndo grandes riscos na coerência e consistência de suas mensagens e, portanto, em seu impacto no mercado. As organizações devem assumir, cada vez mais, políticas e estratégias que garantam um trabalho coordenado e alinhado com as áreas correspondentes, ou inclusive, passar a repensar e/ou reestruturar a forma como estão organizadas para se comunicar e se relacionar.