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A sua comunicação não-verbal é a sua marca pessoal

Nuria Moreno

Assessora de Comunicação

Gerência Executiva

Nuria Moreno é Assessora de Comunicação para a Gerência Executiva, escritora e palestrante. Já treinou centenas de Managing Directors de importantes multinacionais, instituições públicas, escritórios de advocacia de destaque e partidos políticos. Colabora com consultorias de comunicação na formação de porta-vozes, como analista de linguagem corporal em programas de televisão e como docente em universidades.

Sua formação acadêmica internacional conta com uma Especialização em Comunicação Não-Verbal (Universidade de Alcalá de Henares) e duas licenciaturas, Filologia Inglesa (Universidade Autônoma de Madrid) e Tradução de Inglês e Alemão (Johannes Gutenberg Universität Mainz, Alemanha).

Nuria desenvolveu sua própria metodologia para trabalhar a marca pessoa baseada em comunicação não-verbal e é especializada em detectar talentos. Sua vocação é impulsionar as pessoas que desejam dar um salto profissional de acordo com seu propósito de vida. Oferece seus serviços em espanhol, inglês e alemão.

Duas notícias, uma boa e uma ruim. Vamos começar pela ruim: você pode seguir todas as orientações, manuais e cursos de comunicação, praticar e praticar, mas, se você não for você mesmo, se você não se mostrar como é, se você não for autêntico, nada disso funcionará. E, por outro lado, aqui está a boa notícia, se você já é assim, pode ignorar os cursos, as regras, as diretrizes. Por quê? Porque as pessoas são máquinas de detectar incoerências. Nós fazemos isso automaticamente e sem nenhum esforço. É grátis. E esse sistema funciona muito bem. Quando detectamos uma incoerência, inevitavelmente e inexoravelmente, emitimos um julgamento contra ela. Portanto, na hora de se comunicar, é essencial dar sinais claros e unidirecionais.

Existem três coisas intrínsecas ao ato de comunicar e estas são: mostrar quem somos, nos conectar com os outros e conseguir comover nossa audiência, a fim de que haja uma mudança em sua maneira de perceber, pensar ou sentir. Portanto, a comunicação é, neste primeiro momento, uma questão 1) de identidade, 2) de conexão e 3) de emoção. Nenhum desses três fatores pode falhar. Se o primeiro já falha, há muito trabalho a ser feito, e não ao nível dos gestos – maiores, menores, mais rápidos, mais lentos –, mas sim ao nível interno, ao nível de quais crenças e quais julgamentos, nossos, próprios, estão boicotando nossa intervenção.

As pessoas não irão nos julgar com base se somos bonitos ou feios, baixos ou altos ou se você sabe muito ou pouco, isso é irrelevante em comparação com a força e o impacto de um comunicador que se atreve a estar lá, isso sim, não apenas com o intelecto, mas também de corpo e alma, doando-se, expondo-se, entregando-se. E, nesse sentido, não há receitas ou instruções a seguir, todos nós sabemos o que funciona na hora de persuadir aos nossos amigos, família ou parceiro, e temos um estilo próprio para isso. Por outro lado, a incoerência cria uma distância, desperta uma dúvida, a suspeita de que algo não está certo, e isso vai ganhando espaço e se expande como uma nuvem entre as cabecinhas de nosso público, colocando em xeque-mate a nossa credibilidade como oradores. Ninguém diz isso explicitamente, mas isso é sentido. É justamente o oposto do que queremos alcançar!

É que todos nós sabemos que a comunicação não-verbal é a primeira língua que aprendemos no nosso primeiro ano de vida, e, por isso, quando alguém se apresenta a nós pela metade, de lado, com voz baixa, com a mão no bolso, olhando o colarinho de sua camisa, com o olhar vazio e fixo no fundo da sala, sem encarar…, em um passe de mágica, em um nano-segundo, já fazemos nossa aposta, uma tênue, mas certeira vozinha sussurra dentro de nós e diz: “Bom, eu não sei se eu gosto desse cara“. Assim de claro.

Isso nunca aconteceu alguma vez com você? Ir, por exemplo, para ver um monólogo e seu amigo dizer: “Bem … havia algo na voz … eu não sei …“. Eu, como especialista em comunicação não-verbal, permaneço imóvel. Para mim, a sabedoria coletiva, ainda mais somada à espontaneidade, é ouro puro, e, sem nem mexer um fio de cabelo, digo: “Ah, sim, né?”. Olho nos olhos dele, você sabe como, certo? Nem fixamente nem intensamente, para que não note meu semblante, mas, acima de tudo, para que não lhe fuja a linha de raciocínio. E, como quem não quer nada, espero em silêncio, atenta, impaciente, ansiosa, até que finalmente acrescenta: “Bem … sim …“, ele diz, “Havia algo em sua voz, porque … como se não se encaixasse bem, não?” O especialista dentro de mim fica em êxtase. Adoro não ser eu quem se dê conta dessas coisas, ou quem diga isso. A voz, querido leitor, não se encaixava com o corpo, por certo. Seu corpo, grande e forte, contrastava com sua voz excessivamente suave, e sobretudo macia, um contraste que destoava e dizia três coisas: 1) quero agradar, 2) me falta firmeza e prefiro esconder a minha força ao invés de demonstrá-la, ou utilizá-la e me exceder, e 3), eu não sou assim. De todas estas coisas, é a terceira que, sem piedade, levantou suspeitas em meu amigo, apesar de nos entreter por um bom tempo e nos provocar muitas risadas. E é a segunda, a firmeza, ou melhor, a sua falta, que deveria ser trabalhada para que sua voz estivesse de acordo com seu corpo. Você entende agora o que quero dizer com ser autêntico e coerente? Não é o plano verbal, mas muito mais o corporal, aquele que nos delata, e é no ser, na identidade, onde ele aparece e se corrige.

Vamos começar, portanto, pelo princípio, se queremos gerar presença, alcançar nosso público, conectar-se, fluir com ele e que ele flua conosco, inspirar, cativar, encantar e absorver os outros, no momento em que nos sentirmos bem com nós mesmos, não basta apenas aprender uma série de truques e técnicas. Não que eu diga que eles não funcionem, são um bom recurso, mas não são suficientes e, acima de tudo, não nos levam direto ao ponto. Comunicar, querido leitor, é uma questão de ser você mesmo, de não impostar. Temos que começar, portanto, por nós mesmos, por quem somos e como somos, ou nossa CNV (comunicação não-verbal) nos delatará.

O momento em que saímos e nos expomos perante a um público é um desafio. Você tem que ter coragem, tem que se atrever a estar lá. Por quê? Porque será possível ver tudo sobre nós. E, em maior ou menor grau, todos nós temos coisas que não queremos que se veja, ou melhor, que não queremos que existam, que não queremos ser. Alguns não querem ser prepotentes, outros não querem ser mandões, outros submissos, outros humildes, outros hipócritas. Há tantas coisas feias que não queremos ser, mas elas existem, ou melhor, nós a possuímos, somos elas. A primeira barreira entre o meu público e eu são estes julgamentos, e eles trabalham em duas direções: o julgamento que eu tenho em relação a mim mesmo, que pode ser mais ou menos consciente, mas sempre menos do que mais; e o julgamento que o outros farão pelo simples fato de me ver. Com base em nossas experiências, todos associamos imagens a emoções e julgamentos. É por isso que, quando vemos uma pessoa, um sim ou um não surge automaticamente em nossa mente. Com relação aos julgamentos dos outros, não podemos fazer nada. Por certo, não? Bem, uma coisa a menos. Outra boa notícia.  Simplesmente isso não é assunto nosso. Cada pessoa julga coisas diferentes. Pouco temos que nos importar com o que os outros julgam. O trabalho é com nós mesmos, com nossos próprios julgamentos. Porque esses são os que vão nos fazer seguir ou frear, e à medida que fazemos isso, nos vai resultar em um tipo de impacto. Quanto mais transparente for nossa comunicação, mais força, mais naturalidade, mais conexão, mais carisma. Uma cadeia inteira de efeitos positivos se desdobra, e vice-versa.

Autenticidade, confiança, segurança, estabilidade são ótimas palavras, certo? Sua comunicação não-verbal expressa como elas estão, revela o que está dentro e é de dentro para fora que temos que trabalhar para melhorar nossa comunicação, nossa liderança, nosso talento e nosso relacionamento com os outros. Nesse sentido, a comunicação não-verbal é uma ferramenta excelente e confiável para se trabalhar, pois revela o que existe e abrange todas as áreas do ser e todos os canais de expressão.

Comunicar tem a ver com ser e sua comunicação não-verbal é sua marca pessoal. Porque apenas você se move dessa maneira, só você tem aquela maneira de olhar, aquele gesto tão seu, aquela maneira particular de mover as mãos, só você tem aquele jeito de andar tão característico e apenas você tem esse timbre de voz. Milhares, centenas de milhares, milhões de pessoas, todas diferentes, todas se movendo de forma diferente, soam diferente, brilham de maneira diferente. Sim, sua comunicação não-verbal é você, sua comunicação não-verbal é o que lhe caracteriza, sua comunicação não-verbal é sua marca pessoal. E é isso… você é único, sabe? Esta é a boa notícia, não temos que ser outro. Na hora de comunicar, nós apenas temos que ser nós mesmos.

Comunicar é uma questão de ser. É tão difícil ser quem você é?