Alejandra Brandolini, Presidente da AB Comunicaciones

Alejandra Brandolini

Presidente

AB Comunicaciones

Alejandra Brandolini é licenciada em Relações Públicas pela UADE - Universidade Argentina de la Empresa, Mestre em Comunicação e Educação (Universidade Autónoma de Barcelona, 2005), pós-graduada em Gestão de Recursos Humanos (UCA, 2003; Univesity of Michigan, 1999 e University of California, 1997).

Atualmente, é Presidente e sócia fundadora da AB Comunicaciones, uma consultora especializada em comunicação organizacional, com escritórios em Buenos Aires (2000-2016).

Integrou o Board da Global Alliance for Public Relations and Communication Management em representação do Conselho Profissional de Relações Públicas da Argentina (CPRP).

Membro do IABC - International Association of Business Communicators, do CPRP - Conselho Profissional de Relações Públicas, do Instituto para o Desenvolvimento Empresarial da Argentina (IDEA), da Federação Argentina de Mulheres Empresárias e da Câmara de Comércio dos EUA (AMCHAM).

É cátedra de Comunicação Organizacional na pós-graduação em Gestão de Recursos Humanos da UADE (2000-2013, Argentina). Mentora da carreira de Relações Públicas e Institucionais da Universidad Siglo 21 de Córdoba (2009-2014, Argentina). Professora convidada na Universidad San Pablo de Tucumán (Argentina), na Universidad San Jorge de Zaragoza, na Universidad Nacional de Zaragoza, na Universitat Rovira i Virgili de Tarragona, na Universidade de Valencia e na Universidade de Murcia (Espanha).

Alejandra Brandolini é coautora dos livros “Conversaciones. La gestión del diálogo en organizaciones desafiantes” (Ed. La Crujía 2014), “Cómo manejar la comunicación interna” (Clarín Pymes 2011) e “Comunicación interna: claves para una gestión exitosa” (Ed. La Crujía 2009).


P: Qual a importância da comunicação interna para a construção de reputação nas organizações?

R: Uma das mais famosas máximas de comunicação proclama que “tudo comunica”. Na área de comunicação interna, esse “tudo” é representado pelas conversas que vinculam os colaboradores com a organização. Na interação de ambos vai-se construindo e reconstruindo a cultura organizacional. Assim, em organizações com culturas inteligentes e de alto desempenho, a comunicação interna ajuda a gerar orgulho de pertença, a uma maior coesão entre a equipa, e à apropriação dos objetivos organizacionais. Quando os nossos colaboradores se sentem parte ativa e valiosa da organização, estabelecem laços emocionais que contribuem para a criação de uma excelente reputação interna, que é a principal diretriz para desenvolver uma boa reputação externa. A melhor estratégia de reputação organizacional começa sempre de dentro para fora.

P: Como garantir que os trabalhadores e/ou colaboradores se identifiquem com a empresa ou organização onde trabalham?

R: Nada gera maior identificação que uma missão, visão e valores partilhados. E isso é algo que não pode ser negociado: ou se partilha ou não. Em segundo lugar está a coerência entre dizer e fazer. As organizações com maior compromisso são coerentes entre o que manifestam através de palavras e as ações que executam. Na sociedade atual, as pessoas estão cada vez mais conscientes da importância da coerência organizacional. O terceiro aspeto a ter em conta é a escuta ativa dos colaboradores. Escutar é sinónimo de respeito pelo outro pelos seus contributos. A escuta ativa pode inovar, transformar, antecipar possíveis desvios, valorizar as virtudes da empresa e os próprios colaboradores. Ao escutar realmente, as pessoas sentem-se valorizadas, e isto aplica-se a qualquer colaborador, e não apenas para aqueles que ocupam posições de liderança. Em suma, um propósito comum, coerência e escuta ativa são as principais orientações para que os colaboradores se sintam identificados com a organização. Nestes casos, a comunicação interna funciona como um veículo de facilitação e viralização de comportamentos e condutas esperados.

P: Quais foram as mudanças mais significativas em termos de comunicação interna nos últimos anos?

R: As mudanças mais significativas na comunicação interna estão a ocorrer, simultaneamente, em três planos. Por um lado, temos a passagem da gestão de canais para uma gestão da cultura organizacional. Hoje ninguém argumenta sobre a importância da comunicação interna como produtora, reprodutora e transformadora das matrizes culturais da vida organizacional. Sob este critério passámos de uma visão totalmente instrumental da comunicação interna, a uma visão holística e cultural. Hoje falamos sobre conversas, em vez de comunicação ascendente e descendente, porque é no diálogo que aparece a cocriação e que se enriquecem as práticas organizacionais.

Num outro plano, está a mudança nos discursos e conteúdos da comunicação feita para os colaboradores. A hipermediatização, o transmedia, os padrões atuais de consumo simbólico fazem com que os antigos modelos pré-fabricados de comunicação institucional não resistam. Hoje a comunicação interna compete seriamente pela escassa atenção dos colaboradores, face aos milhares de estímulos externos de grande impacto e aos cenários de trabalho cada vez mais complexos e desafiantes. Nas redes sociais fala-se do reinado do conteúdo e, em comunicação interna sucede o mesmo. Estamos a assistir a uma era em que passamos da informação à motivação, persuasão e emotividade das mensagens.

Finalmente, o terceiro nível de transformação é determinado pela tecnologia. Nunca, na história, estivemos tão perto de todos os nossos colaboradores. Com as redes sociais internas (ESN), as intranets colaborativas, aplicações móveis, e milhares de sistemas que operam no mercado, a comunicação interna deu uma volta de 180 graus. Estamos a deixar a execução linear para entrar num modelo 360, com o potencial de colocar on-line qualquer colaborador, onde quer que esteja e qualquer que seja a sua posição na organização. Por outras palavras, temos pela frente uma oportunidade única para gerar conversas transversais que até há poucos anos atrás eram impensáveis

Claro, em muitos países, ainda falta muito vigor e vigência a estas tendências… mas o caminho já está marcado.