Daniel Ureña, diretor em The Hispanic Council e palestrante confirmado no CIBECOM’ 2017: “EUA são o país com mais pessoas que falam espanhol sem que este seja o idioma oficial…”

Daniel Ureña

Sócio & Diretor Geral

The Hispanic Council

Daniel Ureña é Sócio & Diretor Geral da firma de asuntos públicos e relações Governamentais MAS Consulting Group e Diretor de The Hispanic Council. Já foi convidado como conferencista por entidades como Harvard University, Brookings Institution, OSCE, National Democratic Institute, International Republican Institute, Fundación Konrad Adenauer, Fundación Friedrich Ebert, entre outras. Recentemente, foi o primeiro consultor espanhol incluído na publicação britânica The Holmes Report no ranking "Innovator 25", que seleciona os líderes mais inovadores do âmbito da comunicação, da reputação e da influência na Europa, Oriente Médio e África.


P: Quais ações e antecedentes desencadearam o renascimento do idioma espanhol nos Estados Unidos?

R: A presença do espanhol nos Estados Unidos não é algo novo. Sempre foi um país plurilíngue, no qual o idioma mais falado é o inglês, mas não podemos esquecer que os EUA não têm um idioma oficial reconhecido em sua Constituição, como ocorre em outros países. O auge e o crescimento da comunidade hispânica, sobretudo nas últimas três décadas, o aumento de estudantes de espanhol em todo mundo (incluindo os EUA) e o potencial social, cultural e econômico do idioma provocaram o aumento do interesse pelo espanhol nos EUA. Segundo dados com os quais trabalha o Instituto Cervantes, os EUA são o país com mais pessoas que falam espanhol sem que este seja o idioma oficial e o primeiro país em número de estudantes de espanhol como idioma estrangeiro.

P: Como o “fator latino” pode influenciar na campanha eleitoral dos Estados Unidos?

R: Nas eleições presidenciais deste ano nos EUA, 27,3 milhões de hispânicos têm direito a voto, um recorde histórico. A grande pergunta é quantos se registraram para fazê-lo e, finalmente, quantos irão às urnas no dia 8 de novembro. Em outras eleições, apenas a metade dos votantes hispânicos foram votar, uma situação que criou o assim denominado “efeito do gigante adormecido”, que quer dizer que os hispânicos são um gigante com um poder potencial enorme no nível político, mas que até o momento ainda não o demonstraram 100%. Para que este gigante “se desperte”, este ano as campanhas de fundações, organizações e partidos se concentraram na importância de comparecer para votar, no enorme poder que a comunidade hispânica tem para definir quem será o presidente e o futuro que está em jogo para todas as comunidades étnicas do país. Deve-se considerar que os hispânicos não só são importantes pelo número de pessoas, mas também por sua situação geográfica, já que são uma parte importante do eleitorado em três dos onze estados chave este ano: Nevada, Colorado e Flórida.

P: O uso do idioma espanhol na comunicação política dos EUA pode melhorar a reputação de um partido político?

R: Não só melhora sua imagem, como é a melhor ferramenta para chegar a uma das comunidades mais importantes do país: os hispânicos. A aparição do espanhol nas campanhas dos EUA não é uma novidade das últimas eleições presidenciais. Já em 1960, Jackie Kennedy protagonizou a primeira inserção comercial gravada totalmente em espanhol, depois se somaram cartazes,  outdoors, banners, mais comerciais, spots de rádio; em 2002, aconteceu no Texas o primeiro debate em espanhol entre dois candidatos democratas a governador, mais tarde, vieram os sites em espanhol, os perfis em redes sociais, o merchandising… Até mesmo este ano, onde vários dos candidatos a presidente e vice-presidente dominam o espanhol. Pouco a pouco, nosso idioma foi ganhando terreno nos EUA e seguirá ganhando, por isso os partidos políticos têm que tomar a decisão de se adaptar à nova realidade e chegar de forma mais direta aos hispânicos, ou ignorá-la. Por enquanto, ambos partidos entenderam que é uma boa estratégia apostar nisso, e cada campanha está mais presente que a anterior. Mas tenho certeza que isso seguirá aumentando nas campanhas do futuro.