Ignacio Viale, presidente do CPRP, Argentina: “A transparência é a principal característica de uma relação saudável e eficaz dos setores públicos e privados”

Ignacio Viale

Presidente

CPRP

Ignacio Viale é advogado pela Universidade Católica Argentina, exerceu funções no Ministério de Relações Exteriores e Culto no Gabinete dos Subsecretários. Foi membro da Delegação Argentina junto da UNESCO em Paris. Desempenhou igualmente funções como Gestor de Assuntos Institucionais na Safrar S.A. (Peugeot) e como Diretor de Relações Externas na Sevel Argentina (fusão Peugeot-Fiat). Entre 1983 e 1988 foi Diretor de Relações Institucionais do Banco Comercial do Norte e Banco Espanhol do Rio da Prata. Foi também fundador e diretor do Gabinete de Assessores Ephtyneos, Viale e Asociados e sócio fundador da Salem Viale & Asociados (1993).

Entre 1997 e 2001, Ignacio Viale ocupou os cargos de Vice-Presidente e Presidente da Edelman Argentina.

Na atualidade

Em conjunto com Alberto Salem e Cecília González Villanueva, refundou, em 2001, a Salem Viale & Asociados, acompanhado por um talentoso grupo de profissionais.


P: Qual foi a mudança mais relevante enfrentada pelas organizações em matéria de transparência nos últimos anos?

R: Na Argentina estamos em uma etapa de Governo novo, que iniciou sua gestão há menos de um ano. O novo Governo Nacional vem de uma orientação política diferente e começou um processo de transparência e mudança de estilo que impacta as diferentes organizações. Por causa da nova administração, se consolidou a necessidade de que os processos, o vínculo e o relacionamento do Estado com o setor privado aderissem aos princípios da Transparência em sentido mais amplo.

Da mesma maneira, iniciou-se um processo de luta contra a corrupção, o narcotráfico e a inseguridade em geral, que são as reclamações mais constantes da população e que estão impregnadas no processo de transparência.

P: Considera que a transparência é um fator chave para a Ibero-América hoje em dia?

R: A transparência é a principal característica de uma relação saudável e eficaz entre os setores públicos e privado. Felizmente, parece que é uma tendência nos países que estão amadurecendo suas democracias. Atualmente, na Argentina, contamos com o Decreto 1172/03 que, entro muitos outros pontos, estabelece o livre acesso à informação pública. Apesar de termos certa regulamentação, ainda há muito para fazer em relação ao tema da transparência na gestão de governo. Trabalha-se para que, a partir do instrumento jurídico necessário, toda a administração pública caminhe para esse objetivo geral.

Em alguns países da região pode-se observar a mesma tendência em relação à importância da transparência na gestão de governo. Finalmente, isso é um reflexo da maturidade que estão adquirindo os processos democráticos.

P: O que diz a “Lei do lobby” que está em discussão na Argentina e qual é sua relação com a Comunicação e as Relações Públicas?

R: Por iniciativa da Secretaria de Assuntos Políticos e Institucionais que dirige Adrián Pérez, do Ministério do Interior, estão sendo realizadas reuniões e debates sobre a necessidade de uma Lei que regule a Gestão de Interesses. Já foram realizadas duas reuniões, a primeira com organizações do terceiro setor e profissionais dedicadas a ele; a segunda com caráter mais aberto e para debater assuntos que cada orador interpretou como necessário para avançar com uma lei séria e profunda.

Encontram-se em trâmite projetos apresentados pela Deputada Ana Carla Carrizo, a Deputada Margarita Stolbizer e o Deputado Mario Negri.

O que mais avançou é o da Deputada Carrizo, um projeto de lei sobre a regulação da Gestão de Interesses que se baseia na publicidade dessas relações por meio de um registro de encontros e audiências; um registro público de profissionais que atuam na área, os “gestores de interesse”; e a criação de uma autoridade autárquica de aplicação em cada Poder do Estado, no Conselho de Juízes e em empresas privadas, com participação majoritária do Estado. Ela prevê requisitos e sanções para a atividade.

A postura do Conselho Profissional frente aos projetos de Lei é de apoio à transparência na atividade profissional para que tenha maior legitimidade, mas que isso não se converta em uma regulação excessiva que impossibilite colocá-la em prática.

A relação com a Comunicação e as Relações Públicas é que nos foi concedido pelo Poder Executivo um espaço para que o Conselho Profissional participe nas discussões prévias que vão elaborar as bases do projeto de lei. E isso eu considero muito positivo para nosso setor.

P: Qual é o principal desafio que enfrentam os profissionais de comunicação e relações públicas que saem das universidades?

R: O principal desafio é no mercado de trabalho. Por mais que a atividade na Argentina, sobretudo em Buenos Aires, tenha tido um crescimento exponencial nos últimos cinco anos, ainda o mercado não é capaz de absorver rapidamente a todos os profissionais que se formam anualmente, pelo grande crescimento dos cursos do setor registrados nas Universidades.

Por outro lado, outro desafio importante é o da capacitação constante, que exige a atualização permanente.

P: Por que você considera uma cúpula como CIBECOM importante para o desenvolvimento presente e futuro de uma organização como CPRP (Argentina)?

R: Em primeiro lugar, uma iniciativa como a cúpula CIBECOM nos permitirá consolidar as bases de uma relação melhor e mais fluida entre as organizações de fala hispânica e portuguesa.

Conhecermos, intercambiar experiências e somar critérios para melhorar a profissão em um sentido amplo é o primeiro desafio da cúpula CIBECOM.

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