José Fernández-Álava: “Em um ambiente no qual as fake news proliferam, devemos estar cientes de que nosso compromisso ético deve ser máximo e, portanto, devemos incorporar as melhores práticas diariamente.”

José Fernández-Álava

Diretor general

Fundacom e Dircom

Diretor da Fundacom y Dircom. Graduado em Ciências da Informação pela Universidade de Navarra e PLGP pelo IESE. Tem grande experiência trabalhando em entidades como a Agência EFE, Bloomberg TV, Iberdrola, KPMG ou no Instituto de la Empresa Familiar.

Da mesma forma, foi assessor do Gabinete da Presidência do Governo entre 2002 e 2004 e consultor parlamentar na Câmara dos Deputados entre 2004 e 2008. Também desenvolveu sua atividade profissional como representante institucional da European Family Businesses, com sede em Bruxelas, e faz parte de instituições como o CEIM (CEOE) e da associação espanhola de proprietários e gestores de Family Offices (FOMM).


P: A Fundacom conta com 13 associações na América Latina, todas buscam promover e valorizar a comunicação estratégica em espanhol e português. Qual é o principal objetivo que a Fundacom perseguirá nos próximos anos e como planeja implementá-lo?

R: A primeira coisa que gostaria de dizer é que é uma honra poder participar da definição de um projeto tão jovem e empolgante quanto a Fundacom.

Com apenas três anos de experiência, tornou-se referência para os profissionais de comunicação da Ibero-América, por meio de iniciativas como o congresso CIBECOM ou os Prêmios Fundacom.

O projeto agora está focado, juntamente com as associações do Brasil, Portugal, México, Argentina, Uruguai, Chile, Panamá, Colômbia, Guatemala, República Dominicana e Espanha, na tentativa de antecipar o referencial de atuação reputacional em que as instituições e empresas se desenvolverão na Ibero-América, a partir das profundas mudanças de comportamento e da primazia de valores que se avizinhavam e que a pandemia do coronavírus acelerou e até modificou.

Em resumo, trata-se de conhecer, na medida do possível, aqueles aspectos que deveremos usar para recalibrar o propósito de nossas organizações. Faremos isso por meio de webinars com especialistas, compartilhando experiências e um estudo cuja definição estamos trabalhando.

Por outro lado, estamos muito empolgados com o lançamento da Cibecom’2021, que ocorrerá em São Paulo, e para o qual já estão sendo confirmados importantes palestrantes de relevância internacional.

No âmbito da formação, continuamos trabalhando para oferecer, por meio dos programas PRADI e dos in-company, a melhor oferta de conteúdo por importantes partners.

Isso é de todos e para todos na Ibero-América, por isso que apostamos no desenvolvimento coletivo, como eu dizia, em conjunto com nossas associações, de tal maneira que todos se sintam confortáveis ​​e representados nesta nova etapa. Esse é o desafio e o roteiro que estabelecemos para nós no Patronato e na equipe de gestão.

P: Que papel o diretor ou responsável pela comunicação de uma organização deve desempenhar em um ambiente tão dinâmico como o atual, e quais são os principais valores que ele deve perseguir?

R: A comunicação está em constante evolução, e também devem estar os responsáveis pela comunicação de qualquer organização.

Em tempos de crise, como o que se apresenta hoje devido à pandemia do COVID-19, mostra-se que a comunicação é uma função crítica para garantir um fluxo adequado de interação com os grupos de interesse. E os profissionais devem estar preparados para liderar e fazer com que nossas organizações atendam às expectativas que seus stakeholders depositam nelas.

Além disso, em um ambiente no qual as fake news proliferam, devemos estar cientes de que nosso compromisso ético deve ser máximo e, portanto, devemos incorporar as melhores práticas diariamente. Essa é uma das questões pelas quais estou convencido de que a Fundacom, por meio das atividades que planeja lançar, será muito útil em um cenário de tanta incerteza.

Como disse Miguel López-Quesada, Presidente da Fundacom, esta é uma oportunidade para concretizar e dar visibilidade ao objetivo de nossas organizações, pois esse é o elemento central que agrega todo o seu valor.

Algumas semanas atrás, ouvia um especialista em ética assegurar que a empresa ou instituição do futuro será socialmente responsável ou não será. A Fundacom quer e deve ser uma parte fundamental para que se alcance esse objetivo, oferecendo conhecimento e ferramentas aos diretores de comunicação como como gestores importantes da reputação e influenciadores em suas organizações.

P: Quais critérios uma organização deve ter ao decidir implementar um dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, e qual é o papel da Comunicação na promoção desses objetivos?

R: Quando uma organização alinha seus objetivos aos ODS, ela está tomando a decisão de realizar ações responsáveis ​​e de ter valores e condutas sustentáveis ​​dentro de uma iniciativa global, promovida pelas Nações Unidas, com o objetivo de atingir metas específicas para cada objetivo, como parte de uma nova agenda de desenvolvimento sustentável.

Essa, é claro, é uma das boas práticas que gostamos de promover dentro da fundação, pois estamos comprometidos com o desenvolvimento sustentável, e queremos que mais organizações participem dessa iniciativa para favorecer as sociedades nas quais elas se encontram.

Nesse sentido, a comunicação é o aliado perfeito para sensibilizar e gerar um compromisso real e mensurável de todos os stakeholders. Se antes era importante, depois da atual crise, ser capaz de ser prestar contas sobre como e quanto se contribui para um mundo melhor para todos será fundamental.

Estou certo de que uma das lições desta crise tão difícil será uma maior consciência social em todos os níveis. E, no campo profissional, acredito que se colocará em evidência, mais do que nunca, a vocação do trabalho do dircom.