Miguel López-Quesada, presidente da Fundacom: “Em uma crise importante, os primeiros 40 minutos são críticos”

Miguel López-Quesada

Presidente

Fundacom

Miguel López-Quesada, atual presidente da Fundacom e diretor de Comunicação Corporativa e Relações Institucionais da Gestamp. É autor do livro "Estamos em crise" sobre comunicação em situações de crise (Dossat, 2003) e dedicou grande parte de sua carreira à supervisão de programas internacionais destinados a construir e proteger a reputação de empresas, ONGs, instituições políticas e organizações internacionais.

É presidente da Fundacom, a fundação para a promoção da comunicação em espanhol e português, e da DIRCOM, a Associação de Diretores de Comunicação da Espanha. Durante 15 anos, trabalhou em algumas das maiores consultorias de relações públicas do mundo (Burson-Marsteller e Weber Shandwick). Ele presidiu as divisões de Weber Shandwick na América Latina e de Espanha e Portugal. Também dirigiu a comunicação do Grupo Zed, uma empresa digital com presença em mais de 60 mercados. Desde 2013, é responsável pela área de Comunicação Corporativa e Relações Institucionais da Gestamp, líder mundial em desenho, desenvolvimento e fabricação de componentes metálicos para a indústria automotiva, com mais de 100 fábricas em 21 países.

Ele sempre esteve ligado a associações do setor, como o Mobile Entertainment Forum, a Câmara Americana de Comércio, a SERNAUTO (Associação Espanhola de Fornecedores Automotivos), o Conselho de Administração da Câmara de Comércio Britânica na Espanha, a Câmara da Espanha, Câmara de Comércio Alemão e a Fundação Cotec para a Inovação, entre outros. Miguel é professor em escolas de negócios e universidades e autor de referência em gestão de crise.

P: Quando falamos de comunicação em casos de crise, quais são os pontos-chave para resolvê-la com sucesso?

R: Dizem que o termo “crise”, em chinês, tem um duplo significado: o de crise e o de oportunidade. Na minha experiência, vivi algumas crises que realmente se tornaram uma oportunidade. Isso é possível quando as empresas ou instituições são capazes de demonstrar ao público que estão à altura das circunstâncias: com proatividade, confiança e levando a situação a sério. É por isso que algumas crises podem reforçar uma marca ou fortalecer a instituição quando demonstram o nível de comprometimento que têm com e para seus públicos.

Outro elemento-chave é o gerenciamento dos tempos. Em uma crise importante, os primeiros 40 minutos são críticos, e a organização já deve tomar, pelo menos, uma decisão a respeito, ainda que seja identificar o que está acontecendo como uma crise.

E não podemos esquecer das pessoas que compõem o comitê de crise, já que terão que tomar decisões para administrar os públicos internos e externos, e os públicos intermediários entre ambos, que são os informantes.

P: As novas tecnologias da informação implicaram em benefícios e riscos para as organizações. Na sua opinião, quais serão os maiores desafios que as organizações enfrentarão nos próximos 10 anos neste campo?

R: Atualmente, vivemos um momento de mudança e ruptura, que nos coloca vários desafios como o imediatismo da informação, o empoderamento da sociedade, as fakenews, entre outros. A própria evolução tecnológica e social levou à necessidade de nos adaptar às mudanças em velocidades inimagináveis.

As transformações estão acontecendo tão rapidamente que falar a longo prazo é uma grande aposta, considerando que as organizações já têm que fazer planos estratégicos para dois ou três anos. No passado, muitas das nossas organizações gerenciavam planos de até 5 anos, atualmente, a maioria deles é feito para o ano que se transcorre.

Se falamos sobre as tendências atuais, geralmente nos referimos ao big data, blockchain, fakenews, Inteligência Artificial, ao gerenciamento de reputação e da confiança, por exemplo. Mas o que é certo é que cada novo desenvolvimento traz, mais cedo ou mais tarde, a criação de uma norma ou regra. Como resultado disso, o maior desafio para as organizações poderia andar de mãos dadas com a hiper-regulação em diferentes campos.

Da mesma forma, outro dos desafios que teremos que assumir será o de desenvolver e melhorar a parte diretiva do dircom, já que, em alguns casos, continua a ser uma questão pendente que leva a muitas das nossas organizações a não falar a mesma linguagem diretiva.

P: Como você imagina o profissional de comunicação no futuro? Quais devem ser suas qualidades e capacidades?

R: Deverá ter uma grande capacidade de adaptação e aprendizagem, já que vivemos em uma era de mudança contínua, e dar um passo à frente não é uma opção, torna-se algo fundamental.

Desta forma, o dircom do futuro se apresenta como um profissional absolutamente transversal, uma vez que, além de suas funções em seu departamento, também deverá ajudar os outros departamentos a se comunicar da maneira mais eficiente possível. Terá que servir de apoio e fornecer ferramentas ou ideias para determinados agentes que compõem a organização.

Da mesma forma, o dircom deverá alinhar a comunicação com a estratégia da sua organização. Não basta apenas dizer o que está sendo feito, além disso, deverá fazer as coisas acontecerem. Também não podemos esquecer o compromisso que temos com a sociedade e fornecer à organização ferramentas de escuta para atender às demandas sociais.

P: Em breve, a fundação que você preside realizará a II Cimeira Ibero-americana de Comunicação Estratégica. Por que acredita que todos os profissionais de comunicação devam participar?

R: Não há razão para justificar que um diretor de comunicação não participe da CIBECOM’2019. Garantimos que as temáticas abordadas são de grande interesse para os comunicadores ibero-americanos, porque desenvolvemos um estudo preliminar sobre as questões que preocupam os dircoms nos dois lados do Atlântico e criamos os conteúdos de acordo com esses interesses.

Adquiriremos conhecimentos tecnológicos relacionados à inteligência artificial, cibersegurança, blockchain e smart data, entre outros, e para isso, contaremos com líderes mundiais, como, por exemplo, o diretor do laboratório do MIT, Brian Subirana, de onde surgiu o que conhecemos hoje como Internet of Things. A parte dedicada à emoção será representada por grandes estrelas e campeões mundiais, como Jorge Drexler, Alberto Contador, Javier Fernández e Toni Nadal.

A parte de adaptação tratará de temas socialmente comprometidos, como o assédio e a corrupção, a diversidade e inclusão, bem como as chaves sobre como gerar mudança na cidadania. Para isso, contaremos com Rosalía Arteaga, presidenta do Equador (1997); Camilo Granada, ex-conselheiro presidencial de comunicações da Colômbia; Mariano Jabonero, Secretário Geral da OEI, e Olga Pontes, diretora de compliance da Odebrecht.

Convido-lhes a rever o programa da cimeira para conhecer detalhadamente todas as mesas e conferências que se realizarão, em Madrid, nos dias 8, 9 e 10 de maio de 2019.