Valeria Abadi: “A informação precisa e oportuna, bem como a construção de espaços de diálogo, provaram ser uma ferramenta eficaz para lidar com a complexidade.”

Valeria Abadi

É Gerente Corporativa de Comunicação Institucionais e Serviços de Marketing

Grupo Arcor

Atual Presidente do Círculo Dircoms da Argentina. (Círculo de Diretores de Comunicação da Argentina)

É Gerente Corporativa de Comunicação Institucionais e Serviços de Marketing do Grupo Arcor. De sua sede na Argentina, ela é responsável pelo gerenciamento global da estratégia de imagem e comunicação corporativa - interna e externa - e pelas áreas de publicidade, redes sociais, mídia e licenças, desenho e pesquisa de mercado.

É formada em Psicologia pela Universidade de Belgrano e estudou Jornalismo na TEA. Paralelamente ao seu desenvolvimento profissional, completou uma pós-graduação em Recursos Humanos na IDEA e um mestrado em Gerenciamento de Comunicação em Organizações (Universidade Austral) e cursos de especialização na Harvard University e Northwestern University. É professora do Mestrado em Marketing e Comunicação na Universidad de las Américas (Equador) e da Universidade de San Andrés (Argentina). Foi presidente do Conselho de Publicidade da Argentina de 2016 a 2018 e atualmente é membro de seu Conselho de Administração. Iniciou sua carreira profissional há 23 anos na Edenor (subsidiária do Grupo Endesa). Logo assumiu a Gestão de Recursos Humanos e Comunicação da Électricité de France para a América (Estados Unidos, Brasil, México e Argentina). Há 14 anos, trabalha na Arcor, onde assumiu diferentes responsabilidades.


P: Como a comunicação das organizações mudou nos últimos meses? O que você considera a mudança mais relevante?

R: Aqueles que trabalham com comunicação sempre souberam a importância de nossa área para as organizações e para fortalecer o vínculo com nossos stakeholders. Em tempos de crise, a relevância da comunicação aumenta.

A informação precisa e oportuna, bem como a construção de espaços de diálogo, provaram ser uma ferramenta eficaz para lidar com a complexidade.

Concretamente, a comunicação é o veículo para conscientizar a sociedade sobre a necessidade de se cuidar durante a pandemia, reduzir a incerteza e conter nossas equipes de trabalho, apoiar as comunidades onde operamos e fornecer soluções aos nossos clientes.

Em síntese, a comunicação nos permite ouvir e nos adaptar como organização às necessidades do contexto.

P: Como você descreveria a relação entre marketing e comunicação? Você considera que o relacionamento entre os dois campos foi fortalecido ou enfraquecido diante da nova realidade que estamos vivendo?

R: As empresas que melhor entenderam o contexto são as que unificaram ou alinharam ainda mais suas estratégias de comunicação e marketing. Hoje, mais do que nunca, espera-se que marcas e empresas resolvam problemas, forneçam soluções e aliviem o cliente ou consumidor. Em crises, é o momento de “storydoing” e não do “storytelling”.

Na Argentina, por exemplo, a pandemia também gerou espaços de integração não apenas dentro das empresas, mas com outros atores do contexto. Destaco as boas campanhas de bem público em que não existe uma marca que a capitaliza, mas um grupo de atores sociais que se unem a um objetivo comum, como o caso “Somos Responsables”, “Pensemos en los demás” e “Trabajadores Presenciales – Día del Periodista”, promovidas por Dircoms (Círculo de Diretores de Comunicação da Argentina), Conselho Profissional de Relações Públicas, ADEPA (Associação de Entidades Jornalísticas da Argentina), ATA (Associação de Radiodifusores da Argentina), ARPA (Associações de Radiodifusores Privados da Argentina), Conselho de Publicidade Argentina, entre outros.

P: Qual o papel da comunicação na reconstrução econômica que as empresas estão enfrentando e terão como consequência da pandemia?

R: Embora a comunicação seja fundamental, nesse sentido, ela está sujeita ao plano de reconstrução definido por governos e empresas. Sem dúvida, uma vez definido o plano, a comunicação é essencial para gerar coesão, alinhamento e significado na sociedade.

P: Quais objetivos Círculo Dircoms perseguirá sob sua liderança como presidente da organização? Você poderia nos contar sobre alguns de seus projetos?

R: Antes de tudo, quero lhes dizer que estou honrada com a nomeação e muito entusiasmada com o desafio que está por vir, junto com o novo Conselho Diretor.

O Círculo DirComs nasceu há 18 anos quando líderes de comunicação de destaque entenderam a necessidade de ter um espaço de reunião entre colegas das empresas mais importantes do país, a fim de compartilhar experiências e pontos de vista. Com o tempo, esse espaço cresceu até se tornar uma rede de 150 profissionais argentinos.

Conscientes do papel que a comunicação tem na vida institucional de nosso país, refletimos há muito tempo sobre a contribuição que podemos dar como organização. Nesse sentido, além de nossos próprios espaços para membros, estamos lançando iniciativas de maior conexão com nossos ambientes.

Lançamos recentemente a DircomsNet, uma newsletter semanal em parceria com a Red/Acción destinada a todas as pessoas interessadas em comunicação corporativa e relações públicas. É nossa contribuição para enriquecer a reflexão e o pensamento crítico. É uma área para compartilhar opiniões sobre como nosso trabalho é ou pode ser feito, para encontrar histórias de sucesso, estatísticas e pesquisas valiosas. Aproveito esta oportunidade para estender o convite a todos os leitores deste boletim.

Em breve, também lançaremos o Dircoms Awards para as melhores ações de comunicação em nosso país e continuaremos com as distinções de profissionais reconhecidos. Além disso, também planejamos realizar pesquisas sobre o valor do papel dos Dircoms que, sem dúvida, serão do interesse de todos os profissionais de comunicação e relações públicas.