Daniel Romero-Abreu

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Por que um CEO não deve ignorar o poder da comunicação interna em sua estratégia de comunicação corporativa

26 Fevereiro 2019 |by Fundacom | Comentários fechados em Por que um CEO não deve ignorar o poder da comunicação interna em sua estratégia de comunicação corporativa | Conocimiento | , ,

A comunicação interna é, em essência, tudo o que é dito e compartilhado dentro de uma organização. No entanto, apesar de ser uma poderosa ferramenta capaz de aumentar a produtividade e o desempenho, é uma das grandes carências empresariais. A comunicação interna deve estar integrada tanto à estratégia de comunicação corporativa quanto ao posicionamento do CEO.

Muito se investiu em identificar e estabelecer os públicos-alvo para os quais direcionar as comunicações corporativas, mas não há conscientização de que o primeiro público-alvo em que devemos sempre pensar é a equipe humana da própria organização. É tão importante cuidar dos clientes e fornecedores quanto dos funcionários, que são os que fazem prosperar o negócio com esforço e trabalho diário.

Comunicar, mas também escutar

A comunicação desempenha um papel essencial na gestão de uma liderança eficaz, gerando ressonância em todos os seus colaboradores e favorecendo o processo de comunicação linear, ascendente e descendente na empresa.

O CEO, na comunicação de seu pensamento, deve se envolver na construção de um ambiente de confiança que garanta a efetividade das mensagens e minimize as possibilidades de conflito, tornando-se um ativador e catalisador do processo de criação de uma equipe e de um ambiente de trabalho.

Conversar com os funcionários é a única maneira de alinhá-los com a missão, a visão e os valores da organização. No entanto, não é importante apenas comunicar. Sempre é preciso ter em mente que a melhor comunicação interna é sempre bidirecional.

Um líder com um discurso unilateral é um líder à derivaporque não conta com o apoio de um grupo humano, sua equipe, que esteja disposto a ser guiado e segui-lo em sua aventura. Somente com a escuta é que se consegue esse tão necessário envolvimento e comprometimento da equipe, a partir do momento que ela entende o projeto empresarial como algo próprio e comum. Essa escuta ativa enriquece a tomada de decisões gerenciais e afeta, modifica, molda e constrói o líder através de sua capacidade de se adaptar às necessidades internas.

Sem confiança não há comunicação

No entanto, tudo que foi dito acima é em vão se o líder como comunicador não for uma figura confiável dentro de sua organização. O CEO tem um papel de protagonista e de responsabilidade no futuro da empresa e somente se houver credibilidade na relação entre o emissor e o intérprete (direção-empregado), será possível dissipar as incertezas, lidar com as mudanças e motivar as equipes na realização dos objetivos.

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Quatro maneiras de influenciar além de seu cargo.

22 Agosto 2018 |by Fundacom | Comentários fechados em Quatro maneiras de influenciar além de seu cargo. | Conocimiento | ,

O que procuramos em nossos líderes pode mudar dependendo dos ciclos econômicos. Descartamos certas características como fraquezas em um período e valorizamos essas mesmas características como forças em um próximo ciclo. É ilustrativo observar a evolução da avaliação de líderes desde um processo intuitivo e irracional para um processo muito mais científico.

No ano passado, as empresas Russell Reynolds Associates e Hogan Assessments examinaram dados psicométricos de mais de 5 milhões de líderes. Eles queriam entender melhor como identificar os executivos que têm o potencial de ser C-suite, ou, em outras palavras, que têm capacidade de assumir cargos de alta gerência e com a maior probabilidade de sucesso a longo prazo.

As funções de C-suite são desafiadoras e, geralmente, de alto perfil. Cometer um erro pode ser caro. Reduzir o fracasso executivo encontrando líderes que estão capacitados para navegar pela incerteza minimiza um tremendo risco para uma empresa.

O que encontraram ao revisar os resultados foi surpreendente. Algumas das características de personalidade que ajudam os líderes a ascender ao C-suite podem resultar em um desempenho positivo a curto prazo. No entanto, essas mesmas características também podem levar ao descarrilamento da corrida se não forem bem manejadas a médio e longo prazo. Entre as competências que mais favoreceram o sucesso, quatro áreas foram detectadas:

  1. Disruptivo e pragmático: uma organização precisa de líderes para alterar o status quo com a inovação, mas eles também devem ser pragmáticos em relação ao foco, às prioridades e ao ritmo da inovação em sua organização.
  1. Assumir riscos e relutâncias: bons líderes assumem riscos calculados e aproveitam oportunidades, mas também queremos que mostrem uma vigilância que evite desviar uma organização.
  1. Heroico e vulnerável: os líderes heroicos devem garantir que a perseverança e a determinação não se tornem um autoengano. Os líderes devem pedir opiniões e assessoramentos suficientes para fazer melhorias contínuas para si e para sua organização.
  1. Galvanização e conexão: os líderes devem conseguir apoio com energia e inspiração, mas também precisam saber quando recuar e compartilhar o crédito, promover o sucesso dos outros e conectar a organização com valores mais elevados e uma missão.

Trabalhar nestes parâmetros de caráter ou comportamento pode nos ajudar a obter um bom líder que se alinhe com a cultura da empresa. Mas, como indiquei no início, há também a necessidade de uma estratégia que consolide esse líder em seu setor e faça dele uma referência em seu campo. Caso contrário, o potencial C-suite não deixará de ser um gestor brilhante que poderá ser facilmente substituído por qualquer outro quando chegue o caso. E como ele, sua empresa também será.

Líder no ambiente das ideias

Por isso é importante trabalhar no posicionamento no líder no ambiente das ideias e dos valores para torná-lo uma referência, um especialista em seu campo. E, para isso, proponho que todos os líderes comecem fazendo um exercício simples, que é responder a esta pergunta: “onde eu quero estar?”. E também a esta outra pergunta chave: “quem sou eu?” Estou ciente de que é difícil desapegar das inseguranças, dos medos, dos egos e das etiquetas (impostas ou autoimpostas) para observar a si mesmo com alguma imparcialidade e tomar decisões sobre o presente e o futuro.

Para isso, a primeira coisa a fazer é encontrar o lugar que você já está ocupando no mundo. Onde você está agora tem a ver com todos os movimentos que você tem feito até esse momento; aonde você vai depende da direção que você tomar, e quão longe você chegar tem a ver com o esforço que você fizer, mas nunca devemos descontar uma pequena dose de acaso, ou seja, aquilo que não depende de nosso controle. “Em todas as empresas, há que considerar dois terços para a razão e um terço para o acaso”, disse Napoleão Bonaparte.

Proponho que reflita sobre estas quatro questões:

  1. (Re) descobrir quais são as conquistas que você já alcançou e as habilidades que você já tem.
  2. Determinar qual imagem você projeta (o que os outros pensam de você).
  3. Identificar as áreas nas quais você pode se destacar como especialista.
  4. Decidir quais são os temas em que você se sente confortável.

Entre “o que é seu”, sua vocação e o mundo, há pontos de encontro: aquelas coisas que nos interessam, mas que, de alguma forma, também fazem parte dos interesses de um grande número de pessoas. Um especialista se move nessa interseção entre o intimamente pessoal e o coletivo. Nas palavras de Risto Mejide: “é preciso encontrar entre todas as coisas que gostamos, aquelas que os outros gostam também. Porque são essas as que nos permitirão viver com eles “.

Você tem que criar o hábito de ouvir e saber o que interessa às pessoas no ambiente em que você se move. A Internet é uma fonte muito valiosa de informações, mas não se esqueça de que existe todo um mundo analógico onde você pode conhecer seu público, desde conferências e apresentações de livros até conversas informais em um terraço.

Encontrar em que você é o melhor é o primeiro e mais importante passo de todos. Uma vez que tenha se descoberto profissionalmente, você deve elaborar uma estratégia para chegar àqueles públicos que podem ser interessantes e organizar um plano de trabalho detalhado para alcançá-los. Nos seguintes posts irei esmiuçar os processos que lhe ajudarão no seu caminho para se tornar essa referência que o fará reconhecido.

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Na era da infobesidade, a reputação é essencial para sobreviver

20 Junho 2018 |by Fundacom | Comentários fechados em Na era da infobesidade, a reputação é essencial para sobreviver | Conocimiento | ,

Na era da superabundância de notícias, estamos experimentando uma mudança fundamental de paradigma em nossa relação com o conhecimento. A partir da “era da informação” estamos nos aproximando à “era da reputação”, na qual a informação terá valor apenas se já tiver sido filtrada, avaliada e comentada por outros. Atualmente, a reputação tornou-se um pilar central da inteligência coletiva. É a guardiã do conhecimento.

Gloria Origgi, filósofa italiana e pesquisadora do Centro Nacional Francês para a Pesquisa Científica (CNRS), cunhou este conceito em um artigo intitulado “Diga adeus à ‘era da informação’: Tudo se trata de reputação agora”. “Há um paradoxo no campo do conhecimento, que desempenha um papel central nas democracias liberais e hiperconectadas: quanto maior o volume de informação que circula, mais utilizamos e nos apoiamos em dispositivos de reputação para avaliar os dados”, diz Origgi.

“O que torna esse fenômeno paradoxal é que o vasto aumento em nosso acesso à informação e ao conhecimento que experimentamos hoje não nos capacita nem nos torna mais autônomos a nível cognitivo. Pelo contrário, nos torna mais dependentes de julgamentos e opiniões de terceiros”, acrescenta. Portanto, ninguém deveria se surpreender que a reputação agora prevaleça sobre a informação, porque estamos experimentando uma crise de confiança sem precedentes no mundo.

O perigo da infobesidade

Em 1997, quando o Facebook, o Twitter e as redes sociais ainda não existiam, William Van Winkle calculou que uma única cópia da edição de domingo do New York Times continha mais informações do que um europeu do século XIX poderia adquirir em toda sua vida. Como é normal, achamos impossível absorver toda essa informação e ficamos desconcertados. Assim, buscamos a tendencia a nos especializar. Em que nos especializamos? Especializamos-nos no que é importante para nós, no que nos interessa, naquilo que somos apaixonados. Normalmente, serão nossos hobbies ou nosso trabalho.

Daniel Levitin explica, em seu livro “The Organized Mind”, que em 2011 um americano recebia cinco vezes mais informações por dia do que em 1986, o equivalente a 175 jornais; durante nosso tempo de lazer, ouvimos cerca de 100.000 palavras; as redes de televisão produzem diariamente 85.000 horas de novos conteúdos, em 2016 se subiam 300 horas de vídeo para o YouTube por minuto…

Nosso cérebro tem a capacidade de processar toda a avalanche de informação que recebe diariamente a uma velocidade estimada em 120 bits por segundo (um iPhone 7 tem um processador de 64 bps), mas não sem pagar um preço: nos cansamos e temos dificuldades para separar o trivial do importante. Para este excesso de informação que recebemos, foi dado o nome de infobesidade ou sobrecarga de informação: a sensação de ter muita informação sobre um tema, o que resulta em ansiedade, paralisia e frustração.

Economia de atenção

Diante da abundância e da acessibilidade da informação, a atenção humana começa a ser considerada como um recurso escasso. Se até poucos anos atrás era possível gerenciar audiências, que eram monoplataforma e cativas, hoje a promiscuidade é uma constante. Atrair a atenção do público, ganhar sua confiança, gerar interesse contínuo e convencer são a estratégia correta. E como fazemos isso?

A atenção depende de dois fatores: o interesse, que depende fundamentalmente do conteúdo e do contexto; que depende do momento, da situação ou do lugar em que esse conteúdo é recebido. Ambos são essenciais, porque prestaríamos pouca atenção a um conteúdo de alta qualidade recebido em um momento inadequado.

Diante dessa situação, o que qualquer pessoa normal faz é, primeiro, bloquear-se, e depois selecionar intuitivamente apenas o que lhe interessa, seja porque a entretém, porque se relaciona com sua profissão ou porque tem a ver com seus hobbies e paixões. A tendência natural é procurar referências, e essa busca será baseada na sua reputação, porque não temos tempo nem ferramentas necessárias para processar a quantidade de notícias que são emitidas, muitas delas falsas.

É por isso que agora é mais necessário do que nunca que o especialista se concentre e aprofunde um tema. Ter um conhecimento vertical, ou especializado, nos torna valiosos para a sociedade. Se você parar para refletir por um momento, encontrará exemplos no seu dia a dia. Quando foi a última vez que alguém lhe pediu conselhos em uma situação que não entendia muito bem ou lhe pediu ajuda para fazer algo? O que faz você valioso para aqueles ao seu redor e no que você é referência para eles?

Na era do excesso de informação, é necessário trabalhar esse posicionamento pessoal que o distinguirá dos outros e que poderá ser usado para melhorar o mundo, para alcançar relevância em seu entorno, para aproveitar mais o seu trabalho e seus hobbies e, por que não, para transformá-los em uma fonte de renda.

Interação regular e direta

Outra mudança que ocorreu é que os novos especialistas não precisam estar vinculados a uma organização de marca. Em vez disso, sua reputação é construída por meio da interação regular e direta com o público que usa a Internet e as redes sociais. Um exemplo recente disso é o rápido crescimento do acadêmico Jordan Peterson.

Peterson era um professor pouco conhecido de psicologia na Universidade de Toronto até 2016, quando começou a publicar uma série de vídeos no YouTube criticando o politicamente correto. Mais tarde, ele deu uma entrevista nas notícias do canal 4 que se tornou viral e seu livro “12 Regras da vida” se tornou um best-seller. Agora tem mais de 500.000 seguidores no Twitter. Outro exemplo é o de Tyler Cowen, cujo blog permitiu que ele divulgasse amplamente seu conhecimento acadêmico para se tornar um dos principais pensadores americanos.

Entramos na era em que a reputação dos indivíduos é a fonte da autoridade.

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