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Das Fake news à Infomedia

31 Julho 2020 |by Fundacom | Comentários fechados em Das Fake news à Infomedia | Conocimiento | , ,

Antes das mídias digitais, a comunicação saía dos meios tradicionais para as pessoas e de lá eram levadas para mesas de discussão, refeições ou conversas com amigos. Atualmente, a informação chega diretamente a cada pessoa, seja por causa do que consome regularmente ou porque as pessoas próximas a ela a publicam. Esses conteúdos vão do privado ao público e retornam, do público ao privado.

As notícias falsas ou fake news podem ser descritas como um conteúdo de qualquer tipo que tente deliberadamente posicionar, em um vácuo de informações, uma história imprecisa ou falsa. Com a chegada das mídias digitais, a velocidade e o tempo diminuíram e não há uma barreira real contra a viralização das mesmas.

1. As notícias falsas são prejudiciais?

A notícia em si não é boa ou ruim, o que conta é a intenção por trás de sua divulgação, de forma que as notícias falsas possam afetar nossa economia, investimentos e o valor de nossos negócios.

Além da intenção, sendo seres sociais, agrupando-nos por interesses e comportamentos nas comunidades – atualmente mais digitais –, tendemos a polarizar nossas crenças e a defender versões mais extremas do que antes de pertencer a essas comunidades.

O meio também é importante: mídias digitais privadas, como grupos do WhatsApp ou do Facebook, tendo como membros familiares, amigos ou conhecidos próximos com quem se compartilha não apenas uma visão conjunta mas um vínculo emocional, fazem com que não se verifique o conteúdo ou fonte.

2.Gradação nas notícias falsas

Raramente uma notícia é 100% falsa, existe uma gradação na manipulação do conteúdo para posicioná-la, aproveitando o fato de que existem lacunas de informação.

3.Infodemia

A chegada da pandemia em todo o mundo, o confinamento de grandes populações, a preocupação com a saúde e a economia trouxeram consigo uma avalanche sem precedentes de informações em todo o mundo. Essa quantidade de informações relacionadas ao tema em particular é chamada de infodemia.

Essa multiplicidade de informações, também com gradações, junta-se à existente sob o guarda-chuva de notícias falsas, o que dificulta que as pessoas possam selecionar o conteúdo de fontes confiáveis ​​e fidedignas.

Na imagem a seguir, explicamos a maneira como se pode classificar o tipo de conteúdo e os públicos que geram as opiniões.

Os conteúdos podem ser classificados por nível de especulação e impacto:

  1. Dados concretos que causam alto impacto emocional nas pessoas; geram estresse, induzem ao estado de alerta e levam as pessoas a agir.
  2. Informações não confirmadas que causam alto impacto emocional, provocam paranoia nos públicos digitais e levam as pessoas a agir.
  3. Dados concretos que causam impacto emocional moderado ou baixo nas audiências digitais e as mantêm informadas.
  4. Informação não confirmada que causa impacto emocional moderado ou baixo nas audiências digitais e que as mantêm interessadas.

E os quatro grandes públicos que promovem esse tipo de conteúdo podem ser classificados em:

  1. Iluminados, aqueles que inventam teorias nas quais pensam em uma nova ordem.
  2. Conspiradores, que criam teorias baseadas em seus preconceitos e medos.
  3. Técnicos que são pragmáticos e que procuram prever o futuro.
  4. Cientistas, que se baseiam em números para definir e criar o futuro.

4. O que teríamos que implementar para reduzir as notícias falsas e a infodemia

Assim como os países estão lutando para impedir a propagação do vírus, também temos que lutar contra a informação falsa. Infelizmente, não existe cura como seria uma vacina, então você deve agir em diferentes frentes:

  1. Consumidores

Como tudo, é uma questão de educação. É necessário educar os consumidores de conteúdo a suspeitarem de letras maiúsculas, dos URLs que se assemelham aos sites que costumam consumir, a verificar se outras fontes confiáveis ​​trazem as notícias, a fazer uma busca reversa das imagens e vídeos que trazem o conteúdo e analisar o “sobre” ou “about” do site.

  1. Plataformas de dispersão

Embora algumas plataformas como o Twitter, o Facebook e o YouTube estejam implementando novas maneiras de localizar e bloquear notícias falsas ou manipuladas graças à inteligência artificial, enquanto seu modelo de negócios continuar sendo o de publicidade, será muito difícil obter progressos significativos, porque o dinheiro do anunciante continuará a prevalecer sobre a qualidade do conteúdo.

Uma das soluções prováveis ​​seria alterar o modelo de publicidade para assinatura. O usuário teria que pagar pelo conteúdo. Além disso, seria necessário modificar os algoritmos que tendem a polarizar os usuários, apresentando apenas conteúdos que se assemelham ao grupo de pessoas com quem está relacionado ou às páginas dão like, porque isso distorce ainda mais a informação que recebe e não permite a criação de outros julgamentos de valor.

  1. Governos e autoridades

Não é a totalidade, mas vários governantes participam na dispersão de meias notícias, conspirações ou até notícias falsas, a fim de desviar a atenção das questões ou antecipar uma resposta negativa à crise. Especialmente aqueles governos com conotações populistas.

Nesse sentido, o trabalho deve ser mundial, para incentivar penalidades estritas pela disseminação deliberada de conteúdo falso, bem como para fortalecer leis que promovam a responsabilidade online.

Da mesma forma, recorrer a entidades autônomas que possam ser fontes confiáveis ​​de verificação dos fatos.

  1. Tecnologia

O avanço da ciência de dados permitiu a criação de algoritmos que podem não apenas identificar notícias falsas, mas prever com eficiência a criação e a disseminação de conteúdo. A antecipação é alcançada através da compreensão dos padrões de comportamento dos públicos de interesse na mídia digital quando o conteúdo viaja do privado para o público e, para entender o impacto, é necessário analisar os padrões das reações desses públicos.

Em tudo isso, o problema fundamental é quem decide ou poderia decidir se algo é verdadeiro ou falso. A resposta está longe de ser resolvida.

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