Nuria Moreno

Fundacom > Nuria Moreno

A comunicação facilita a liderança e a liderança a comunicação

21 Junho 2019 |by Fundacom | 0 Comments | Conocimiento |

Às vezes observamos uma pessoa e vemos integridade, outras vezes percebemos liderança. Alguns apresentadores têm presença, outros, carisma. Como ocorre isso? Como o carisma é adquirido? Onde você compra? Na Amazon? Alguns mal abrem a boca e já chamam a atenção de todos, outros falam rapidamente, e são interrompidos no ato, outros falam sem parar, mas pouco dizem e, também, pouco importa, porque eles nem sequer são ouvidos. Com o que têm a ver essas coisas? Muito fácil, a maneira como comunicamos tem a ver, em primeira instância, com a nossa natureza. Você não pode transmitir o que você não tem. Se você tem foco, força e estrutura, isso é visto na concretude no discurso e na postura firme e estável no corpo. Se, por outro lado, houver dispersão e uma emocionalidade pouco estável, uma posição corporal reta, ereta, sólida e forte não estará presente, ao contrário, haverá movimento nas pernas e pés pouco firmes no solo.

Como nos comunicamos influencia nossa liderança e, por sua vez, como lideramos tem a ver com a forma como nos comunicamos. Porque tudo é uma mesma coisa. As pessoas são um sistema holístico onde tudo está relacionado, não podemos trabalhar a liderança sem trabalhar, ao mesmo tempo, confiança, gestão emocional, autoestima, assertividade, firmeza e uma longa lista de qualidades.

De acordo com isso, vamos analisar o líder em profundidade da cabeça aos pés. Como se reconhece o líder? Quais são as suas características pessoais e sua expressão física? E como se trabalha a comunicação com liderança e vice-versa, através do desenvolvimento das habilidades comunicativas do líder?

Em primeiro lugar, a coisa mais básica que o líder deve ter é estrutura. A pessoa não floreia, é breve, enumera, dá dados e exemplos concretos. Em sua forma física, há retidão. A pessoa é forte, as pernas não se dobram, não há balanço. Um líder com os pés no chão é reconhecido precisamente por isso: pés paralelos, bem enraizados, voltados para a frente, com uma postura firme e estável. Pés posicionados assim nos levam imediatamente para o aqui e agora, a pessoa não está fantasiando, age no mundo concreto, anda em linha reta, não se deixa levar. É realista, não desperdiça tempo ou energia em missões impossíveis. O líder executivo é caracterizado por uma alta autoestima, confiança projetada, determinação. Como ele tem muita certeza de si mesmo, não precisa projetar as pernas excessivamente, fazendo um triângulo, para se posicionar. Não precisa se tornar maior para ser, para estar ou para se impor. O foco está na ação, na concretização, nas metas, nos feitos. É o líder executivo. A partir dele, geramos a capacidade de transmitir confiança e segurança.

Em segundo lugar, uma vez que haja estrutura, foco e realidade, a próxima coisa que um líder precisa ter é uma boa gestão emocional. Essa capacidade é medida pelo movimento. Tudo o que nos emociona nos move. E, por sua vez, nos emocionamos, quando nos movemos e somos capazes de comover. Se ao líder dos objetivos lhe caracteriza o plano vertical, sua presença, retidão e estabilidade; ao líder das pessoas lhe caracteriza o plano horizontal, tudo o que se move da cintura para cima, em expansão e conexão. Tronco, braços, mãos, cabeça e expressão facial, são a expressão de afeto. As pernas mostram posição, rigor, profissionalismo; os braços, por outro lado, são a extensão do coração, estão ali para doar, servir, conectar e abraçar. O primeiro segue em frente, para si; o segundo, com uma equipe. Se uma pessoa, portanto, move as pernas ao falar, com vaivéns, balanceios altivos, enquanto seu rosto permanece hierático, sua liderança está plantando bananeira.

O importante na hora de observar o movimento e seu significado é reparar no que se move e como se move, isto é, se o movimento é excessivo ou consistente. Na comunicação não-verbal, tudo o que é exagerado é mentira e, portanto, retira da pessoa credibilidade e autenticidade, o que, como dissemos no artigo anterior, é a maior barreira que pode existir entre um comunicador e seu público. O carisma tem a ver com isso, com autenticidade, com a capacidade de nos mostrar. Uma pessoa que se esconde, que não se entrega, com as mãos para trás, ou dentro dos bolsos, que anda de lado ou que não olha para os outros, não pode irradiar carisma.

A pessoa com boa gestão emocional é expressiva a nível facial, que é onde se encontra os sentidos e, portanto, onde melhor podemos gerar a conexão com o outro. A próxima coisa que tem grande importância são as mãos, que devem se mover de uma maneira consistente com o que é dito, reforçando o discurso, e permanecendo à altura do tronco, denotando igualdade, e não inferioridade ou superioridade; não devem estar escondidas ou demonstrar tensão. Deixe-as mover-se livremente e com desenvoltura. Os braços não devem estar grudados ao corpo, demostrando pequenez, e sim abertos, com o tronco posicionado para frente e não de lado. Onde você não pode deixar escapar um movimento de forma descontrolada são nas pernas, com balanços, vaivéns ou pulinhos. O movimento serve para emocionar, para comover. Sem movimento não há afeto, não há tato, e o movimento não é visto apenas no corpo, mas também na voz, na variedade tonal, na intensidade, na ênfase, no ritmo e no volume. Movimento e emoção são, portanto, a base da comunicação, não podem ser restringidos, bloqueados ou estar ausentes. O líder que se conecta, se move e se emociona de forma natural é o líder das pessoas. A partir dele, geramos a capacidade de gostar, persuadir, contagiar e conquistar o outro.

Já temos, até agora, um líder que é governado por uma forte vontade de alcançar objetivos, orientado para a ação, mas que cuida das pessoas. Ao comunicar, tem firmeza e autoridade, mas também tato. O que estaria faltando? O tempo e o espaço, ou em outras palavras, a capacidade de escuta, de calma, de serenidade. Um líder que não escuta não é um líder, assim como falar não significa se comunicar. Para se comunicar, você deve saber quem está enfrentando, como é essa pessoa, o ela necessita, o que a move, o que lhe interessa. Para isso, você tem que ouvir. O bom comunicador sabe como adaptar seu discurso às pessoas com quem lida. O primeiro requisito é escutar. E a escuta é feita com todos os sentidos. Nós podemos ouvir com nossos olhos, por exemplo. Escutar tem a ver com ver o outro. O que caracteriza a escuta é a capacidade de introspecção e reflexão. A pessoa tem um mundo interior rico, desfruta dos espaços consigo mesma e de atividades tranquilas como ler, caminhar ou contemplar. Sua vida não é governada pela ação. Não corre. Quando ela sai para falar diante de um público, esse tempo e espaço lhe permitem que ela esteja em si mesma. Não se apressa. Não se movimenta em excesso. Não fica nervosa.

Uma pessoa que vive no imediato não desenvolve a escuta. A pessoa assim, não é dona de seu tempo, não controla o ritmo, nem a velocidade, mas vive dominada pela pressa, e isso a torna incapaz de refletir e escutar enquanto fala. A escuta é dada pela necessidade de parar e entender o significado profundo das coisas que nos acontecem e que chamam nossa atenção. Impulsos e emoções tornam-se sentimentos profundos através da escuta. Quando a pessoa tem espaço, isso é visto. O espaço interno gerencia as emoções e as regula, é por isso que a pessoa com capacidade de escuta não fica nervosa, não perde a compostura, não interrompe, não falta com respeito, não insulta, mas espera, tem paciência. Não há descontrole. Não há excesso. A voz é suave, a pessoa usa silêncios, pensa antes de falar, não esquece nada do que quer dizer, argumenta em detalhes do começo ao fim e o uso das palavras que emprega é seletivo e refinado. A escuta também tem a ver com atenção, com o respeito e com a qualidade e o calor do vínculo. Quão importante é a escuta! A partir disso, iremos gerar a capacidade de desenvolver um conceito complexo, e, se tudo que já foi dito está bem, se o líder executivo e o líder das pessoas estiverem no seu devido lugar, o racional é capaz de fazer o complexo algo simples, para que todos entendam. Este é o líder ideológico. Um grande conhecedor. Se a pessoa é racional, mas lhe faltam os pés e os braços, ou seja, se falta a ação ou a emoção, a pessoa poderá desenvolver conteúdos muito complexos, será capaz de gerenciar e regular suas emoções, será respeitosa, não vai se atropelar, mas não será capaz de se comunicar, de fazer esses conteúdos compreensíveis e úteis, e de alcançar seu público.

Três capacidades básicas deve ter um bom comunicador: a capacidade de concretização, a capacidade de conexão e a capacidade de reflexão. Se alguma delas não estiver presente, não será possível ser um bom comunicador. Três capacidades básicas tem que ter um líder: a orientação por objetivos, a gestão emocional e a escuta, ou em outras palavras, a competência prática, a emocional e a racional. Se alguma dessas três não estiver presente, não é possível ser bom líder.

Há um processo e há uma ordem na evolução do líder. Se o primeiro não está presente, o intelecto perde a conexão com a realidade e com os outros, apenas se comunica em um nível intelectual. Isso não é comunicar. Muitas vezes também se cai no elitismo e na prepotência. Vive-se no mundo das ideias. O corpo não está presente. As mãos vão para a cabeça. As costas ficam curvadas. Os olhos leem, não olham, não conectam. A partir desse ponto, o erudito não alcança as pessoas, nem é efetivo. Está resguardado nas palavras e nos conceitos. Para comunicar, é preciso tocar os corações. É preciso comover. E é preciso ser concreto e realista.

Além dessas três qualidades, há um quarto fator que nos permite levar mais adiante a comunicação e a liderança, a capacidade de serviço. A pessoa com essa qualidade tem uma grande capacidade de análise, visão de conjunto e intuição. Sua necessidade de servir faz com que ela tenha uma visão global. Não se trata de mim, na primeira pessoa, nem sobre as minhas coisas, em primeiro lugar, minha família, meu país. Não. Diz respeito a todos, a humanidade como família, o global é o primordial, as coisas que nos afetam como sociedade e como humanidade. E a visão de longo prazo. Essas pessoas são fortemente regida pelos valores e, a partir desse ponto, com grande humildade, conseguem mobilizar as massas e transformar o mundo, colocando-se a serviço sem qualquer interesse pessoal, exceto ao de servir a uma causa maior que a si mesmas e serem fieis, isso sim, ao propósito de sua alma, com a qual estão fortemente ligadas. Quando falam, têm a virtude de captar a atenção e, de maneira muito sutil, entrar em um espaço intacto dentro das pessoas, ativando nossa consciência individual e coletiva. É o líder transformacional. Um grande sábio. Ele tem uma grande capacidade de análise e sabe como chegar à essência das coisas, ao que realmente importa. Não se move no mundo das ideias, das informações e dos dados, como o racional, mas no mundo das essências, das verdades últimas e universais. Tem uma grande capacidade de discernir, uma grande consciência do que realmente importa. A partir dele, geramos a capacidade de comover, sensibilizar e transformar em questão de segundos. As pessoas evoluem muito lentamente. Mas quando a consciência entende, a mudança é imediata.

Quatro competências básicas desenvolveram o ser humano ao longo da evolução das espécies com base em nossa necessidade vital de sobreviver, de pertencer, de compreender e de servir aos outros: a competência prática, a emocional, a intelectual e a social. Quatro habilidades básicas que são regidas por quatro mecanismos. Ação, emoção, razão e intuição têm um modo de comunicar em profundidade e forma, em corpo e alma, verbal e não-verbal. Em termos de comunicação não-verbal, correspondem-se com um mapa mental, uma emoção básica, uma configuração bioquímica, uma preferência cerebral e uma forma corporal. Você sabia que a comunicação não-verbal abrange todas essas áreas?

Com base nessa tendência em cada pessoa, sabemos qual é sua necessidade vital e sua maior motivação, o que governa seus hábitos, sua maneira de se comportar, evoluir, liderar e de se comunicar. É muito fácil e lógico, certo?

Nossa oralidade e nossa corporeidade mostram que nível de habilidade alcançamos em cada uma dessas competências e, com base nisso e em nossa natureza, haverá em nós uma preferência segundo a qual podemos falar de quatro tipos de liderança: a executiva, a pessoal, a ideológica e a transformacional.

No entanto, o ser humano é complexo, todos nós temos de tudo. Além disso, essa natureza pode estar em equilíbrio ou desequilíbrio. Eu sei, aqui as coisas ficam complicadas. Nem tudo seria tão fácil assim. Todos nós temos tudo, sim, mas todos temos uma tendência preferencial. O bom comunicador não pode mostrar apenas sua tendência natural, ele tem que mostrar que possui as quatro competências, e alterná-las, mesmo que uma delas seja inata. O caminho é observar a nossa natureza, quando e como ela se fortalece ou se desequilibra, quando vai para o polo negativo e como se reorganiza. O que vai bem e o que vai mal, o que está freado ou restrito. Como dissemos no artigo anterior, se estamos na marca ou na contra marca. A partir dessa reflexão, podemos trabalhar a liderança através da comunicação e vice-versa. Baseado em quem somos.

Trabalhar a comunicação é trabalhar a identidade, é transformação pessoal e é evolução. Mas isso vamos ver no próximo artigo.

E você, que tipo de líder é?

 

Web: www.nuriamroeno.com

Blog: www.nuriamoreno/blog

Instagram: #comunicacionoverbal

Facebook group: Body Language

linkedIn: nuriamorenop/

Twitter: @nurjamoreno

 

KEEP READING

A sua comunicação não-verbal é a sua marca pessoal

25 Abril 2019 |by Fundacom | Comentários fechados em A sua comunicação não-verbal é a sua marca pessoal | Conocimiento | ,

Duas notícias, uma boa e uma ruim. Vamos começar pela ruim: você pode seguir todas as orientações, manuais e cursos de comunicação, praticar e praticar, mas, se você não for você mesmo, se você não se mostrar como é, se você não for autêntico, nada disso funcionará. E, por outro lado, aqui está a boa notícia, se você já é assim, pode ignorar os cursos, as regras, as diretrizes. Por quê? Porque as pessoas são máquinas de detectar incoerências. Nós fazemos isso automaticamente e sem nenhum esforço. É grátis. E esse sistema funciona muito bem. Quando detectamos uma incoerência, inevitavelmente e inexoravelmente, emitimos um julgamento contra ela. Portanto, na hora de se comunicar, é essencial dar sinais claros e unidirecionais.

Existem três coisas intrínsecas ao ato de comunicar e estas são: mostrar quem somos, nos conectar com os outros e conseguir comover nossa audiência, a fim de que haja uma mudança em sua maneira de perceber, pensar ou sentir. Portanto, a comunicação é, neste primeiro momento, uma questão 1) de identidade, 2) de conexão e 3) de emoção. Nenhum desses três fatores pode falhar. Se o primeiro já falha, há muito trabalho a ser feito, e não ao nível dos gestos – maiores, menores, mais rápidos, mais lentos –, mas sim ao nível interno, ao nível de quais crenças e quais julgamentos, nossos, próprios, estão boicotando nossa intervenção.

As pessoas não irão nos julgar com base se somos bonitos ou feios, baixos ou altos ou se você sabe muito ou pouco, isso é irrelevante em comparação com a força e o impacto de um comunicador que se atreve a estar lá, isso sim, não apenas com o intelecto, mas também de corpo e alma, doando-se, expondo-se, entregando-se. E, nesse sentido, não há receitas ou instruções a seguir, todos nós sabemos o que funciona na hora de persuadir aos nossos amigos, família ou parceiro, e temos um estilo próprio para isso. Por outro lado, a incoerência cria uma distância, desperta uma dúvida, a suspeita de que algo não está certo, e isso vai ganhando espaço e se expande como uma nuvem entre as cabecinhas de nosso público, colocando em xeque-mate a nossa credibilidade como oradores. Ninguém diz isso explicitamente, mas isso é sentido. É justamente o oposto do que queremos alcançar!

É que todos nós sabemos que a comunicação não-verbal é a primeira língua que aprendemos no nosso primeiro ano de vida, e, por isso, quando alguém se apresenta a nós pela metade, de lado, com voz baixa, com a mão no bolso, olhando o colarinho de sua camisa, com o olhar vazio e fixo no fundo da sala, sem encarar…, em um passe de mágica, em um nano-segundo, já fazemos nossa aposta, uma tênue, mas certeira vozinha sussurra dentro de nós e diz: “Bom, eu não sei se eu gosto desse cara“. Assim de claro.

Isso nunca aconteceu alguma vez com você? Ir, por exemplo, para ver um monólogo e seu amigo dizer: “Bem … havia algo na voz … eu não sei …“. Eu, como especialista em comunicação não-verbal, permaneço imóvel. Para mim, a sabedoria coletiva, ainda mais somada à espontaneidade, é ouro puro, e, sem nem mexer um fio de cabelo, digo: “Ah, sim, né?”. Olho nos olhos dele, você sabe como, certo? Nem fixamente nem intensamente, para que não note meu semblante, mas, acima de tudo, para que não lhe fuja a linha de raciocínio. E, como quem não quer nada, espero em silêncio, atenta, impaciente, ansiosa, até que finalmente acrescenta: “Bem … sim …“, ele diz, “Havia algo em sua voz, porque … como se não se encaixasse bem, não?” O especialista dentro de mim fica em êxtase. Adoro não ser eu quem se dê conta dessas coisas, ou quem diga isso. A voz, querido leitor, não se encaixava com o corpo, por certo. Seu corpo, grande e forte, contrastava com sua voz excessivamente suave, e sobretudo macia, um contraste que destoava e dizia três coisas: 1) quero agradar, 2) me falta firmeza e prefiro esconder a minha força ao invés de demonstrá-la, ou utilizá-la e me exceder, e 3), eu não sou assim. De todas estas coisas, é a terceira que, sem piedade, levantou suspeitas em meu amigo, apesar de nos entreter por um bom tempo e nos provocar muitas risadas. E é a segunda, a firmeza, ou melhor, a sua falta, que deveria ser trabalhada para que sua voz estivesse de acordo com seu corpo. Você entende agora o que quero dizer com ser autêntico e coerente? Não é o plano verbal, mas muito mais o corporal, aquele que nos delata, e é no ser, na identidade, onde ele aparece e se corrige.

Vamos começar, portanto, pelo princípio, se queremos gerar presença, alcançar nosso público, conectar-se, fluir com ele e que ele flua conosco, inspirar, cativar, encantar e absorver os outros, no momento em que nos sentirmos bem com nós mesmos, não basta apenas aprender uma série de truques e técnicas. Não que eu diga que eles não funcionem, são um bom recurso, mas não são suficientes e, acima de tudo, não nos levam direto ao ponto. Comunicar, querido leitor, é uma questão de ser você mesmo, de não impostar. Temos que começar, portanto, por nós mesmos, por quem somos e como somos, ou nossa CNV (comunicação não-verbal) nos delatará.

O momento em que saímos e nos expomos perante a um público é um desafio. Você tem que ter coragem, tem que se atrever a estar lá. Por quê? Porque será possível ver tudo sobre nós. E, em maior ou menor grau, todos nós temos coisas que não queremos que se veja, ou melhor, que não queremos que existam, que não queremos ser. Alguns não querem ser prepotentes, outros não querem ser mandões, outros submissos, outros humildes, outros hipócritas. Há tantas coisas feias que não queremos ser, mas elas existem, ou melhor, nós a possuímos, somos elas. A primeira barreira entre o meu público e eu são estes julgamentos, e eles trabalham em duas direções: o julgamento que eu tenho em relação a mim mesmo, que pode ser mais ou menos consciente, mas sempre menos do que mais; e o julgamento que o outros farão pelo simples fato de me ver. Com base em nossas experiências, todos associamos imagens a emoções e julgamentos. É por isso que, quando vemos uma pessoa, um sim ou um não surge automaticamente em nossa mente. Com relação aos julgamentos dos outros, não podemos fazer nada. Por certo, não? Bem, uma coisa a menos. Outra boa notícia.  Simplesmente isso não é assunto nosso. Cada pessoa julga coisas diferentes. Pouco temos que nos importar com o que os outros julgam. O trabalho é com nós mesmos, com nossos próprios julgamentos. Porque esses são os que vão nos fazer seguir ou frear, e à medida que fazemos isso, nos vai resultar em um tipo de impacto. Quanto mais transparente for nossa comunicação, mais força, mais naturalidade, mais conexão, mais carisma. Uma cadeia inteira de efeitos positivos se desdobra, e vice-versa.

Autenticidade, confiança, segurança, estabilidade são ótimas palavras, certo? Sua comunicação não-verbal expressa como elas estão, revela o que está dentro e é de dentro para fora que temos que trabalhar para melhorar nossa comunicação, nossa liderança, nosso talento e nosso relacionamento com os outros. Nesse sentido, a comunicação não-verbal é uma ferramenta excelente e confiável para se trabalhar, pois revela o que existe e abrange todas as áreas do ser e todos os canais de expressão.

Comunicar tem a ver com ser e sua comunicação não-verbal é sua marca pessoal. Porque apenas você se move dessa maneira, só você tem aquela maneira de olhar, aquele gesto tão seu, aquela maneira particular de mover as mãos, só você tem aquele jeito de andar tão característico e apenas você tem esse timbre de voz. Milhares, centenas de milhares, milhões de pessoas, todas diferentes, todas se movendo de forma diferente, soam diferente, brilham de maneira diferente. Sim, sua comunicação não-verbal é você, sua comunicação não-verbal é o que lhe caracteriza, sua comunicação não-verbal é sua marca pessoal. E é isso… você é único, sabe? Esta é a boa notícia, não temos que ser outro. Na hora de comunicar, nós apenas temos que ser nós mesmos.

Comunicar é uma questão de ser. É tão difícil ser quem você é?

KEEP READING