Paulo Nassar

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É preciso rediscutir o licenciamento social

21 Junho 2019 |by Fundacom | 0 Comments | Conocimiento | ,

O que fazer quando as grandes empresas provocam acidentes que matam, escravizam e violam direitos humanos? Dada a lentidão dos litígios judiciais, o licenciamento social surge como um pacto entre empresas, sociedade e Estado, que, embora não seja previsto em lei nem leve a punições legais, parece ser opção que ganha traços cada vez mais firmes. É a licença simbólica concedida pela sociedade que deve ter como contrapartida o debate democrático entre diferentes pontos de vista e narrativas sobre um empreendimento, com o objetivo de discutir eventuais problemas e mitigar os riscos envolvidos no projeto.

Essa licença tem sido cassada pela sociedade e pelos seus representantes quando os riscos operacionais se transformam em tragédias. É o que parece demonstrar, no Brasil, as tragédias ambientais e humanas decorrentes de atividades extrativistas, tanto pelo número de mortos quanto pelos impactos ambientais, sociais e governamentais. Esses acontecimentos dramáticos têm sido previsíveis. Uma visão retrospectiva vai mostrar que, no final do século 20, o sociólogo Ulrich Beck trazia à tona, no livro Sociedade de risco mundial, a nova evidência de globalização dos riscos. Relatório da ONU também denunciava, em 2008, casos em que empresas multinacionais, direta ou indiretamente, cometeram crimes, especialmente em países flagelados pela corrupção dos dirigentes ou em democracias frágeis.

Contudo, punir as empresas continua sendo terreno arenoso. Primeiro, porque os tratados internacionais que poderiam assegurar punições às organizações datam do fim da Segunda Guerra Mundial, quando as multinacionais ainda não detinham tanto poder como agora. Segundo, porque só recentemente as autoridades vêm se atentando para as possibilidades de as multinacionais e seus dirigentes terem obrigações legais claras. Por fim, porque a reparação é lenta e a aplicação das multas igualmente morosa – a judicialização não oferece saída imediata.

Embora o Brasil tenha uma legislação avançada, sobretudo em relação aos direitos ambientais, o conceito de justiça oscila ao sabor das narrativas que sobre ela são veiculadas. Em síntese, o sistema judiciário brasileiro é um arquipélago que reúne Tribunais de Justiça dos Estados e do Distrito Federal, número idêntico de Tribunais Regionais Eleitorais, 23 Tribunais Regionais do Trabalho e Tribunais de Justiça Militar, além do Supremo Tribunal Federal. Mais: para controlar, fiscalizar e planejar o Poder Judiciário, criou-se em 2004 o Conselho Nacional de Justiça. Será que essa estrutura pesada funciona?

Nesse contexto, o licenciamento social é uma ideia que vem sendo desenvolvida em meio a crises corporativas nocivas para milhões de cidadãos e até para a perenidade dos negócios. Fruto dessas crises, grandes corporações têm interrompido as operações de forma parcial ou total. Não só decorrentes de perdas de autorizações legais e políticas, mas oriundas de forte rejeição da opinião pública. Decisões sociais que têm encerrado histórias de empresas e dirigentes, mesmo com a ameaça da perda de empregos e impostos decorrentes da cessação de licença social para operar. Nos dias de hoje, os benefícios econômicos não podem mais se sobrepor aos aspectos sociais e aos riscos envolvidos na produção.

Crises organizacionais agravadas por danos à identidade, à imagem e à reputação de instituições, empresas e dirigentes – esses ainda pouco acostumados a uma sociedade armada de smartphones e com voz nas redes sociais – poderiam ser evitadas ou minimizadas, mediante boa comunicação e narrativas eficazes. A licença social é construída, em sua concessão ou cassação, nos acertos ou desacertos da comunicação e dos processos relacionais de empresas e instituições. Processos de que devem emanar e serem conduzidos pelo comando organizacional.

As empresas precisam se consolidar no território das narrativas. Elas fortalecem as organizações e percorrem um ambiente relacional e dinâmico. São elas que dão sentido e significado no ambiente da sociedade e de suas redes de públicos para a história e as ações do empreendimento e de seus integrantes. Mas de nada adianta as narrativas dizerem uma coisa e a prática apontar para o lado oposto. É nas narrativas e relações cotidianas que se solidificam as identidades, as imagens, as marcas e as reputações das companhias e de seus dirigentes.

A sociedade exige que CEOs e conselhos de administração, além de administrarem resultados econômicos e processos produtivos, cuidem dos aspectos que constituem o simbólico das organizações. Entre esses muitos aspectos, a administração das narrativas, porque são elas que contribuem decididamente – quando verdadeiras, coerentes e bem entendidas – para legitimar a empresa e consolidar o licenciamento social para operar.

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Paulo Nassar fala sobre liberdade de imprensa em artigo na Folha de S. Paulo

22 Outubro 2018 |by Fundacom | Comentários fechados em Paulo Nassar fala sobre liberdade de imprensa em artigo na Folha de S. Paulo | Actualidad |

“Liberdade de imprensa é essencial para a própria liberdade, como afirmaram Thomas Jefferson e John Adams, pais fundadores da América. Sem imprensa livre, não há democracia”. Assim responde Paulo Nassar, diretor-presidente da Aberje e professor titular da ECA-USP, ao questionamento se a imprensa é ou não inimiga do povo, em artigo publicado na Folha de S. Paulo na edição do dia 14 de setembro de 2018.

No texto “A liberdade de imprensa em perigo”, Paulo Nassar destaca a importância dos jornais e revistas no cenário atual. “Na verdadeira instituição jornalística zelam-se os processos de produção, dos pontos de vista da ética, da técnica e da estética. Persiste no cotidiano das redações o hábito de partilhar com os colegas o que deve ou não ser publicado (…)Também há o comportamento ritual, igualmente fundamental, de checar a veracidade das informações. E por fim, existe o culto aos fatos, o que, por si só, é um poderoso antídoto contra as fake news”.

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Paulo Nassar, diretor-presidente da Aberje e professor da ECA-USP

20 Junho 2018 |by Fundacom | Comentários fechados em Paulo Nassar, diretor-presidente da Aberje e professor da ECA-USP | Entrevistas | , ,

Qual é o papel do conselho de administração diante do que o senhor denomina de intangível?

É importante que o conselho mantenha sua competência tradicional, baseada na experiência e na sabedoria de seus membros. Sem abrir mão dessas qualidades, o conselho deve também ampliar o seu olhar para o que chamo de intangível: questões sociais e culturais. Conselhos tradicionais, voltados para aspectos técnicos, resistem à ideia ainda que estejamos erodidos pelos acontecimentos. Vamos pegar o tema compliance e corrupção. Nos últimos cinco anos, grandes organizações que atuam no Brasil, com faturamento na ordem de bilhões e que empregam milhares de pessoas, tiveram suas marcas destruídas por uma atitude comportamental dentro das relações público-privadas. No ambiente internacional, também tivemos perdas bilionárias por questões comportamentais da alta direção. São exemplos que mostram que esse olhar abrangente no que tange a cultura organizacional, das práticas comportamentais, é necessário.

O que é preciso mudar para que os conselhos se adaptem ao atual cenário social?

O conselho é um espaço singular, quase mítico. A percepção social é de que é formado por pessoas de grande sabedoria. O mais importante nesse ambiente, associado a um elevado padrão de qualificação, é a mudança de postura. É preciso perceber que empresa e sociedade fazem parte do mesmo território; e que as organizações precisam estar alinhadas às expectativas sociais. Essa transformação é fundamental. Não se espera que as empresas atuem somente no âmbito dos bens e serviços, mas que transcendam para uma nova dimensão social.

O que muda na formação e nas competências dos conselheiros? Estamos indo para uma visão aristotélica dos conselhos. Aristóteles diz que a política organiza a polis. Metaforicamente, a empresa é a polis, onde teremos conselheiros e alta direção determinando as políticas a serem desenvolvidas. Dentro dessa visão política contemporânea, incorporando os intangíveis, o conselho não pode ser apenas técnico. O conselho é um órgão político – no sentido mais nobre da palavra – e por isso não pode ser protocolar. Se uma organização fica restrita a processos ela se torna analfabeta em termos comunicacionais e relacionais. Estamos em um momento de transição: de um conselho ainda fechado, mas que está se abrindo por conta do tsunami social que bate à porta. A abertura é uma questão de sobrevivência. Não dá para separar o corpo e alma, tangível e intangível. É um pacote só.

O que pode acontecer com as companhias que ficarem fechadas em seus próprios negócios e não se adaptarem a essas novas demandas sociais?

O futuro delas é de destruição de marcas e de valor, tanto econômico quanto social. Hoje, o papel das empresas não se restringe a apenas desenhar uma ação industrial e comercial.

Fonte: http://emkt.ibgc.org.br/emkt/tracer/?1,4843830,dd1cb109,7c80

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Paulo Nassar para o JOTA: “O lobby precisa superar a sua má narrativa”

25 Abril 2018 |by Fundacom | Comentários fechados em Paulo Nassar para o JOTA: “O lobby precisa superar a sua má narrativa” | Conocimiento | ,

Em entrevista para Guilherme Pimenta (portal JOTA), publicada na última quinta-feira (22), Paulo Nassar, diretor-presidente da Aberje e professor titular da USP, afirmou que o lobby só vai superar sua má narrativa no Brasil com “ética e transparência”. Ele comenta sobre o PL 1.202/07, que visa regulamentar a atividade de lobby no país.

JOTA: É importante regulamentar o lobby no Brasil?

Paulo Nassar: A regulamentação do lobby no Brasil está contextualizada dentro de uma questão maior: a necessidade de mudança do paradigma em que se dão, historicamente, as relações público-privadas em nosso país. Um tipo de relacionamento de conluio em que o perfil dos participantes, as conversas, as agendas, os objetivos, as trocas, os ambientes, dentre outros aspectos, estão sendo postos em xeque principalmente pelo Poder Judiciário.

Assim qualquer projeto de regulamentação do lobby tem que estar alinhado a um outro paradigma em que os relacionamentos entre a sociedade e aqueles que fazem as leis e a gestão pública sejam balizados pela competência, pela legalidade e abençoados por uma legitimidade de grande abrangência social. Se não respeitar esse novo contexto, o projeto se transforma em mais um factoide, produtor de mais um cartório, apenas mais um protocolo de relacionamento, sem potência transformadora. O projeto corre o risco de se transformar em uma fábrica de carteirinhas que dão acesso a um clube old-style.

Veja a entrevista na íntegra no site do JOTA.

Fuente: Abeje

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Paulo Nassar

17 Novembro 2016 |by Fundacom | Comentários fechados em Paulo Nassar | Patronato | ,

Paulo Nassar, formado em jornalismo, é doutorado em Ciências da Comunicação e tem um pós-doutoramento da Libera Università di Lingue e Comunicazione (IULM) de Milão, Itália.

No ano de 2012 obteve a distinção Atlas Award Lifetime Achievement International Public Relations, concedida pela Public Relations Society of América (PRSA), que reconhece aqueles que contribuíram extraordinariamente para a prática e para a profissão de Relações Públicas numa escala global.

Na atualidade

É professor na Universidade de São Paulo (USP) e diretor-presidente da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje).

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Paulo Nassar: “A transparência não é uma questão de aposta, é uma realidade”

19 Maio 2016 |by Fundacom | Comentários fechados em Paulo Nassar: “A transparência não é uma questão de aposta, é uma realidade” | Entrevistas | , ,

A CIBECOM é um momento único para que essa comunidade de comunicadores ibero-americanos possa, pela primeira vez, consagrar de forma ritual e cerimonial esse espaço associativo.

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